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A lagoa da Sereia

A Piscina da Sereia. Foto por BinaryApe

Kinder Scout é o nome de uma montanha e de um plateau. É um local desolado em Peak District na Inglaterra.

Alguns dizem que o nome “Kinder” possa ser céltico vir do germânico “Kunder”, que significa prodígio, ser ou criatura. Isso porque perto da Cachoeira de Kinder, se encontra um lago, não mais que uma poça, onde dizem que habita uma sereia.

Aqueles que se atrevem a ir até lá vêem que é um local triste e solitário, que deixa o visitante crente de que alguma presença maligna vive no local. Mesmo sendo um lugar interessante para se visitar, os locais dizem ser uma péssima idéia ir até lá à noite.

O lugar é pantanoso, e a dita lagoa é feita de uma água lodosa e que não é potável. Mesmo assim, dizem que se você ficar encarando a lagoa sem vida vai ser recompensado com a visão do seu futuro.

Outros dizem que se você for até lá na Páscoa, mais exatamente à meia-noite, vai encontrar uma sereia nas suas águas negras. Ela te estenderá a mão fria e té dará o presente da vida eterna ou então te puxará para o fundo para te afogar.  Tudo depende do capricho da criatura.

Talvez o seu ar carregado seja resultado de antigas cerimônias céltas que haviam lá. Eles usavam a piscina para esses ritos, que envolviam provavelmente sacríficios humanos. Para eles, a água era um portal entre nosso mundo e outros, tendo um signficado espiritual muito grande.

Além disso, eles usavam o local para enterrar seus mortos, acreditando que se os enterrassem nos pântanos, onde havia água, eles iriam direto para o outro mundo. Não haveria possibilidade de voltar, já que eles já havia passado pelo “portal das águas”. Semelhante estória pode ser vista no filme “The Dark”, onde se menciona o local mítico Annwn, que estaria localizado em alto mar e que é retratado como outro mundo.

Fontes:

http://www.flickr.com/photos/binaryape/155635682/

http://www.cressbrook.co.uk/towns/hayfield.php

www.haunted-britain.com/Haunted_North_Midlands.htm

O ancião de Cury

Leighton. O Pescador e A Sereia

Mais de cem anos atrás, em um belo dia de verão, quando o sol brilhava em  um céu sem nuvens, um velho da freguesia de Cury, ou, como era chamado  outrora, Corantyn, estava andando nas areias em uma das enseadas perto de um lugar chamado Ponto do Lagarto. O velho estava meditando, ou pelo menos estava caminhando, sem pensar profundamente, ou sem pensar em nada – isto é, ele estava “perdido em pensamentos” – quando, de repente ele subiu em uma rocha sobre a qual estava sentado um linda moça com cabelos louros, tantos que praticamente a cobriam inteira. No interior da rocha havia uma poça de água transparente, que havia sido deixado pela maré vazante na no oco da areia que as águas tinham feito.  A jovem estava tão absorta em sua ocupação – penteando seus cabelos na água espelhada, ou admirando o seu próprio rosto,  que ela não notou o intruso.

O velho ficou olhando para ela por algum tempo antes que ele imaginasse como agir.  Finalmente ele resolveu falar com a moça. “Como vai jovem?” , disse ele, “o que você está fazendo aqui, a essa hora do dia?” Assim que ela ouviu a voz, ela deslizou da rocha afundando na água.

O velho não pôde esboçar reação.  Ele pensou que ela iria afogar-se, então ele correu para a rocha para ajudá-la, conceber que em seu medo de ser encontrada nua por um homem ela tinha caído na poça e possivelmente, que era profunda o suficiente para afogá-la. Ele olhou para a água, e, com certeza, ele viu a cabeça e os ombros de uma mulher, cabelos longos e flutuantes como delicadas algas marinhas por todo o lago, escondendo o que lhe pareceu ser uma cauda de peixe.  Ele não pôde, no entanto, ver nada distintamente, devido à abundância de cabelo flutuando em torno da figura. O velho tinha ouvido falar de sereias de pescadores do Gunwalloe, assim ele concebeu esta mulher deveria ser uma, e ele se assustou.  Ele viu que a moça estava tão apavorada como ele, e que, por vergonha ou medo, ela tentou esconder-se nas fendas das rochas, e enterrar-se sob as algas.

Criando coragem, o homem finalmente  se dirigiu a ela: “Não tenha medo, minha querida. Você não precisa se importar comigo.  Eu não lhe farei nenhum mal.  Sou um homem velho, e não a feriria mais que o seu avô. ”

Depois que ele falou dessa maneira suava por algum tempo, a jovem tomou coragem e ergueu a cabeça acima da água.  Ela chorava amargamente, e, logo que ela pôde falar, ela implorou ao velho para ir embora.

“Eu preciso saber, minha querida, algo sobre vós, agora que eu vi você.  Não é todo dia que um homem velho pega uma sereia, e eu ouvi alguns contos estranhos a respeito de vocês, mulheres do mar.  Agora, minha cara, não tenha medo, eu não iria machucar um único fio de cabelo de sua linda cabeça.  Como você chegou aqui? ” Depois de  mais alguma adulação ela disse ao velho a seguinte história:  Ela e seu marido e os pequeninos tinham andando ocupados no mar toda a manhã, e eles estavam muito cansados por nadar sob o sol quente, de modo que o tritão propôs que eles deveriam retirar-se para uma caverna, que eles tinham o hábito de visitar em Kynance Cove.  Eles nadaram longe, e entraram na caverna no meio da maré.  Como lá havia um pouco de uma gradável alga macia, e a caverna era deliciosamente fresca, o tritão se dispôs a dormir, e disse-lhes para não acordá-lo até a subida da maré.  Ele foi logo dormindo, roncando  vigorosamente.  As crianças rastejaram para fora e estavam brincando na areia encantadora, assim a sereia achou que deveria ivestigar um pouco o mundo.  Ela olhou com prazer nas crianças rolando para lá e para cá nas ondas rasas, e ela riu na luta dos caranguejos, engraçada à sua própria maneira.  “O perfume das flores, descia  sobre a falésia tão docemente”, disse ela, “que eu ansiava por chegar mais perto das coisas encantadoras que emitiam esses ricos odores, e eu flutuava de pedra em pedra até que eu vim para esta, e concluindo que eu não poderia avançar ainda mais, pensei que eu deveria aproveitar a oportunidade de arrumar o meu cabelo “.  Ela passou os dedos por seus lindos cachos, e sacudiu alguns pequenos caranguejos e muitas algas marinhas.  Ela passou a contar que ela tinha sentado sobre a rocha admirando a si mesma até que a voz de um mortal apavorou dela, e até então não tinha idéia de que o mar estava tão longe, com uma enorme faixa de terra entre ela e o mar. “O que devo fazer? O que devo fazer?  Oh, eu daria o mundo para voltar para o mar! Oh, Oh! O que devo fazer?”

