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A Raposa e o Tanuki

Muito, muito tempo atrás, uma raposa encontrou um tanuki.

“Como vai tudo, Tanu-kun? Quando se trata de transformação nós dois somos os melhores do mundo, mas eu imagino quem seria o número um, eu ou vocêf?”

O tanuki não respondeu, mas apenas apontou para o próprio peito.

“O que você quer dizer? Você acha que você é o melhor transformador?”

“Isso é certo”, disse o tanuki. Então, eles decidiram ter um concurso de metamorfose.

Uma vez que foi decidido, a raposa não perdeu tempo. “Se eu não superar esse tanuki metido”, pensou a raposa, “será uma vergonha para a fama das raposas.”

Só então a raposa notou uma pedra memorial em pé ao lado da estrada. Assim, a raposa ficou bem próximo a ela e se transformou em uma estátua de Jizo-sama.

Nenbutsu-ji_jizo_and_Tanuki

Estátua de Jizo no templo de Nenbutsu em Kyoto : http://www.otagiji.com/

Em pouco tempo, o tanuki apareceu. Este tanuki tinha um hábito curioso – sempre que via Jizo-sama, ele ficava com fome e comia o almoço que ele estava carregando. Neste dia não foi diferente.

“Meu Deus, eu estou com tanta fome. Acho que vou almoçar.”

O tanuki pegou o almoço que ele estava carregando em suas costas e tirou alguns bolinhos de arroz. Ele colocou um diante de Jizo-sama como oferenda, e inclinou a cabeça.

Talvez ele tivesse orado “que a raposa será vencida no concurso de transformação.” Mas, quando ele levantou a cabeça e abriu os olhos, foi pego de surpresa. O bolinho de arroz que ele tinha oferecido não estava mais lá. Isso foi estranho. Pensando nisso, ele se perguntou se talvez ele realmente não tivesse feito a oferta. Então ele com muito cuidado colocou outro bolinhol em frente à estátua de Jizo-sama. Ele abaixou a cabeça, orou “Namu Amida Butsu, Namu Amida Butsu” e levantou a cabeça imediatamente. O quê? O bolinho tinha sumido!

“Isso não está certo!”

O tanuki colocou mais um bolo de arrozna frente de Jizo-sama, disse rapidamente: “Namu Amida -” e levantou a cabeça antes que pudesse sequer ter a certeza que ele tinha realmente abaixado. O que ele viu foi Jizo-sama com um bolinho de arroz meio comido em uma das mãos.

“Ei!” o tanuki gritou, e agarrou o braço de Jizo-sama. O que havia sido Jizo-sama voltou à sua forma habitual, a raposa.

“O que é tudo isso, Kitsune-san?” perguntou o tanuki.

“Agora é a sua vez”, respondeu a raposa. O tanuki pensou por um momento, e levou de volta o que restava do bolinho antes de falar.

“Cerca de meio dia de amanhã eu me transformar no senhor do castelo e passar por aqui, e então olhar de perto.”

E assim, a raposa ficou esperando lá no dia seguinte. Finalmente, ele viu a procissão do senhor vindo em sua direção.

Primeiro vieram os varredores gritando “Abaixo! Todo mundo no chão!” Depois disso veio uma longa fila de samurai, e, em seguida, a liteira em que o senhor estava sentado. A raposa estava cheio de admiração, e correu para a liteira do senhor, sem sequer pensar mudar para a forma humana.

“Senhor Tanu, senhor Tanu”, ele chamou, “você me venceu.”

No entanto, a procissão não era uma transformação do tanuki, e sim uma procissão de verdade. E assim, um dos samurais carregando um grupo correu para a raposa. A surra que raposa levou foi severa. E de verdade.

http://wabei4.tripod.com/xlation/quilt/tanufox.htm

http://www.furinkan.com/uy/faq/references/kitsuki.htm

http://hyakumonogatari.com/category/tanuki-stories/

http://www.onmarkproductions.com/html/tanuki.shtml

http://www.obakemono.com/obake/tanuki/

http://www.obakemono.com/obake/kitsune/

http://www.yamasa.org/acjs/network/portugues/newsletter/things_japanese_19.html

http://madeinjapan.uol.com.br/2009/09/20/jizo-o-guardiao-das-criancas/

http://shinjinka-acosmologiadosutradoltus.blogspot.com.br/2013/03/ksitigarbha-bodhisattva-um-simbolo-de.html


Nota:

A  oração Amida Butsu é amplamente ensinada por ser universalmente eficazes, e também tem a vantagem de ser curto. Isso é útil em um caso como este, quando a pessoa precisa rezar não tem nada de especial para pedir.

O Goblin de Adachigahara

Oni - Goblin Japonês

Oni - Goblin Japonês

Muito, muito tempo atrás, havia uma grande planície chamada de Adachigahara, localizada na província de Mutsu no Japão. Dizem que este lugar era assombrado por um goblin canibal que tomou a forma de uma anciã. De tempos em tempos, muitos viajantes desapareciam e nunca mais se ouvia falar, e as mulheres idosas contavam estórias ao redor da foguerira à noite, e as moças que lavavam o arroz recém-colhido nos poços de manhã, sussurravam estórias horríveis de como pessoas desaparecidas tinham sido atraídas para a cabana do goblin e devorados, porque ele vivia apenas de carne humana. Ninguém se atrevia a passar perto do local assombrado depois do pôr-do-sol, e todos aqueles que podiam, o evitavam também de dia, e todos os viajantes eram avisados do terrível lugar.

