Arquivo da categoria: Memórias

Morte

A morte é um assunto que não sai da cabeça de todos nós. Dia desses, uma senhora conhecida minha falou sobre o marido dela, após lhe perguntar: “Como ele está?”, ela respondeu “ih, ele está viajando!…”… Quanta não foi minha supresa, pois sabia que ele tinha uma doença muito grave.

Após alguns minutos, vendo minha cara de espanto, ela explicou melhor: “ele já está viajando de volta! Ele está relembrando os amigos, as viagens que fez, quando ele trabalhava no barco. Passa o dia inteiro gritando pra fulano e cicrano fazer algo no navio…”

Fiquei sem ação, primeiro, por não ter percebido logo o que ela quis dizer, segundo, ela contou de um jeito tão despreocupado, tão calmo… Acho que ela já está conformado por ele estar se preparando para sua última viagem, de volta ao tempo em que ele era um jovem marujo.

Fiquei pensando muito sobre isso. A morte sempre desconcerta a gente. Ficamos meio sem ação. Pelo menos eu fico. Fico pensando em quanto a morte realmente se parece uma última viagem. E sabe, mesmo sendo triste, acho meio poético que ele esteja partindo desse jeito. Pelo menos ela falou que ele parece realmente feliz.

Afinal tudo isso é ainda um mistério para nós que ainda não estamos fazendo nossa própria viagem.

Encontrei isso num site e de repente achei que tinha a ver com o que andava matutando…

Morte

Fonte: O Talmud: Seleções, por H. Polano, [1876].
O homem nasce com mãos fechadas, ele morre com as mãos abertas. Em vida ele deseja agarrar tudo, deixando o mundo, tudo o que possuía desaparece.

O homem se parece com uma raposa; como uma raposa vendo um bela videira e desejando seus frutos. Mas cercas foram colocadas e a raposa era muito grande para rastejar entre elas.  Por três dias ela jejuou e, quando ela emagreceu entrou na vinha.  Ela deleitavam-se as uvas, esquecendo o dia de amanhã, e de todas as coisa, e eis que ela tinha engordado novamente e foi incapaz de deixar a cena de seu festim.  Então, por mais três dias ele jejuou e, quando ele tinha emagrecido bastante, ela passou pelo cerca e saiu da vinha, magra como quando ele entrou.

Assim é o homem,  pobre e nu, ele entra no mundo, pobre e nu ele sai.

Muito expressiva é uma lenda tecida em torno do nome de Alexandre.

Ele vagou até os portões do Paraíso e bateu na  entrada.

“Quem bate?” gritou o anjo da guarda.

“Alexandre”.

“Quem é Alexandre? ”

“Alexandre – o Alexandre – Alexandre, o Grande. – O conquistador do mundo”

“Nós não o conhecemos”, respondeu o anjo, “esta é a porta do Senhor, e somente os justos entram aqui.”

Alexandre pediu alguma coisa para provar que ele realmente estava às portas do Paraíso, e um pequeno pedaço de um crânio foi dado a ele.  Ele mostrou para os seus sábios, que o colocou em uma balança.  Alexandre derramou ouro e prata na balança, mas o pequeno osso era mais pesado, ele teve de encher com mais coisas, acrescentando jóias de sua coroa, seu diadema, mas ainda assim o osso superado em peso a toda a riqueza.  Então, um dos homens sábios, pegandondo um grão de poeira do chão colocou de cima do osso, e eis que a balança mexeu.

O osso é o que rodeia os olhos do homem, aqueles que nunca se satisfazem a não ser quando a poeira cobre os olhos do homem em sua cova.

A vida é uma sombra que passa, dizem as Escrituras. A sombra de uma torre ou uma árvore. A sombra dura para sempre? Não, assim como a sombra de um pássaro em vôo, ela some de nossa visão, e nem pássaro nem sombra permanecem.

http://www.sacred-texts.com/jud/pol/pol32.htm

Anúncios

A Cobra D´água

Lagoa

Era uma vez uma senhora que tinha uma filha, uma dia a garota desceu à lagoa para tomar banho com outras meninas. Elas se despiram e caíram na água. Então uma cobra surgiu e se escondeu em suas roupas. Depois de um tempo, todas saíram, e começaram a se vestir, bem como a filha da anciã, mas quando ela quis botar as roupas descobriu a cobra deitada sobre elas. Ela tentou se livrar do animal, mas ele agarrou as roupas e não se moveu. Então, a serpente disse: “Se você casar comigo,  devolvo suas roupas.”

Ela não estava nem um pouco inclinada a se casar com ele, mas as outras meninas disseram, “Como se fosse possível você se casar com ele! Diga que vai!”

Então ela disse: “Muito bem, caso.” Então, a serpente largou as roupas e foi direto para a água. A menina vestiu-se e foi para casa. E logo que ela chegou lá, ela disse à sua mãe, “Mãe! Mãe! Aconteceu isso e isso, e então uma serpente pegou minhas roupas e disse: ´Case comigo ou não vou deixar você mudar suas roupas!´ e eu disse: “Caso!”