O velho tentou consolá-la, mas suas tentativas foram em vão. Ela disse que seu marido iria agir terrivelmente se ele acordasse e a encontrasse ausente, e ele com certeza ele iria acordar na virada da maré, uma vez que era a hora do seu jantar.  Ele era muito selvagem quando ele estava com fome, e comeria as crianças se não houvesse outro alimento à mão.  Ele também era terrivelmente ciumento, e se ela não estava ao seu lado quando  ele acordasse, ele iria suspeitar que ela teria fugido com algumas outro tritão. Ela implorou que o velho a carregasse parao mar.  Se ele o fizesse ela daria a  ele quaisquer três coisas que ele desejasse.  Seus pedidos finalmente prevaleceram e, de acordo com seu desejo, o velho ajoelhou-se na rocha, de costas para ela.  Ela apertou os braços junto ao pescoço dele, e firmou os dedos membranosos em sua garganta.  Ele levantou-se da rocha com o seu fardo, e levou assim a sereia pela areia.  Enquanto era conduzida desta forma, ela pediu o velho para lhe dizer o que ele desejava.

“Eu não desejo”, disse ele, “prata e ouro, mas me dê o poder de fazer o bem aos meus vizinhos:  em primeiro lugar, para quebrar os feitiços de bruxaria; segundo, e encantamentos para afastar doenças, e em terceiro lugar, para descobrir os ladrões e restaurar bens roubados. ”

Tudo isso ela prometeu que ele possuiria, mas ele precisa chegar a uma rocha coberta até a metade pela maré no dia seguinte, e ela iria instruí-lo como fazer as três coisas que ele desejava. Tinham chegado à água, e pegando o pente do cabelo dela,  ela deu para o velho, dizendo que ele tinha apenas que pentear a água e chamá-la a qualquer momento, que ela viria até ele. A sereia afrouxou seu abraço, e deslizou do pescoço do velho de volta ao mar, ela jogou-lhe um beijo e desapareceu.  Na hora marcada o velho estava na rocha – conhecida até o hoje como a Rocha da Sereia – e ele foi devidamente instruído em muitos mistérios.  Entre outros, ele aprendeu a quebrar os feitiços de bruxas sobre homem ou animal, comoa preparar um vaso de água, para mostrar a qualquer um que teve seus bens roubados o rosto do ladrão; curar herpes, doenças de pele, fogo de Santo Antônio(1), e dança de São Vito, e ele também aprendeu todos os mistérios das folhas de amora, e assim por diante.

A sereia que a curiosidade de uma mulher,  convenceu seu velho amigo a levá-la a um lugar secreto, de onde ela podia ver mais da terra seca e do povo engraçado que vivia nela, “que tinham suas caudas arrancadas, e assim podiam andar. ” Ao levar a sereia de volta para o mar, ela desejou que seu amigo a visitasse em seu lar, e até prometeu fazê-lo jovem se ele fizesse isso,  favores que o velho respeitosamente declinou.  A família, muito conhecida na Cornualha, por algumas gerações têm exercido o poder de enfeitiçar.  Eles tem em a posse deste poder da maneira como foi relatada.  Alguns remoto tataravô  foi o indivíduo que recebeu o pente da sereia, que existe até os dias atuais, e mostrar-nos provas da verdade do seu poder sobrenatural. Algumas pessoas são descrentes o suficiente para dizer o pente é apenas uma parte da mandíbula de um tubarão.  Pessoas pessoas céticas nunca não são pessoas amáveis.

Fonte: Popular Romances of the West of England, collected and edited by Robert Hunt, 1903, 3rd. edition.

Notas:

(1)

Saint Anthony’s fire (também conhecido historicamente como Ignis Sacer e Fogo Sagrado),  pode se referir a uma das seguintes doenças: ergostimo, erysipelas, e herpes zoster (cobreiro).

Pendurando as chuteiras

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Evidência de lançamento de sapatos em Edmonton, Canada. Foto de Nick Wiebe

Já pensou nas coisas que você vê no dia-a-dia mas realmente você não vê? Ontem eu notei que nos fios próximos a uma garagem de ônibus têm uma quantidade enorme de sapatos pendurados…

Afinal qual o significado disso? Bem, essa questão me veio à cabeça quando lembrei do filme Big Fish com Ewan McGregor.  Em determinada cena do filme de Tim Burton, Edward Bloom, nosso herói, atravessa uma floresta de árvores ensandecidas e chega à cidade de Espectro.

Mal chega lá, seus estranhos e sorridente habitantes, tentam a qualquer custo saber o nome dele. Isso é feito enquanto ele saboreia uma típica torta americana. Não pude deixar de ter uma sensação de estranhamento diante daquelas felizes pessoas tentando “arrancar” o nome dele.  Parecia que quando ele dissesse, ele ficaria à mercê deles. Bem, só que nesse meio tempo, uma garotinha lhe rouba os sapatos e joga nos fios em frente à cidade.

Você têm a certeza que Ed agora está preso. Afinal, como é dito pra ele, “ele não pode ir embora sem os sapatos”.

Mas resumindo a conversa, quais seriam os significados dos sapatos pendurados nos fios?