Um dia, o sol estava se pondo, e um monge atravessava a planície. Ele era um viajante tardio, e seu manto mostrava que ele era um peregrino budista viajando a pé´de santuário a  santuário para rezar por uma bênção ou para alcançar o perdão dos pecados.  Ele tinha aparentemente perdido o seu caminho, e como já era tarde ele não encontrou ninguém que pudesse lhe mostrar a estrada ou avisá-lo do local assombrado. Ele tinha andado o dia inteiro e agora estava cansado e com fome, e as noites eram frias, pois era o final do Outono, e ele começou a ficar muito ansioso para encontrar alguma casa onde ele pudesse conseguir passar a noite. Ele se encontrou perdido no meio da vasta planície, e olhou em volta, em vão por algum sinal de habitação humana.
Finalmente, depois de perambular por algumas horas, ele viu um grupo de árvores à distância, e através das árvores, avistou o brilho de um único raio de luz. Ele exclamou com alegria:

“Oh, certamente que é uma casa de campo onde eu poderei conseguir hospedagem por uma noite! ”

Mantendo a luz diante de seus olhos, ele arrastou o seu pés cansados e doloridos tão rapidamente como podia para cehgar ao local, e logo chegou a uma casinha miserável.  Quando chegou perto, viu que estava em uma condição muito rium, a cerca de bambu estava quebrado e as ervas daninhas e a grama invadiam tudo através das aberturas. As divisórias de papel, que servem como janelas e portas no Japão, estavam cheias de buracos, e os postes da casa estvam dobrados com a idade e parecia pouco capaz de sustentar o telhado.  A cabana estava aberta, e se via uma velha ancião fiando à luz  uma lanterna velha.

O peregrino a chamou do outro lado da cerca de bambu e disse:

“Baa San (anciã), boa noite! Eu sou um viajante! Por favor me perdoe, mas eu perdi o meu caminho e não sei o que fazer, pois não tenho aonde descansar à noite. Peço-lhe para ser boa o suficiente para me deixar passar a noite sob seu teto. ”

A velha, logo que ela ouviu, parou de fiar, levantou-se da cadeira e aproximou-se do intruso.

“Eu estou muito triste por você. Você deve realmente estar aflito por ter perdido o seu caminho em um lugar tão solitário tão tarde da noite. Infelizmente eu não posso abrigar você, porque eu não tenho cama para lhe oferecer, e nem qualquer tipo de acomodação para um convidado neste lugar pobre! ”

“Oh, isso não importa”, disse o monge;. “Tudo que quero é um abrigo sob algum teto para a noite, e se você for generosa o suficiente apenas para me deixar deitar no chão da cozinha serei grato, estou cansado demais para andar à noite, então eu espero que você não recuse, caso contrário vou ter que dormir na planície gelada.

“E deste modo ele pressionou a velha mulher a deixá-lo ficar. Ela parecia muito relutante, mas finalmente ela disse:

“Muito bem, eu vou deixar você ficar aqui. Ofereço-lhe só uma boas-vindas muito pobre, mas entre agora e vou fazer uma fogueira, pois a noite é fria.”

O peregrino estava muito feliz de fazer o que lhe foi dito. Ele tirou as sandálias e entrou na cabana. A velha, em seguida, trouxe alguns pedaços de madeira e acendeu o fogo, e ordenou que seu convidado se aproximasse para se aquecer.

“Você deve estar com fome depois de sua longa caminhada”, disse a velha. “Eu irei e cozinhar uma ceia para você.” Ela então foi para a cozinha
para cozinhar arroz.

Depois que o monge tinha acabado o jantar, a velha sentou-se junto da lareira, e eles conversaram por um longo tempo. O peregrino pensou que tinha tido muita sorte para encontrar tal ancião tão bondosa e hospitaleira.  Logo a madeira acabou, e com isso o fogo morreu lentamente e ele começou a tremer de frio tal como tinha feito quando ele chegou.

“Vejo que você está com frio”, disse a velha, “vou sair e juntar lenha, pois nós usamos tudo. Você deve ficar e cuidar da casa enquanto estou fora.”

“Não, não”, disse o peregrino, “deixe-me ir em seu lugar, pois você está velha, e eu não consigo pensar em deixá-la sair para catar madeira para mim nesta  noite! ”

A velha abanou a cabeça e disse:

“Você deve ficar aqui tranquilo aqui, pois você é meu convidado.” Então, ela o deixou e saiu.

Em um minuto ela voltou e disse:

“Você deve sentar-se onde você está e não se mover, e aconteça o que acontecer, não se aproxime ou olhe para o interior da sala. Agora, preste atenção ao que eu digo!”

Se você me disser para não chegar perto do quarto dos fundos, claro que eu não vou “, disse o monge, perplexo.

A velha, em seguida, saiu novamente, e o monge foi deixado sozinho. O fogo havia acabado, e a única luz na cabana era de uma pequena lanterna. Pela primeira vez naquela noite, ele começou a sentir que estava em um lugar estranho, e as palavras da velha: “O quer que faça, não abelhude o
no quarto dos fundos “, despertou sua curiosidade e medo.

Que coisa poderia estar escondida nesse quarto que ela não queria que ele visse? Por algum tempo, a lembrança de sua promessa para a velha
o conteve, mas no final ele já não podia resistir à sua curiosidade de espreitar o lugar proibido.

Ele se levantou e começou a se mover lentamente em direção ao quarto dos fundos. Então o pensamento que a velha ficaria muito irritada com ele se ele desobedecesse o fez voltar ao seu lugar junto à lareira.

Conforme os minutos foram passando devagar e a velha não voltasse, ele começou a sentir cada vez mais assustado, e a se perguntar qual o terrível segredo estava no quarto dos fundos.  Ele deveria descobrir.

“Ela não vai saber que eu olhei a menos que eu diga a ela. Vou apenas dar uma olhadela antes que ela volte”, pensou com ele mesmo.

Com essas palavras, ele se levantou sobre os pés (pois ele estava sentado o tempo todo na moda japonesa, com os pés debaixo dele) e furtivamente se arrastou para o local proibido. Com tremor nas mãos, ele empurrou para trás a porta de correr e olhou para dentro e o que ele viu fez o sangue gelar nas veias. O quarto estava cheio de ossos de mortos e paredes e o chão estavam salpicados e cobertos de sangue humano.