“Que besteira você está dizendo, sua bocó! Como se fosse possível você casar com uma cobra!” E assim tudo voltou ao normal e o assunto foi esquecido.

Uma semana se passou por, e um dia elas viram muitas cobras, como nunca tinham visto antes, uma enorme tropa se arrastando até a casa delas. “Ah, mãezinha! Salve-me! Salve-me!” chorava a menina e sua mãe bateu a porta e barrou a entrada o mais rapidamente possível. As cobras correram até a entrada, mas a porta foi fechada. Elas teriam corrido até a fresta, mas essa foi fechada também. Então, em um momento elas se enrolaram até formar uma bola, se arremessaram contra a janela, que foi feita em pedaços e formaram um só corpo que entrou na sala. A menina chegou junto ao fogão, mas eles a seguiram, se arrastaram para baixo dela, a puxaram para fora da casa, atravessando as portas. Sua mãe correu atrás dela, chorando como louca.

Elas levaram a menina até a lagoa e mergulharam direto na água com ela. E lá se transformaram em homens e mulheres. A mãe permaneceu durante algum tempo sobre o dique, lamentou-se um pouco, e depois foi para casa.

Três anos passaram. A moça vivia lá e tinha dois filhos, um filho e uma filha. Agora ela frequentemente pedia ao seu marido para que deixar ela ir ver a mãe. Então, finalmente, um dia em que ele levou ela até a superfície da água, e a deixou em terra. Mas ela perguntou-lhe antes de sair ele, “O que devo dizer quando quiser que você venha?”

“Diga, ´Osip, [Joseph] Osip, vem aqui! ” E eu virei “, ele respondeu.

Então ele mergulhou novamente debaixo de água, e ela foi ver a mãe, carreganda a menina no seu braço e levando seu menino pela mão. Logo saiu a mãe para recebê-la. Ela ficou tão feliz por vê-la!

“Bom dia, mãe!” Disse a filha.

“Você está bem, vivendo lá embaixo?” Perguntou a mãe.

“Muito bem, mãe. Minha vida lá é melhor do era aqui.”

Eles sentaram e conversam um pouco. Sua mãe tinha o jantar pronto para ela, e ela jantou. “Qual é o nome do seu marido?” Perguntou a mãe.

“Osip”, ela respondeu.

“E como é que vocês vão voltar para casa?”

“Vou ir à represa, e aí chamo: ” Osip, Osip, vem aqui! ” E ele vai vir.”

“Deite um pouco, filha, e descanse”, disse a mãe.

Assim, a filha deitou e dormiu. A mãe imediatamente pegou um machado e o amolou, descendo até a represa com ele. E quando ela chegou, começou a chamar: “Osip, Osip, vem aqui!”

Nem bem Osip mostrou sua cabeça a velha mulher pegou o machado e cortou ela fora. E água do lago ficou escura com o sangue.

A anciã foi para casa. E quando a velha chegou, sua filha acordou. “Ah! Mãe”, diz ela, “Estou ficando cansada de ficar aqui, quero voltar para minha casa.”

“Durma esta noite aqui, filha; talvez você não tenha outra chance de ficar comigo.”

Assim, a filha resolveu passar a noite ali. Pela manhã ela acordou e sua mãe aprontou um pequeno lanche para ela. Ela comeu e em seguida disse adeus para a mãe e foi embora, carregando sua menina em seu braço, enquanto o menino seguiu atrás dela. Ela chegou à represa e gritou: “Osip, Osip, vem aqui!”

Ela chamou e pediu, mas ele não veio. Então ela olhou para a água e lá viu uma cabeça flutuando. Então ela adivinhou o que tinha acontecido.

Ai! Minha mãe o matou! ” Ela chorava.

Lá na margem ela chorou e lamentou. E em seguida, para sua filhinha ela gritou “Voe como uma andorinha, agora e para sempre!”

E o seu menino chorava com ela, “Voe como uma cotovia, meu menino, agora e para sempre!”

“Mas eu”, disse ela, “voarei como um cuco, chorando “Cuckoo!” Agora e para sempre!

Fonte:

http://www.pitt.edu/~dash/water.html#WaterSnake

Livro: W. R. S. Ralston, Russian Folk-Tales (London, 1873), pp. 116-118. Ralston’s source: A. A. Erlenvein

Eita que esse site é uma bagunça!!!

Finalmente decide-me (isso está correto???) o que fazer com esse blog… Vou tratar de esquecer a audiência e postar aqui as lendas que encontrar pelo caminho da Net. Tem o site Sacred Texts. Manterei o site em inglês para as lendas amazônidas, que pretendemos ilustrar sempre que puder.

Afinal, não se pode desistir de um sonho. Percebi, ao conversar com um colega, que muita gente gosta de lendas. Existem sites especializados, em inglês, mas nem todos podem ter acesso a essa informação. Talvez cite quadrinhos, ainda não foi decidido.

Então, humildemente, vou tentar traduzir algumas coisas. Vale a pena, mesmo que fique somente para nós mesmos ler.