Pesquisando na literatura e internet, pouca coisa encontrei sobre o assunto, mas uma das teorias reafirma a minha visão sobre o filme, vamos lá:

  • Eles são o memorial para alguém morreu ali perto, muitas vezes uma criança. Os sapatos pertencem à pessoa morta;
  • São uma sinal de comemoração, um rito de passagem, marcando o final de uma ano escolar ou de acampamento, um casamento, um noivado. Marcam o final ou o começo de algo. Na Escócia, quando um jovem faz isso, que dizer que ele perdeu a virgindade e está anunciado isso para os seus colegas;
  • Militares jogam sapatos no fio, pintados de laranja ou outra cor, para demonstrar que terminaram seu treinamento básico;
  • Significa que drogas são vendidas ali perto e/ou que estão marcando o território de uma gangue;
  • Sinal de bullying.  Ali tem uma turma de garotos que roubam os sapatos de outro e jogam nos fios;
  • Alguém comprou sapatos novos e resolveu jogar os velhos ali. Só isso.

Então, decididamente eles marcam realmente o início e o fim de algo ou são a marca registrada de alguém. Uma maneira do ser humano dizer que “ele está ali”, para o bem ou para mal.  Ou um memorial  para alguém que foi muito amado por seus amigos e parentes.

No caso de Peixe Grande e Suas Estórias Extraordinárias, deve significar que ele “pendurou as chuteiras”, ou seja, ele está no limbro, outro mundo, céu ou inferno e os sapatos indicam que lá ele entrou e não pode sair. Ou ainda, que  é um rito de passagem, já que Edward Bloom tem só 18 anos, e ali  ele tem o seu despertar sexual, quando ele vê a sereia/espectro nadando no rio.

Fontes:

http://wiker.net/newsletter/sneakers.php

http://en.wikipedia.org/wiki/Shoe_tossing

Ne Hwas, a sereia

Ne Hwas, a sereia.

Há muito tempo atrás, havia um índio, com sua esposa e duas filhas. Eles viviam perto de um grande lago, ou no mar e a mãe avisou às meninas para nunca ir para a água, pois se assim o fizessem  algo que aconteceria com elas.

Elas, no entanto, enganavam a mãe repetidamente. Quando nadar é proibido torna-se ainda mais agradável. A beira do lago acabava em uma ilha. Um dia elas nadaram até lá, deixando suas roupas na praia. Os pais as perderam.

O pai tentou encontrá-las. Ele as viu nadando ao longe e chamou por elas. As meninas nadaram até a areia, mas não foram longe. Seu pai perguntou-lhes porque não podiam. Elas gritaram que tinha ficado tão pesadas que era impossível. Elas estavam muito viscosas, e tinham virado serpentes cintura para baixo. Após mergulhar algumas vezes neste lodo estranho elas se tornaram muito bonitas, com longos cabelos e olhos negros e luminosos, com faixas de prata em seu pescoço e braços.

Quando o pai foi buscar as suas roupas, elas começaram a cantar em tons mais maravilhosos:

“Deixe-as lá
Não lhes toque
Deixe-as lá! ”

Ouvindo isso, sua mãe começou a chorar, mas as meninas continuaram:

“É tudo culpa nossa,
Mas não nos culpem
Isso não será nada o pior para você.
Quando você estiver na sua canoa,
Então você não precisará de remo
Vamos levá-lo junto!”

E assim foi: quando seus pais foram na canoa, as meninas a levaram para  todo lugar.

Elas as encontraram na água, e as perseguiu para tentou capturá-las, mas elas eram tão escorregadias que era impossível segurá-las, até que um, pegando a sereia pelos longos cabelos negros, conseguiu cortá-lo.

Então a menina começou a balançar a canoa e ameaçou virá-la, a menos que seu cabelo fosse devolvido. O índio que havia ludibriado a sereia a princípio recusou, mas como as sereias ou donzelas serpentes, prometeram que todos eles se afogariam a menos que isso fosse feito eles devolveram e assim sendo, foi desfeito o bloqueio que a impedia de continuar. E no dia seguinte, elas foram ouvidas onde elas tinha sido vistas pela última vez e o cabelo da sereia que havia sido cortado, estava crescendo novamente.

fontes:

http://www.sacred-texts.com/nam/ne/al/al57.htm

http://www.firstpeople.us/FP-Html-Legends/Ne-Hwas-The-Mermaid-Passamaquoddy.html

Murgen – Uma Santa Sereia?

Mesmo antes dos marinheiros se lançarem às águas do mar, as sereias fazem parte do imaginário coletivo. Elas podem ser tanto seres encantadores como demônios.

Colombo afirmou que viu três sereias em sua primeira viagem para as Américas. Em 4 de janeiro de 1493, o capitão diz ter observado no mar formas femininas encantadoras e registrou no seu diário. Provavelmente eram golfinhos ou manatis, afinal um dos livros favoritos era o “Imago Mundi” do Cardeal Pieere D´Ailly onde eram descritos o mundo desconhecido como cheio de amazonas, selvagens com cara de cachorro, pigmeus e gigantes. Nessa época haviam muitos relatos fantásticos sobre os lugares do mundo que os europeus ainda não haviam chegado.

Como os marinheiros passavam muito tempo no mar, não era difícil povoar a imaginação com seres fantásticos provindos de sua solidão, cansaço e das estórias ouvidas no porto. Mas não devemos esquecer de que não há somentes estórias de marinheiros a respeito de sereias.

Para o dramaturgo espanhol Tirso de Molina, as sereias (sirens) são ‘metade mulher, metade peixe”. Em seus dicionário clássico, Lempriere as chama de ninfas,; para Quicherat’s, eles são monstros, e para Grimal’s, demônios.

Aqui chegamos na lenda da sereia Murgen, que foi capturada no norte do País de Gales e, em certos calendários antigos é referida com o nome de Santa Murgen. Essa lenda é uma das mais bizarras dentro do catolicismo, mais ainda que aquela à respeito da cabeça de cachorro de São Cristóvão. Ela é mencionada nos Anais do Reino da Irlanda, do século dezessete, como Santa Murgen de Inver Ollarba. Antes de mais nada é preciso esclarecer que na verdade ela não é reconhecido como santa pela igreja Católica.

Alguns estudiosos afirma que há uma confusão com relação ao termo, que foi levado muito literalmente com o passar do tempo, na verdade os termos mer-man and mer-woman se refeririam aos homens e mulheres que viveriam em lugares muito isolados como a Ilha de Iona, Caldey, ou Skellig. Talvez a mencionada Murgen tenha sido uma ermitão vivendo numa dessas ilhas e que acabou “virando uma sereia” como modo da população ou dos abades locais chamar a atenção para si e acabar ganhando uns fiéis no processo.