Em um canto crânio após crânio subiam até o teto, em outro estava um amontoado de ossos de braços, no outro um monte de ossos da perna. O cheiro nauseante o fez desmaiar. Ele caiu para trás com horror, e por algum tempo ficou imóvel assustado no chão, uma visão triste. Tremia todo e seus dentes batiam, e ele mal pode se arrastar para longe do terrível lugar.

“Como é horrível!” ele gritou. “A que terrível lugar eu cheguei nas minhas viagens? Possa Buda me ajudar ou eu estarei perdido. É possível que
essa boa e velha mulher é realmente um goblin canibal? Quando ela voltar, ela irá mostrar sua verdadeira aparência e comer-me de uma so vez! ”

Com estas palavras, a força dele voltou para ele e, agarrando o chapéu e bagagem, ele correu para fora de casa tão rápido quanto suas pernas podiam levá-lo. Pela noite afora ele corria, seu único pensamento era chegar o mais longe que podia da presença do goblin. Ele não tinha ido muito longe quando ouviu passos atrás dele e uma voz gritando: “Pare! Pare!”

Ele correu redobrando a velocidade, fingindo não ouvir. Enquanto corria, ouviu passos atrás dele vindo cada vez mais perto e perto, e e finalmente, ele reconheceu a voz da anciã, que ficava cada vez mais alto, à medida que ela se aproximava.

“Pare! Pare, você homem ímpio, por que você olhou para o quarto proibido?”

O padre esqueceu completamente como ele estava cansado e seus pés sobrevoaram o solo mais rápido do que nunca. O medo lhe deu força, pois sabia que, se o goblin o pegasse logo seria uma de suas vítimas. Com todo o seu coração, ele repetiu a oração a Buda:

Namu Amida Butsu, Namu Amida Butsu”.

E logo ele deixou a terrível bruxa para trás, os cabelos voando ao vento, e seu rosto mudando com raiva para o demônio que ela era.
Na mão levava uma grande faca manchada de sangue, e ela ainda gritou atrás dele: “Pare! Pare!”

Enfim, quando o padre sentia que podia não correr mais, o amanhecer surgiu, e com ela a escuridão da noite e o goblin desapareceram e ele estava seguro.

O monge já sabia que ele tinha encontrado o Goblin de Adachigahara, a história de quem tinha ouvido muitas vezes, mas nunca acreditou ser verdade.

Ele achava que ele devia sua fuga maravilhosa à proteção de Buda a quem ele orou pedindo ajuda, então ele tirou o rosário e curvando sua cabeça enquanto o sol nascia, ele disse as suas orações e fez o seu agradecimento com sinceridade. Ele, então, peregrinour para outra parte do país, apenas muito feliz de deixar a planície assombrada por trás dele.

fonte: OZAKI, Yei Theodora. Japanese Fairy Tales, 1908.

http://www.archive.org/stream/japanesefairytal04018gut/jpnft10.txt

Links:

http://en.wikipedia.org/wiki/Goblin

http://japanese.about.com/library/weekly/aa110400.htm

http://japanese.about.com/library/weekly/aa102800.htm

O Gato Vampiro

Blackcat-Lilith. Encontrada ainda filhote no estacionamento de um supermercado.

O Príncipe de Hizen, um distinto membro da família Nabeshima, permaneceu no jardim com Otoyo, a favorita entre as suas concunbinas. Quando o sol se pôs se retiraram para o palácio, mas não conseguiram perceber que eles estavam sendo seguidos por um grande gato(1).

Otoyo foi para seu quarto e dormiu. À meia-noite, ela acordou e olhou sobre ela, como se de repente percebesse alguma presença horrível no quarto.  Finalmente viu, agachado bem ao seu lado, um gato gigante, e antes que ela pudesse gritar por ajuda o animal pulou em cima dela e a estrangulou.  O animal, em seguida, fez um buraco sob a varanda, enterrando o cadáver, e assumiu a forma da bela Otoyo.

O príncipe, que não sabia nada do que havia acontecido, continuou a ficar com a falsa Otoyo, sem saber que na realidade ele estava acariciando um animal imundo.  Ele percebeu,  pouco a pouco, que sua força falhava,  e não demorou muito para que ele se tornou perigosamente doente.  Médicos foram chamados, mas nada podiam fazer para curar o paciente real. Foi observado que ele sofria mais durante a noite, e era perturbado por sonhos horríveis.  Sendo assim, seus conselheiros dispostos de uma centena de servos deveriam sentar-se com o seu senhor e vigiar enquanto ele dormia.

O grupo foi então para a enfermaria, mas um pouco antes das dez horas,  foram acometidos de uma misteriosa sonolência. Quando todos os homens estavam dormindo a falso Otoyo se arrastou para o apartamento e perturbou o príncipe até o amanhecer.  Noite após noite os observadores vinham para guardar o seu mestre, mas sempre dormiam na mesma hora, e mesmo três conselheiros fiéis tiveram uma experiência semelhante.

Durante este tempo o estado do príncipe se agravou, e finalmente um sacerdote chamado Ruiten foi nomeado para orar em seu nome. Uma noite, enquanto ele estava envolvido em suas súplicas, ele ouviu um barulho estranho vindo do jardim. A o olhar pela janela, viu um jovem soldado se lavando.  Quando ele tinha terminou, ele se dirigiu até uma imagem de Buda, e se ajoelhando, orou  fervorosamente para a recuperação do príncipe.

Ruiten, feliz de encontrar tal zelo e  lealdade, convidou o jovem a entrar em sua casa, e quando ele entrou,  perguntou seu nome.

“Eu sou Ito Soda”, disse o jovem “, e sirvo na infantaria de Nabeshima. Ouvi da doença de meu senhor e esperava para ter a honra de cuidar dele, mas sendo de baixo escalão, não posso estar em sua presença.  Tenho, porém, orado ao Buda para que a vida de meu senhor seja poupado. Acredito que o Prince de Hizen está enfeitiçado, e se eu pudesse ficar com ele eu faria meu melhor para encontrar e destruir o poder maléfico que é a causa de sua doença. ”

Ruiten estava tão positivamente impressionado com estas palavras que ele foi no dia seguinte se consultar com um dos conselheiros, e após muita discussão, ficou acertado que Ito Soda deve vigiar com as centenas de observadores.

Quando Ito Soda entrou no apartamento real, viu que seu mestre dormia no meio da sala, e ele também observou os cem observadores sentados na câmara conversando tranquilamente, na esperança de que eles seriam capazes de afastar a sonolência que se aproximava. Por volta das dez horas todos eles, apesar de seus esforços, tinham adormecido.

Ito Soda tentou manter os olhos abertos mas o peso das pálpebras foi gradualmente superando-o, e ele percebeu que se quisesse manter acordado ele teria de recorrer a medidas extremas. Após espalhar cuidadosamente papel de seda sobre as esteiras que ele enfiou a adaga em sua coxa.  A dor aguda que sentiu repeliu o sono por um tempo, mas ele acabou fechando os olhos mais uma vez.  Decidido a superar a magia que se revelou demasiada para os servos, torceu a faca na coxa e, consequentemente, aumentou a dor e manteve a sua vigília leal, enquanto o sangue escorria continuamente sobre o  papel.

Enquanto Ito Soda observava, ele viu as portas corrediças abrindo-se e uma linda mulher deslizando suavemente para dentro do cômodo.  Com um sorriso ela notou os servos dormindo, e estava prestes a abordar o príncipe quando ela observou Ito Soda.  Depois que ela lhe falou rispidamente,  ela se aproximou do príncipe e perguntou como ele estava,  mas o príncipe estava muito doente para lhe responder.  Ito Soda prestou atenção a cada movimento,  e acreditava que ela tentava enfeitiçar o príncipe, mas ela sempre era frustrado em seu propósito ruim por cauda dos olhos atentos de Ito Soda, e finalmente ela foi obrigada a se retirar.

Pela manhã os servos acordaram, e ficaram cheios de vergonha quando eles perceberam que  Ito Soda manteve seu vigília. Os altos conselheiros elogiaram a lealdade e o espírito empreendedor do jovem soldado, e ele foi ordenado a manter sua observação novamente naquela noite.  Ele fez isso, e mais uma vez a falsa Otoyo entrou na enfermaria e, como na noite anterior, ela foi obrigada a recuar, sem ser capaz de lançar um feitiço sobre o príncipe.

Foi descoberto que sempre que o fiel Soda mantinha guarda, o príncipe era capaz de obter um repouso tranquilo, e, além disso, ele começou a ficar melhor, poius a falsa Otoyo, tendo sido frustrada em duas ocasiões, já estava afastada por completo, e o guarda não era mais afetado pelo sono misterioso.  Soda, impressionado com essas circunstâncias estranhas, foi até um dos conselheiros e informou que a chamada Otoyo era um duende de alguma espécie.

Naquela noite Soda planejou ir ao quarto da criatura e tentar matá-la, organizando que, no caso, ela dela escapar deveria haver oito servos do lado de fora esperando para capturá-la e a despachando de imediato.

À hora marcada Soda foi ao apartamento da criatura, fingindo que tinha uma mensagem do príncipe.

“Qual é a mensagem?”  perguntou a mulher.

“Por favor, leia esta carta”,  respondeu Soda,  e com estas palavras ele sacou sua adaga e tentou matá-la.

A falsa Otoyo pegou uma alabarda e tentou atacar seu adversário. Golpe seguido de golpe, mas finalmente perceber que fugir iria servi-la melhor do que lutar, ela jogou fora sua arma, e em um momento a bela donzela se transformou em um gato e saltou para o telhado.  Os oito homens esperavam lá fora em caso de emergência para atirar no animal, mas a criatura conseguiu enganá-los.

O gato correu a toda velocidade para as montanhas, e causou problemas entre as pessoas que viviam nas redondezas, mas foi morto durante uma caçada ordenada pelo príncipe de Hizen.

O príncipe ficou bom novamente, e Ito Soda recebeu a honra e recompensa que ele tanto merecia.

* Fonte: F. Davis Hadland, mitos e lendas do Japão. (London: Harrap GG and Company, 1913).

* Esta lenda é também registrada na AB Mitford, Contos do Japão Antigo (London: Macmillan and Co., 1871), v. 2.

Nota:

(1) A idéia de um gato sugando a energia vital de um ser humano foi contado no filme “Olhos de Gato” de 1985. Três estórias de suspense se desenrolam, enquanto um gato “passa” por elas, tentando chegar a sua casa. No caso,  o filme desenvolve a idéia de que gatos são seres sinistros e que podem sugar a energia vital de seres humanos, enquanto eles dormem, principalmente de criancinhas. Porém, até o momento não achei muita referência a essa lenda de que gatos sugam a “vida” de humanos, com exceção é claro, desse conto japonês.

Sites:

http://siteantigo.bocadoinferno.com/artigos/olhosdegato.html

http://pio.tripod.com/magicpaw/catmyths.html

A Noiva das Neves

"Faces of the Goddess" Series February 2008, arte de Portia StLuke

Mosaku e seu aprendiz Minokichi viajavam para uma floresta, a pouca distância de sua aldeia.  Era uma noite tremendamente fria, e quando eles pensaram que seu destino se aproximava, eles viram um raicho à sua frente.  Eles queriam atravessar o rio, mas o barqueiro tinha ido embora, deixando o barco do outro lado do rio, e como o tempo estava muito ruim para que eles pudesseram atravessar o rio a nado,  eles ficaram satisfeitos em se abrigar na pequena cabana do barqueiro.(1)

Mosaku adormeceu quase imediatamente assim que entrou este abrigo humilde, mas bem-vindo.  Minokichi, no entanto, ficou acordado por um longo tempo ouvindo o silvo da neve e o uivo do vento, que batia de encontro à porta.