Murgen começou a vida como uma garota chamada Liban. Ela parece ter tido a mistura de humano com Daoine Sidhe. Um dia ela estava perto de mar e acabou sendo arrastada para uma caverna, junto com seu cachorro. Ela pediu a uma deusa que a ajudasse, transformando-a em peixe para sair de lá nadando. Ela foi atendida, só que a deusa transformou só metade dela em salmão e o cachorrinho virou uma lontra.

Segundo outra lenda, em 390 ou 558, um navio que iria para Roma a tirou do mar. O clérigo Beoc, estava a bordo, e ela implorou a ela para deixa-la em Inver Ollarba. Após alguma disputa, ela acabou indo para a paróquia de Beoc e dada a ela duas escolhas: ou ela seria batizada, morreria e iria direito para o Céu ou viveria mais trezentos anos como sereia e depois iria para o Céu. Ela escolheu a primeiro opção e a ela foi dado o nome de Murgen (nascida do mar). Dizem que a igreja de Beoc ainda é um lugar de muitos milagres.

E apesar de meus esforços, não consegui localizar nenhuma referência na internet a respeito dessa igreja, digo fotos ou um link que comprovasse que a igreja existe realmente. De acordo com os textos, só sei que fica na Irlanda.

http://forums.catholic.com/showthread.php?t=24304

http://members.cox.net/mermaid31/merhist.htm

Vila de Zennor

clipped from www.zennor.org.uk
Zennor Parish
Pendour Cove
Zennor Headland
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A vila de Cornwall se localiza entre St. Just e St. Ives, na costa atlântica de Cornwall. A economia da vila no passado era baseado em agricultura, mineração, pesca e exploração de predreiras.

Durante a I Guerra Mundial, D. H. Lawrence se hospedou no local com sua esposa alemã. O povo ficou tão desconfiado deles, achando que eram espiões alemãos, que eles foram convidados a deixar o local… Mas o próprio Lawrence provocou isso, dizendo que os locais eram nada mais que insetos, sujos e que só pensavam em dinheiro. Mereciam só morrer”… Depois de algum tempo ele admitiu que na verdade ele mal tinha visto alguém na cidade, pois passava a maior tempo na cama.

A lenda da sereia é muito famosa no local. Segundo a população, Matthew Trewhella foi enfeitiçado por uma sereia e nunca mais apareceu. O sobrenome Trewhella é muito comum no local.

A Sereia de Zennor

A Sereia de Zennor

Mermaid_by_DanteLinete

A vila de Zennor fica na Cornualha.Em tempos passados, o mar era a principal fonte de renda para essa cidade e caminho de ir de cidade para cidade. As horas eram contados pelo fluxo da maré. Muitos pescadores acabavam perdidos em alguma tempestade no mar. Quando a pesca era farta, eles iam agradecer na igreja local. Eles rezavam para ter sorte no dia seguinte também. Entre eles, havia um rapaz chamado Mathew Trewella melhor. Ele era muito belo e tinha uma voz doce e melodiosa.


Uma noite, muito cedo ainda, quando todos os barcos de pesca estavam ancorados, as famílias estavam na igreja e as aves em seus ninhos, e até mesmo as próprias ondas repousavam calmamente nas praias, alguma coisa apareceu calmamente à luz do crepúsculo. Das ondas surgiu um som, e abaixo delas, apareceu uma criatura, que subiu em uma pedra,, lá na enseada de Zennor.

Ela parecia ser uma bela moça mas no lugar de pernas tinha uma longa cauda prateada. Era uma sereia, uma das filhas de Llyr, rei do oceano, e seu nome era Morveren. Morveren sentou sobre a rocha e debruçou-se na água calma e, em seguida, tirou todos os pequenos caranguejos e conchas de seus longos cabelos. Enquanto ela penteava os cabelos, ouvia o murmúrio das ondas e do vento e carregadas pelo vento vinha a canção de Mathew’.

“Que canção é esta que a brisa está trazendo?” perguntou Morveren. Mas quando o ventou morreu a canção desapareceu. Então Morveren deslizou de volta para o mar, porque já era noite.

Na outra noite ela veio novamente, mas desta vez ela nadou mais próxima à costa para melhor ouvir. E mais uma vez a ela ouviu a voz da Mathew trazida para o mar.

“Qual pássaro canta tão doce?” perguntou-se. Mas trevas havia chegado, e seus olhos viam apenas sombras. No dia seguinte Morveren chegou mesmo mais cedo, e foi mais ousada. Ela se lançou direto até barcos de pescadores. E quando ela ouviu a voz do Mathew, ela chamou, “Que maestro é esse que conduz essa música?” Não houve qualquer resposta salvar o barulho das ondas sobre os recifes.

Morveren decidiu saber mais sobre aquela canção. Ela tentou se aproximar e pôde ver a igreja e ouvir a música a partir de verter sua portas abertas. Ms toda a vez que a maré baixava ela tinha que voltar, senão ela ficaria encalhada.

Ela decidiu mergulhar sob as ondas, até a caverna escura onde ela vivia com seu pai, o rei. E aí ela falou com Llyr o que ela tinha ouvido. Llyr era tão velho que ele parecia ser esculpido no rochedo, seus cabelos emaranhados eram verdes como algas. Ao ouvir as palavras dela, ele balançou a cabeça.
“Ouvir é suficiente, minha criança. Ver seria demasiado.”

“Eu preciso ir, papai”, ela implorou, “esta música é mágica”. “O quê?!”, Ele respondeu: “A música é feita pelos humanos. Nós do povo do mar não caminhamos sobre a terra dos homens.”

Uma lágrima, maior do que uma pérola, caiu dos olhos de Morveren.

“Então, certamente eu hei de morrer”.

Llyr suspirou, e como era o seu suspirar estrondava como ondas gigantes sobre as rochas; uma sereia chorando era uma coisa rara e isso incomodou o velho rei do mar.

“Vá então”, disse ele, finalmente, “mas vá com cuidado. Cubra sua cauda com um vestido, tais como as humanas usam. Vá calmamente, e tenha certeza que ninguém irá vê-la. Retorne com a maré alta, ou você nunca mais voltará para nós.”