Minokichi finalmente adormeceu, mas logo foi despertado por uma chuva de neve caindo em seu rosto. Ele descobriu que a porta tinha sido aberta, e que de pé na sala estava uma linda mulher em brilhantes roupas brancas.  Por um momento ela ficou assim, em seguida, ela inclinou-se Mosaku, sua respiração soprando como uma névoa branca.  Depois se inclinar sobre o ancião por um ou dois minutos, ela voltou sua atenção para Minokichi e pairou sobre ele.  Ele tentou gritar, mas o hálito da mulher era como um sopro de vento frio. De repente, ela disse que  tinha a intenção de fazer com ele o que fizera com o velho ao seu lado, mas desistiu por causa de sua juventude e beleza.  Ameaçando Minokichi com morte instantânea, se ele se atrevesse a mencionar a alguém o que tinha visto, ela desapareceu.

Então Minokichi chamou seu amado mestre:  “Mosaku, Mosaku, acorde! Algo muito terrível aconteceu!” Mas não houve resposta. No escuro, ele tocou a mão de seu mestre e descobriu que era como um pedaço de gelo.  Mosaku estava morto!

Durante o inverno seguinte, quando Minokichi estava voltando para casa, ele teve a chance de conhecer uma linda moça com o nome de Yuki. Ela informou que ela estava indo para Yedo, onde desejava encontrar um emprego como serva.  Minokichi ficou tão encantado com essa moça, que ele se atreveu a perguntar se ela estava noiva, e ao ouvir que ela não estava, ele a levou para sua casa e, em devido tempo, se casou com ela.

Yuki deu a seu marido dez filhos lindos, de pele mais branca do que a da maioria das crianças.  Quando a mãe de Minokichi morreu, suas últimas palavras foram em louvor de Yuki, e seus elogios ecoaram por muitos dos camponeses no distrito.

Uma noite, enquanto Yuki estava costurando, com a luz de uma lamparina brilhando sob seu rosto,  Minokichi recordou a extraordinária experiência que ele teve na cabana do barqueiro.

“Yuki”, disse ele, “você me lembra muito de uma bela mulher branca que eu vi quando eu tinha dezoito anos. Ela matou o meu mestre com seu hálito gelado. Tenho certeza que ela era algum espírito estranho, e ainda hoje à noite você me lembrou um pouco dela ”

Yuki jogou a costura fora.  Havia um sorriso horrível em seu rosto quando ela se curvou para encarar seu marido, gritando:  “Era eu, Yuki-Onna, que veio para você e então, em silêncio,  matou seu mestre! Oh miserável, incrédulo, você quebrou sua promessa de manter esse assunto em segredo, e se não fosse para os nossos filhos adormecidos, eu iria matá-lo agora! Lembre-se! Se eles tiverem alguma coisa a se queixar enquanto estiverem com você, eu vou ouvir, eu saberei, e em uma noite quando a neve cair vou matá-lo! ”

Então Yuki-Onna, a Senhora das Neves, transformou-se uma névoa branca, e, gritando e tremendo, passou através da lareira, para nunca mais voltar.

Links:

pt.wikipedia.org/wiki/Yukionna

http://en.wikipedia.org/wiki/Yuki-onna

http://en.wikipedia.org/wiki/Tales_from_the_Darkside:_The_Movie

Notas:

(1) A lenda de Yuki-onna serviu de base para uma das estórias do filme “Contos da Escuridão”, de 1990. Nessa estória um artista fracassado vê é atacado e é salvo por um gárgula, que promete não matá-lo, se ele nunca contar a ninguém o que aconteceu ali… Depois disso, ele conhece uma linda mulher, se apaixona, casa e finalmente ele tem uma carreira de sucesso. Só que, anos depois, já com dois filhos, ele resolve contar para a mulher sobre o gárgula… O que acontece? A mulher grita e se transforma no monstro (na verdade, era uma gárgula que tinha se apaixonado por ele). De repente, ele vê que seus dois filhos também se transformaram em gárgulas… Ela lamenta que ele tenha quebrado sua promessa e o mata. Depois atravessa o teto, levando os seus filhos. A estória termina com ela e as crianças transformadas em pedra.]

Fonte:

http://www.pitt.edu/~dash/japanlove.html

Kaguya Hime (via Contos do Covil)

Há muito, muito tempo, existia um velhinho e uma velhinha, que viviam juntos numa casa no meio da floresta. Eles eram muito pobres e solitários, pois não tinham filhos para criar. O velhinho era conhecido pelo nome de Cortador de Bambus, pois, todos os dias, ele saía cedo para cortar bambus na floresta. Os dois faziam cestas e chapéus para vender e ganhar algum dinheiro. Um belo dia, enquanto estava na floresta, o velhinho avistou um broto de bam … Read More

via Contos do Covil

O samurai e a raposa

Samurai

A estória de um jovem samurai que ofereceu o Sutra de Lótus à Buda, em troca do descanso da alma de uma raposa

Há muito tempo atrás, havia um jovem e belo samurai, que vivia em Kyoto, seu nome ninguém sabe. Uma tarde, em seu caminho para casa, passava ele pelo portal Shujaku do palácio Imperial  quando ele viu uma jovem de figura extremamente graciosa, com uns 18 anos de idade, vestida em um belo robe de seda,  parada na avenida principal.

Ela lhe pareceu tão linda com seus cabelos negros como as penas de um corvo flutuando na brisa gentil que o samurai ficou imediatamente fascinado por ela.  Ele se aproximou da garota e a convidou para entrar no portal e conversar um pouco com ele. Ela concordou com  ele com grande alegria.

Ela lhe pareceu tão linda com seus cabelos negros como as penas de um corvo flutuando na brisa gentil que o samurai ficou imediatamente fascinado por ela

Eles ficaram em um lugar quieto dentro do portal e ficaram conversando. Logo as estrelas começaram a brilhar luzindo aqui e ali no céu e mesmo a silhueta da Via Láctea surgiu.

Geisha de Kyoto

Disse o jovem:

“Nós nos encontramos aqui por uma feliz graça da providência divina, eu devo dizer.  Por isso, você deve aceitar o que peço – de todas as formas. Nós devemos compartilhar os mesmos sentimentos. Eu te amo e acho que você me ama também”

Respondeu a garota:

“Se eu concordar com todos seus pedidos, eu morrerei. Este é meu destino.”

“Seu destino morrer?”  – as palavras dela ecoaram na cabeça do samurai – “isso é impossível. Você está simplesmente está dizendo isso para me evitar.”

E tentou segurá-la em seus braços. A garota se libertou de seu abraço e disse:

“Eu sei que você tem uma esposa e você está dizendo que me ama no calor do momento. Eu estou chorando porque eu vou morrer por causa de um homem caprichoso.”

“Agora voltarei para casa – para morrer por sua causa, como te falei ontem à noite.  Quando eu me for, por favor diga preces pelo descanso de minha alma copiando o Sutra de Lótus e os oferecendo para o misericordioso Buda.”

Ele negou tudo que ela disse, de novo e de novo até que ela consentiu.  Nesse meio tempo as estrelas e a Via Láctea estavam reluzindo com todo o brilho nos céus. Uma noite de romance.

Eles encontraram um lugar na vizinhança e passaram a noite juntos. Um grilo solitário foi ouvido cantando através da noite…

O sol de verão apareceu cedo. A garota disse:

“Agora voltarei para casa – para morrer por sua causa, como te falei ontem à noite.  Quando eu me for, por favor diga preces pelo descanso de minha alma copiando o Sutra de Lótus e os oferecendo para o misericordioso Buda.”

O jovem disse:

“É a maneira do mundo que um homem e uma mulher fique assim tão próximos um do outro.  Você não está destinada a morrer por causa disso.  Entretanto se você morrer, eu não vou falhar com você. Eu prometo.”

A garota disse tristemente, tentando ajeitar seus cabelos:

“Se você se importar em saber se o que falo é verdade ou não, venha até a vizinhança de  Butoku-den*  esta manhã.”

O jovem samurai não conseguia acreditar no que disse a linda garota. Ela disse num tão tão pesaroso:

“Me deixe ficar com seu leque como uma lembrança.”

Ela pegou o leque.  Ele tomou as mãos dela e olhou direto nos seus olhos.

Ele a seguiu até lá fora, e ficou parado até que a figura desapareceu no véu cinza da manhã cinzenta.

O jovem não conseguiu cogitar que as palavras da garota eram verdadeiras.  Entretanto, durante a manhã ele foi até aos lados de Butoku-den porque ele estava muito ansioso para descobrir o destino dela.

Lá ele viu uma velha senhora sentado em uma pedra, chorando amargamente.

“Por quê a senhora está chorando assim?  Qual o problema com você, senhora?” perguntou a ela.

“Eu sou a mãe da jovem que você viu perto do portão de Shujaku  noite passada.  Ela está morta agora,”  ela respondeu.

“Morta?” o rapaz respondeu com um olhar incrédulo.

“Sim, ela está morta.  Eu fiquei aqui esperando por você, para lhe dar a triste notícia. O corpo dela está bem ali.”

Assim dizendo, a velha senhora apontou para uma esquina do grande salão e no próximo momento ela tinha desaparecido como mágica ninguém sabe para onde.

O jovem  samurai, aproximando-se do lugar apontado, encontrou uma jovem raposa morta no chão, seu rosto coberto com um leque branco aberto, o leque dado por ele!

“Então esse raposa era a garota que encontrei noite passada!” ele disse pesaroso para ele mesmo.  Ele não podia ajudar e sentiu muita pena pela pobre raposa.

Ele retornou para casa com o coração pesado.

Ele começou a copiar o  Sutra  de  Lótus imediatamente, como foi pedido pela raposa enquanto na forma da linda garota.  Ele achou a tarefa muito difícil de continuar. Porém, ele copiou um sutra por semana e o ofereceu a Buda e rezou pelou repouso da alma da raposa morta, dia e noite.

Uma noite, cerca de seis semanas depois, o jovem samurai sonhou um sonho, um estranho sonho no qual ele encontrava a linda jovem. Ela parecia tão nobre e divina que ele pensou que se tratava de uma ninfa celestial.

Estátua de kitsune e filhotes

Disse a jovem em seu sonho:

“Você me salvou ao escrever o Sutra de Lótus e oferecer muitos deles a Buda. Através de seus esforços renasci no Paraíso livre de pecado. Eu sou eternamente grata a você!”

Notas:

1) Título original/fonte:

Kitsune Japan’s Fox of Mystery, Romance, and Humor by Kiyoshi Nozaki.

links:

2) Mais sobre a kitsune:

https://casadecha.wordpress.com/2009/08/10/kitsune/

http://www.scribd.com/doc/3870634/Kitsune-Japans-Fox-of-Mystery-Romance-and-Humor-by-Kiyoshi-Nozaki

Os Nio Os Reis Benevolentes

Há diversos tipos de barreiras simbólicas e reais que existem nos templos, com o objetivo de protegê-los tantos dos seres sobrenaturais, como demônios, como de pessoas mau intencionadas, como ladrões. Duas estátuas, muito comuns em templos da China, Coréia e Japão, reperesentam os Deus Benevolentes ou Nio.

Eles são retratados como deuses de aparência forte, um deles extremamente ameaçador, às vezes armado e o outro mais contido, embora também retratado de forma a amendrontar quem quer que seja.