“Vou tomar cuidado, pai!” chorou Morveren, animada. “Ninguém vai me pegar como um arenque!” Llyr lhe deu um lindo vestido com pérolas, jades, corais do mar e outras jóias oceânicas. Cobriu sua cauda e seu cabelo brilhante com uma rede, e foi disfarçada para a igreja.

Mas escamas e caudas de peixes da cauda não são feitas para andar a pé, e era difícil para Morveren ir até a igreja. Mas ela foi até lá, arrastando-se e puxando as árvores até a igreja. Era o último hino, as pessoas estavam olhando para baixo ou para o coro e ninguém a viu. Mas ela os viu e também a Mathew. Ele era lindo com um anho e cantava como uma harpa celestial, embora Morveren sendo uma sereia, nada soubesse disso.

Então, nas outras noites, ela ia até lá e fugiu antes da última nota do hino, enquanto a maré ainda estava alta. Isso durante o período de um ano e cada vez mais a voz de Mathew crescia no coração dela. Mathew cresceu e sua voz ficou mais profunda e mais forte (embora Morveren permanecesse a mesma, porque assim era o jeito das sereias).

Um dia ela permaneceu mais que o habitual. Ouviu Mathew cantar um versículo, e depois outro, e começar um terceiro. Cada refrão foi mais adorável que o primeiro e ela suspirou.

Foi apenas um pequeno suspiro, mais suave do que um murmúrio, mas foi o suficiente para Mathew ouvir, e ele olhou para trás e viu os olhos da sereia. Morveren brilhando, e a rede de sua cabeça escapou deixando ver seus cabelos brilhantes. Ele parou seu cantar. Ele foi silenciado pelo olhar dela – e pelo seu amor por ela. Por estas coisas acontecem. Morveren estava assustado. Mathew tinha visto ela, e seu pai tinha avisado que ninguém deveria olhar para ela. Além disso, a igreja estava quente e seca, e o povo do mar deve estar em lugares frios e úmidos.

Morveren sentiu-se encurralada, e correu.

“Pare!” implorou Mathew. “Espere!” E ele correu para a gôndola da igreja e pela porta afora. Então todo o povo virou, livros de hino caindo pelo chão. Morveren enrolou-se no seu vestido e teria caído se Mathew não tivesse a segurado.

“Fique!” ele implorou. “Quem quer que seja você, não vá!”

Lágrimas, lágrimas reais como o mar, salgadas como ela própria, escorriam pelas bochechas de Morveren.

“Eu não posso ficar. Eu sou uma criatura do mar, e tenho de voltar onde eu pertenço.”

Mathew a encarou e viu a ponta de sua cauda aparecendo por baixo do vestido. Mas isso não importava para ela.

“Então vou com você. Porquê eu pertenço ao lugar onde você estiver.”

Ele levantou Morveren, e ela a segurou contra o peito. E correu com ela até o oceano. As pessoas da igreja vendo isso gritaram para ele parar.

“Não! Não, Mathew!” chorou a mãe do garoto. Mas Mathew foi enfeitiçado pelo amor da sereia, e correu com ela o mais rápido que pôde em direção ao mar. Em seguida, os pescadores de Zennor o perseguiram, até mesmo a mãe de Mateus. Mas Mathew foi rápido e forte e se distanciou.

Morveren foi rápida e inteligente. Ela arrancou as pérolas e os corais de seu vestido e jogou-os no caminho. Os pescadores foram gananciosos e pararam para pega-las. Apenas a mãe de Mateus continuou correndo. A maré estava baixando. Grandes rochas apareciam da água escura. Já era muito raso para Morveren nadar, mas Mathew mergulhou. Rapidamente a mãe dele tentou segura-lo. O mar subiu até altura da cintura de Mathew, e depois, seus ombros. Em seguida, as águas se fecharam sobre Morveren e Mateus, e sua mãe ficou com apenas um pedaço de fio em sua mão, como uma linha de pesca e mais nada.

Nunca mais ninguém viu Mathew e Morveren. Eles tinham ido viver na terra de Llyr, construir castelos na areia dourada muito abaixo das águas de um mundo azul-verde. Mas o povo de Zennor ouvia Mathew. Para ela ele cantava dia e noite, canções de amor e canções de ninar. Não cantava só para ela, pois Mathew aprendeu canções do mar também. Sua voz ficava macia e alta se o dia fosse bom, profundo e baixa se Llyr fosse fazer as águas ferverem. Com suas músicas, os pescadores de Zennor sabiam quando era seguro ir para o mar, e quando era sensato ficar em casa. Ainda há alguns que continuam a encontrar significados nas vozes das ondas e compreender os sussurros dos ventos. Estes são os que dizem que Mathew canta ainda, para que eles saibam ouvir.

Mais sobre sereias, mas dessa vez uma versão da tribo Passamaquoddy

https://casadecha.wordpress.com/2009/08/21/ne-hwas-a-sereia/.

A Sereia Dourada Parte 2

white wolf in woods  /   Alaska

E tudo começou por causa do sumiço das maçãs douradas… Agora continua…

A Sereia Dourada – parte 2

Quando o lobo-mago viu que o Príncipe tinha falhado mais uma vez, ele transformou-se novamente em um poderoso rei, e rumou para o palácio com um cortejo ainda mais belo do que o primeiro que foi para a corte do Imperador. Ele foi recebido com cortesia e entretido, e, mais uma vez, depois do jantar ele conduziu a conversa sobre o tema da escravidão, e no decurso de ele novamente pediu para ser autorizado a ver o ladrão atrevido que teve a coragem de entrar no estábulo do Imperador para roubar sua mais valiosa posse. O Imperador consentiu, e tudo aconteceu exatamente como ele havia feito no tribunal do imperador da ave dourada; a vida do prisioneiro seria poupada apenas com a condição de que no prazo de três dias ele deveria obter posse da sereia dourada, a quem até agora nenhum mortal nunca ao menos se aproximado.