Os Niō (Deuses Benevolentes ou Deuses Benévolos),  seriam dois deuses e  são encontrados no porta da maior parte dos templos budistas japoneses.  No Japão, o portal de um templo é chamado muitas vezes de Nio-mon (literalmente portal dos Nio). Também há os templos que em vez de deuses de aparência humana  usam dois seres míticos Shishi Lion-Dogs com aparência de cachorro ou talvez de cães com trejeitos leoninos – um com a boca aberta e outro, com a boca fechada.(1)

Os mais famosos Niō do Japão são encontrados em Nara no templo de Tōdaiji. Essas estátuas foram esculpidas em 1.203, pelo famoso escultor Unkei.

Nota-se que um deles está de boca aberta e outro de boca fechada. Eles estão emitindo um som cósmico. O som representa o início e o fim, a vida e a morte.

“Agyo” é o deus de boca aberta, ele está dizendo “ah,” significando nascimento do universo. Também é chamado de Agyō, Agyo, Agyou, Naraen Kongō, Kongō Rikishi.

Ah” é o primeiro som do alfabeto japonês, enquanto que o “n” (pronounced “un” ) é o último, então eles simbolicamente representam o alfa e o ômega na danç cósmica da existência. Em sânscrito “Ah” é a primeira letra, mas a última é  “Ha.”

“Ungyo” está de boca fechada,  ele diz “un” ou “om,” significando a morte do universo. É também chamado Ungyō, Ungyo, Ungyou, Misshaku Kongō, Misshaku Rikishi.

Também são considerados manifestações de Vajrapani(2), Vajradhara Vairocana (Dainichi Nyorai) para os esotéricos e até  do deus hindu Vishnu. Bodhisattva Vajrapāṇi é uma divindade protetora do panteão Maaiaana ou mahayana. A filosofia maaiana pode ser descrita como uma estrutura religiosa e fislófica vasta. É uma das principais tradições do budismo, além da tetraveda. É equivalente a Guhyapāda(3).

Em algumas lendas, eles seriam protetores de Buddha em suas viagens pela India.

Notas:

(1) Otutros termos japoneses para os guardiães incluem  Kongo, Kongou, Kongō, Rikishi, Kongo Rikishi, Kongō Rikishi, Shitsukongō-shin, Shukongōshin Niten e Niōson.

(2) Vajrapani, na tradição Sutra do budismo mahayana Vajrapan é um oito filhos “adotivos” de Shakyamuni Buda e é retratado com uma aparência pacífica. Na tradição do budismo vajrayana, ele é retratado como uma figura furiosa e mais conhecido como Guhyapati – O Senhor dos Segredos. Historicamente ele é o principal receptáculo e protetor dos textos tântricos e ensinamentos do Buda Shakyamuni – o Buda histórico (na forma de Vajradhara).

(3) “Guhyapada”  significa protetor do Dharma Protector, em sânscrito. De acordo com o Maha-ratnakuta-sutra no capítulor 8, “Guhyapada” nasceu como um príncipe de nome “Fa Yi”. Ele pediu para ser transformado em macaco assim ele ficaria mais perto de  Buddha. O tempo passou e ele se tornou o líder dos protetores Vajra.

http://www.himalayanart.org/search/set.cfm?setID=169

http://worldvisitguide.com/oeuvre/O0034308.html

http://www.onmarkproductions.com/html/nio.shtml

http://www.buddhist-artwork.com/html/nio-statues.html

http://www.art-and-archaeology.com/japan/horyuji2.html

http://www.flickr.com/photos/alberttnt/4072070288/

Akkorokamui a Lula Gigante

Lula Gigante - selo das Ilhas Faroe

Akkorokamui é um monstro em forma de peixe ou octopus do folclore Ainu, que supostamente habita na baía de Funka Bay em Hokkaidō. É dito que seu enorme corpo vermelho e incandescente pode ser visto de uma longa distância e que brilha ainda mais sob a luz do sol. Dizem que alcança 110 metros. Possivelmente é uma lula gigante ou um octopus.

O povo Ainu o teme pois acredita que ele pode virar os barcos. Os pesacadores, sempre carregam foices, caso seja necessário defender-se do monstro.

Não só Ainus viram a critura. No século 19, um missionário de nome John Batchelor, que vivia com os Ainu e estudava sua cultura, escreveu uma artigo sobre a criatura no seu livro The Ainu and their Folklore, descrevendo um encontro com o animal. Segundo ele, a vila estava coberta por um nevoeiro, e três pescadores tentavam pegar um peixe espada, quando um monstro de olhos brilhantes apareceu em frente ao barco e os atacou. Eles lutaram com a besta. O monstro era de forma arredondada e soltava uam tinta preta com um odor horrível. Eles fugiram, mas não de medo, mas porque o cheio era insuportável. Eles ficaram tão assustados que não queriam sair de casa e nem comer.

Outro caso, também no século 19, foi o relato de um pescado japonês que viu algo grande e escarlate cruzando as ondas, e percebeu que era um monstro de 80 metros, com tentáculos tão largos quanto as costas de um homem. Ele me encarou por uns momentos com um olho enorme e mergulhou nas profundezas.

http://www.monstropedia.org/index.php?title=Akkorokamui

http://en.wikipedia.org/wiki/Akkorokamui

As misteriosas ruínas submersas de Okinawa

A idéia de um continente perdido no fundo dos oceanos não é nova. Augustus Le Plongeon (1825–1908), depois de suas investigações da ruínas maias em Yucatán concluiu que essa civilização era muito mais antiga que a grega e a egípcia e narrou a estória de um novo continente de nome “Mu”(1). Esse nome ele emprestou de Charles Étienne Brasseur de Bourbourg, que identificou essa terra como Atlântida e afirmou que a civilização egípcia começou com o reinado da rainha Moo, que era uma sobrevivente do continente. Outros refugiados foram para a América Central e fundaram a civilização maia.