Muito deprimido por sua perigosa e difícil tarefa, o príncipe deixou a sua prisão sombria, mas, para sua grande alegria, ele encontrou seu amigo o lobo antes ele tivesse ido muitas milhas em sua viagem. A criatura ardilosa fingiu que não sabia nada do que tinha acontecido ao Príncipe, e perguntou-lhe como ele havia se saído com o cavalo. O príncipe disse-lhe tudo sobre o seu infortúnio, e a condição que o imperador tinha imposto para poupar-lhe a vida. Então o lobo recordou-lhe que ele tinha tirado ele duas vezes da prisão, e que, se ele confiasse nele, e fazer exatamente como ele dissesse, sem dúvida, de ter sucesso nesta última empresa. Então, eles guiaram os seus passos na direção do mar, que se estendia até onde os olhos deles podiam ver todas as ondas dançando e reluzindo no sol brilhante. “Agora”, continuou o lobo, “vou transformar-me em um barco cheio das mais belas mercadorias de seda, e você deverá pular corajosamente para dentro e com a mão direita você dever usar minha cauda para navegar direto ao mar aberto. Você vai em breve chegar até a sereia dourada. Faça o que fizer, não a siga se ela chamá-lo, mas pelo contrário deve dizer-lhe, “O comprador vem ao vendedor, não o vendedor ao comprador.” Depois você deve rumar para a terra, e ela irá seguir você, porque que ela não será capaz de resistir aos belos produtos que estão a bordo de seu navio.”

O príncipe prometeu fielmente fazer tudo o que ele tinha dito, então o lobo transformou-se em um navio cheio das mais requintadas sedas, de todas as cores e tonalidades imagináveis. O espantado Príncipe entrou no barco, e, segurando a cauda do lobo em sua mão, ele se dirigiu corajosamente para o mar aberto, onde o sol estava iluminando as ondas azuis com seus raios dourados. Em breve ele viu a sereia dourada nadando perto do navio, chamando-o e pedindo-lhe para segui-la; mas, consciente da advertência do lobo, disse ela em voz alta voz que se ela pretendia comprar qualquer coisa, ela deveria vir para ele. Com estas palavras ele rumou seu navio mágico de volta à terra. A sereia disse-lhe para parar, mas ele recusou-se a ouvi-la e não parou até chegar a praia. Aqui ele parou e aguardou a sereia, que tinha nadado atrás dele. Quando ela chegou perto do barco ele viu que ela era muito mais linda do que qualquer mortal que ele tivesse visto. Ela rodeou o navio por algum tempo e, em seguida, saltou graciosamente a bordo, a fim de examinar as mercadorias de seda mais de perto. Em seguida, o príncipe a prendeu em seus braços, e beijar seu ternamente nas bochechas e lábios, ele disse que ela era seria sua para sempre, no mesmo momento em que o barco se transformou em um lobo novamente, que de tão apavorada a sereia pediu proteção ao Príncipe.

Assim, a sereia dourada foi capturada com sucesso, e em breve ela se sentiu muito feliz na sua nova vida, quando ela viu que ela não tinha nada a temer do Príncipe ou do lobo – o qual ele cavalgou nas costas, com o Príncipe atrás dela. Quando eles alcançaram a terra governada pelo Imperador do cavalo dourado, o Príncipe saltou, e, ajudando a sereia a saltar também, ele a levou diante do Imperador. Diante da visão da bela sereia e do lobo selvagem, que ficou próximo ao príncipe desta vez, os guardas todos fizeram um respeitoso silêncio e, em breve os três estavam diante de sua Majestade Imperial. Quando o imperador ouviu do Príncipe como ele tinha conseguido a posse do seu justo prêmio, logo ele reconheceu que ele tinha sido ajudado por alguma arte mágica, e na hora desistiu de reivindicar a bela sereia. “Querido jovem,” disse ele, “perdoe o meu comportamento vergonhoso para com você, e, como um prova de meu arrependimento, aceitem o cavalo dourado como um presente. Reconheço que o seu poder é ainda maior do que eu possa entender, para você ter conseguido ganhar posse da sereia dourada, a quem até agora nenhum mortal nunca conseguiu se aproximar.” Então, todos eles tomaram parte numa grande festa, e o príncipe teve de relatar todas as suas aventuras de novo, para a surpresa e espanto de toda a corte.

Mas o príncipe queria regressar ao seu próprio reino, tão logo a festa acabou ele se despediu do Imperador, e caminho na direção de seu lar. Ele ajudou a sereia a montar no cavalo dourado, e colocou-se atrás dela – e assim eles cavalgaram alegremente, com o lobo trotando atrás deles, até que chegaram ao país do Imperador da ave dourada. A notoriedade do Príncipe e suas aventuras tinham precedido sua chegada, o Imperador se sentou em seu trono aguardando a chegada do príncipe e seus companheiros. Quando os três adentraram no pátio do palácio, eles ficaram surpresos e encantados por encontrar tudo festivamente iluminado e decorado para a sua recepção. Quando o Príncipe e a sereia dourada, com o lobo atrás deles, pisaram nos degraus do palácio, o Imperador se apressou para encontrá-los, e os conduziu à sala do trono. No mesmo instante um servidor apareceu com o pássaro dourado na sua gaiola dourada, o Imperador implorou o príncipe para aceitá-la de todo coração, e de perdoar-lhe a indignidade que tinha sofrido em suas mãos. Então, o Imperador se inclinou diante da linda sereia, e, oferecendo o seu braço dela, ele a levou para jantar, seguido de perto pelo príncipe e seu amigo lobo, o último a tomar seu lugar à mesa, não o menos embaraçado porque ninguém o tinha convidado a fazê-lo.

Logo que a suntuosa refeição acabou, o Príncipe e a sua sereia dourada saíram da presença do Imperador, e montaram o cavalo dourado, continuando sua viagem para casa. No caminho o lobo virou-se para o príncipe e disse: “Caros amigos, devo dizer adeus para vocês agora, mas eu deixo vocês em circunstâncias tão felizes, que não posso sentir a nossa separação como uma coisa triste.” O príncipe ficou muito infeliz quando ele ouviu estas palavras, implorou ao lobo para ficar com eles sempre, mas isto a boa criatura recusou a fazer, embora ele tenha agradecido ao Príncipe gentilmente pelo seu convite, e desapareceu nas moitas, “Se algum mal suceder-lhe, caro Príncipe, a qualquer momento, você pode contar com a minha amizade e gratidão.” Estas foram as palavras de separação do lobo, e o príncipe não podia conter suas lágrimas quando viu o seu amigo desaparecendo na distância; mas ele olhou sua amada sereia e em breve animou-se de novo, e eles continuaram em sua feliz jornada.

A notícia das aventuras de seu filho já tinha chegado à corte de seu pai, e todos estavam mais do que espantados com o sucesso do então desprezado príncipe. Seus irmãos mais velhos, que tinha ido em vão a busca do ladrão das maçãs douradas, estavam furiosos com a fortuna de seu irmão mais novo, e planejaram uma forma para matá-lo. Eles esconderam na floresta através da qual o príncipe teria de passar em seu caminho para o palácio, e aí caíram sobre ele, e, depois de terem o espancado até a morte dele, levaram o cavalo e o pássaro dourado. Mas nada do que fizessem persuadiu a sereia dourada a ir com eles ou se mover do local, pois desde que ela tinha deixado o mar, ela tinha ligado a própria vida à do Príncipe que nada mais ela pedia do que a viver ou morrer com ele.

Por muitas semanas, a pobre sereia sentou e vigiou o corpo querido de seu amado, chorando lágrimas de sal por sua perda, quando, um dia, de repente seu velho amigo, o lobo, apareceu e disse, ‘Cubra o corpo do Príncipe com todas as folhas e flores que você puder encontrar na floresta”. A moça fez como ele disse a ela, e, em seguida, o lobo soprou sobre o túmulo florido, e, em verdade, e eis! O príncipe estava dormindo pacificamente como uma criança. ‘Agora você pode despertar-lhe se quiser, “disse o lobo, a sereia inclinou-se sobre ele e suavemente beijou todas as feridas seus irmãos tinham feito em sua testa, e o príncipe acordou, e você pode imaginar como ele estava encantado para encontrar a sua linda sereia ao seu lado dele, mas ele se sentia um pouco deprimido quando ele pensava da perda do ave e do cavalo dourado. Depois de um tempo, o lobo, que também tinha deitado no pescoço do Príncipe, aconselhou-os a prosseguir a sua viagem, e, mais uma vez, o príncipe e sua linda noiva montaram sobre as costas da fiel besta.

Foi grande alegria do Rei quando ele abraçou o seu filho mais novo, por quem há muito se desesperava pelo retorno. Ele recebeu o lobo e a linda sereia dourada muito cordialmente, o Príncipe foi chamado a contar todas as suas aventuras desde o início. O pobre e velho pai ficou muito triste quando ele ouviu do vergonhoso comportamento dos seus filhos mais velhos, e eles foram chamado diante dele. Eles ficaram brancos como a morte quando viram seu irmão, a quem eles achavam que tinham assassinado, em pé ao lado deles vivo e com boa saúde, e assim eles se alarmaram, quando o rei perguntou por que eles tinham comportado tão vergonhosamente para com seu irmão, que não puderam pensar em nenhuma mentira, mas confessaram ao mesmo tempo que tinham morto o jovem príncipe, a fim de obter posse do pássaro e do cavalo dourados. A ira de seu pai, não teve limites, e ele ordenou que ambos fossem banidos, e ele não pôde fazer o suficiente para honrar o seu filho mais novo, e o seu casamento com a bela sereia foi celebrado com grande pompa e magnificência. Quando as festas acabaram, o lobo disse adeus a todos, e retornou mais uma vez a sua vida na floresta, para o desgosto do velho rei e o jovem Príncipe e sua noiva.

E assim as aventuras do príncipe com seu amigo lobo terminaram.

A Sereia Dourada

Conto atribuído aos Irmãos Grimm

Um poderoso rei tinha, entre muitos outros tesouros, uma maravilhosa árvore em seu jardim, que a cada ano davam belas maçãs douradas. Mas o Rei nunca foi capaz de desfrutar o seu tesouro, pois ele podia vê-las e observa-las como ele gostava, mas logo que elas começavam a ficar maduros eram sempre roubadas. Finalmente, em desespero, ele enviou seus três filhos, e disse para os dois mais velhos, “Se preparem para uma viagem. Peguem ouro e prata para vocês, e um grande séqüito de servos de servos, como convém à dois nobres príncipes, e percorram o mundo até vocês descobrirem quem é que rouba a minha maçãs douradas, e, se possível, tragam me o ladrão para que possa castigá-lo como ele merece.”

Seus filhos ficaram encantados com esta proposta, porque há muito tempo eles ansiavam ver algo do mundo, de modo que eles se aprontaram rapidamente para a viagem com toda pressa, disseram adeus a seu pai, e deixaram a cidade.

 

O mais jovem príncipe estava muito desapontado que ele também não foi mandado para a viagem, mas seu pai não queria ouvir nada dele, porque ele tinha sido sempre considerado como o estúpido da família, e o Rei e tinha medo que algo acontecesse com ele. Mas o príncipe implorou tanto e tanto, que, finalmente, o seu pai concordou em deixar que ele fosse, e encheu ele de ouro e prata como ele havia feito com seus irmãos. Mas ele deu-lhe os mais miseráveis dos cavalos de seus estábulos, porque o ingênuo jovem não tinha pedido por um melhor. Assim, ele também foi enviado em sua jornada para prender o ladrão, no meio dos gracejos e risos de toda a corte e da cidade.


Sua trajetória o levou primeiro através de uma floresta, e que ele não tinha ido muito longe quando ele encontrou-se com um lobo parado enquanto ele se aproximava. O príncipe perguntou-lhe se estava faminto, e quando o lobo disse que estava, ele desceu de seu cavalo e disse: “Se você é realmente como você diz e parece, você pode pegar  meu cavalo e comê-la”

 
O lobo não esperou duas vezes, mas começou sua tarefa, e logo pôs um fim na pobre besta. Quando o Príncipe viu como o lobo parecia diferente depois de terminar a sua refeição, disse-lhe, “Agora, meu amigo, uma vez que você comeu o meu cavalo, e eu tenho esses um longo caminho a percorrer, que, com a melhor vontade do mundo, eu não poderia fazê-lo à pé, o mínimo que pode fazer por mim é fazer o papel do meu cavalo e de me levar nas costas. ”

 

“Mas claro”, disse o lobo, e, deixando o Príncipe montá-lo, ele trotou alegremente através da floresta. Depois de terem andado um pouco, ele se virou e perguntou ao seu  cavaleiro onde ele queria ir, e o Príncipe contou-lhe toda a história das maçãs douradas que tinham sido roubados do jardim do Rei, bem como seus outros dois Irmãos tinham mandados com muitos seguidores para encontrar o ladrão. Quando ele acabou a sua história, o lobo, que na realidade não era nenhum lobo, mas um poderoso mago, disse que ele talvez poderia dizer-lhe quem era o ladrão, e poderia ajudá-lo a prendê-lo. “Há tempos”, disse ele, “em um país vizinho, um poderoso imperador, tem um belo pássaro em uma gaiola dourada, e esta é a criatura que rouba as maçãs douradas, mas ele voa tão rápido que é impossível flagrá-la roubando. Você deve entrar no palácio do Imperador durante a noite e roubar o pássaro com a gaiola; mas tenha muito cuidado para não tocar as paredes enquanto sai.”

 

A noite seguinte o príncipe entrou no palácio do Imperador, e encontrou o pássaro na sua gaiola como o lobo havia dito a ele que seria. Ele teve de segurar com cuidado, mas, apesar de toda a sua cautela ele tocou a parede na tentativa de passar por alguns sentinelas adormecidos. Eles os acordou de uma só vez, e,  cercando-o, bateram nele e o puseram a ferros. No dia seguinte ele foi conduzido até o Imperador, que o condenou à morte e a ser jogado em um calabouço escuro até o dia da sua execução chegar.
 
 

 

O lobo, que, naturalmente, soube com a sua arte mágica tudo o que tinha acontecido com o príncipe, transformou-se em um poderoso monarca com um grande comboio de seguidores, e rumou para a Corte do Imperador, onde foi recebida com pompa. O Imperador e ele conversaram sobre muitos assuntos, e, entre outras coisas, o estranho perguntou se ele tinha muitos escravos. O Imperador disse-lhe que ele tinha mais do que ele saberia o que fazer com ele, e que um novo, que havia sido capturado aquela noite por tentar roubar sua ave mágica, mas que, como ele já tinha muitos para alimentar e cuidar, este cativo seria enforcado na manhã seguinte.

 

“Ele deve ter sido um ladrão dos mais ousados”, disse o Rei, “para tentar roubar a ave mágica, pois essa criatura deve estar muito bem guardada. Gostaria realmente de ver esse pilantra perigoso”. ‘Com toda a certeza”, disse o Imperador, e ele conduziu seu hóspede até ao masmorras onde o infeliz Principe era mantido prisioneiro. Quando o Imperador saiu da cela com o Rei, o último virou-se para ele e disse, ‘Ó poderoso imperador, estou muito decepcionado. Eu tinha pensado em encontrar um poderoso meliante e, em vez disso vi a mais miserável criatura que poderia imaginar. Enforcá-lo é demasiado bom para ele. Se eu tivesse condenado ele eu o faria executar a mais difícil das tarefas, sob pena de morte. Se ele fizer isso tanto melhor para ele, senão, iria ser como é agora e ele ainda podia ser enforcado. ” ‘Seu conselho “, disse o imperador,” é excelente, e, como acontece, eu tenho uma coisa para ele fazer. Meu vizinho mais próximo, que é também um poderoso imperador, possui um excelente cavalo que ele guarda muito cuidadosamente. Será dito ao preso para roubar este cavalo e trazê-lo para mim.”

 

O príncipe foi solto de sua prisão, e dito a ele que a sua vida seria poupada se ele conseguisse trazer o cavalo dourado para o Imperador. Ele disse não se sentiu muito entusiasmado com este anúncio, pois ele não sabia como no mundo ele iria realizar sua missão, e ele começou a chorar amargamente no caminho, se perguntando o que tinha feito ele sair da casa de seu pai e do seu reino. Mas antes que ele tivesse ido longe seu amigo, o lobo se postou diante dele e disse “Caro Príncipe, por que você está tão cabisbaixo? É verdade que você não conseguiu apanhar o pássaro, mas não deixe que isso desencoraje você, por que agora você será tanto mais cuidadoso, e sem dúvida vai pegar o cavalo.” Com estas palavras, como o lobo confortou o Príncipe, e advertiu-o especialmente para não tocar na parede ou deixe o cavalo tocá-la como ele fez, ou ele iria falhar, da mesma forma que ele havia feito com a ave.

 

Depois de uma viagem mais ou menos demorada o Príncipe e o lobo chegaram ao reino governado pelo Imperador, que possuía um cavalo dourado. Tarde da noite eles chegaram à capital, e o lobo avisou o Príncipe para começar a tarefa logo, antes da sua presença na cidade suscitasse a vigilância dos guardas. Eles entraram despercebidos no estábulo do Imperador e no local onde estavam a maioria dos guardas, o lobo deduziu que justamente lá eles iriam encontrar o cavalo. Quando eles chegaram a um certa porta externa o lobo disse o Príncipe para permanecer do lado de fora, enquanto ele entrava. Em pouco tempo ele retornou e disse:

 

 “Meu caro Principe, o cavalo é totalmente vigiado, mas enfeiticei todos os guardas, e  você vai apenas ter cuidado para não tocar na parede, ou deixe o cavalo toca-la quando saírem, não há perigo e o jogo é seu.” O príncipe, que tinha botado na cabeça para ser mais cauteloso desta vez, foi alegremente para o trabalho. Ele encontrou todos os guardas totalmente adormecidos, e, adentrando a cocheira do cavalo, ele o conduziu pelo cabresto e levou-o para fora, mas, infelizmente, antes que eles tivessem saído dos estábulos uma mosca picou o cavalo e fez ele balançar sua cauda, que tocou a parede. Num instante todos os guardas acordaram, cercaram o príncipe e bateram nele sem piedade com seus chicotes, depois o puseram em corrente e o jogaram na masmorra. Na manhã seguinte, eles trouxeram-lhe diante do Imperador, que o tratou exatamente como o rei da ave dourada tinha feito, e lhe ordenou que fosse decapitado no dia seguinte.

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