Mas Kihachiro Aratake, um mergulhador profissional,  nunca pensou que encontraria tão fantástico quanto uma pirâmide submersa. Procurando por tubarões em Yonaguni, Okinawa, em 1986 ele descobriu estruturas gigantescas que mais pareciam ter sido feitas por humanos. Desde essa época o professor Masaaki Kimura da Universidade de Ryukyus em Okinawa tem se dedicado ao estudo dessas estranhas formações. Segundo ele, são dez estruturas submersas, que incluem um templo, um arco do triunfo, um estádio e várias ruas e talvez muralhas.

Estranhamente, apesar de ser um mistério bem divulgado no mundo oriental, e tamém Austrália e Nova Zelândia, nada se vê sobre as formações na mídia em outros lugares do mundo. Nem documentários ou menções nos veículos de comunicação.

Alguns cientistas já foram até o doutor Kimura para investigar as formações, como Robert M. Schoch, da Universidade de Boston famoso por dizer que as pirâmides do Egito foram construídas pelos atlantes. Ele afirma que talvez algum processo geológico possa fazer esse tipo de estrutura mas elas parecem perfeitas demais para serem fruto de um acidente geolígico.

Mas estudiosos como o geólogo alemão Wolf Wichmann disse que a pirâmide nada mais é que um bloco sedimentar.  Fazendo coro com ele, há muitos cientistas do outro lado do mundo que dizem que essas “ruínas” são apenas uma tentativa de promover o local e que se você olhar atentamente vai ver que são placas sedimentares em que nada lembram estruturas feitas pelo homem. Segundo eles, somente pessoas crédulas e que querem a todo custo acreditar no “continente perdido” vêem algo extraordinário aqui.

Na verdade, vendo bem as fotos, as linhas são realmente muito retas e parecem sim ter sido feitas pelo homem. Certo que é a o opinião de um leigo, mas é o caso de julgar por você mesmo. Aliás, se tudo é uma fantasia porque não divulgar mais sobre elas? Seria interessante. Mais interessante foi ter lido em algum lugar que se as ruínas fossem mesmo verdadeiras obrigaria a uma revisão total de conceitos e da datação geológica.

Então, talvez para alguns cientistas ocidentais seja melhor que as estruturas continuem sendo apenas formações geológicas naturais…

Notas:

(1) H. P. Lovecraft (1890–1937) já citou Mu na sua mitologia de Cthulhu. O pai de Conan, Robert E. Howard, em seus contos cita Lemuria como o que sobrou do continente de Mu, sendo a Lemuria apenas o topo da montanha do continente submerso.  O conceito de Lemúria data do século 19 e diz respeito a um continente submerso na Índia e no Oceano Pacífico.

Sites relacionados:

http://heritageofjapan.wordpress.com/just-what-was-so-amazing-about-jomon-japan/the-mystery-of-yonaguni-is-there-a-5000-year-old-underwater-pyramid-and-city/

http://ahotcupofjoe.net/2009/03/the-ancient-underwater-ruins-of-yonaguni-japan/

http://www.associatedcontent.com/article/1804320/the_yonaguni_monument_man_made_or_natural.html?cat=37

http://en.wikipedia.org/wiki/Yonaguni

http://www.altarcheologie.nl/underwater_ruins/yonaguni/linkmap.htm

Bem vindo ao lar irmão

Quão díficil é esperar por alguém? Será que o corpo precisa ser enterrado para que a alma descanse?

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Um avião do tipo B-24 Liberator

Era dia 1 de setembro de 1944, e o bombadeiro Liberator B-24 J, o “Babes in Arms”(1), estava numa de suas missões para atingir alvos japoneses no arquipélago de Palau, Oceano Pacífico.

Um de seus tripulantes era o sargento Robert Stinson, de 24 anos, um dos seis filhos de Vella Stinson. Ele tinha se juntando à Aeronáutica mal terminou o segundo grau e já havia sido condecorado várias vezes, sendo quase um vetereno de guerra àquela altura. Mas o destino está traçado e desta vez eles foram atingidos. O B-24 com 11 pessoas a bordo caiue dos seus tripulantes, oito morreram e três conseguiram saltar a tempo, um deles sem pára-quedas.

A partir daí, pacientemente, por duas vezes ao mês sua mãe escreveu a governo. Esperava por notícias. Esperava que ele fosse encontrado.  Porém a resposta era sempre negativa.  Foram-se então 65 anos. Nesse meio tempo, ela morreu, e nunca soube o que mais queria.

Seus irmãos não conseguiam descansar. Uma esperança vã dizia que talvez ele fosse um desses três que pularam do avião e que estivesse vivo por aí. Mas dizem que os três sobreviventes foram capturados pelos japoneses e executados.

Em 1994, um grupo de aventureiros e mergulhadores, chamado BentProp,  iniciou sua própria busca nas águas de Koror, a maior ilha de Palau. Todos os anos por um mês inteiro eles fazem buscas nessa área, procurando por 200 aviões desaparecidos durante a Segunda Guerra. Os restos estão espalhados por 300 pequenas ilhas.

Eles se reuniram com veterenos do esquadrão de Stinson que disseram o local onde viram o avião cair. Eles procurarm por seis anos até que em 2000 eles acharam fotos antiga feita por um tripulante de outra aeronave, momentos antes do avião dele cair. Afinal para que as fotos se somente se fotografam os locais que seriam bombardeados? Eles pensaram que alguém queria tentar registrar onde o aeroplano tinha caído.

Graças a essas fotos, eles restringiram as buscas a oito milhas de onde eles estiveram procurando. Aí a sorte veio na figura de um velho pescador que, quinze anos anos, tinha visto restos de um avião naquela área. O grupo fio para lá e logo descobriu um motor do  B-24 a 9 metros e então o avião quebrado em dois pedaços.

Dentro do avião, sepultado no mar por todos esses anos estava restos de um óculos, uma corda de pára-quedas, um sapato, uma identificação de um cachorro, um cadarço e vários pequenos fragmentos de ossos, entre outras dezenas de itens.

Amostras de DNA de Edward e Richard Stinson foram tiradas em 2006 e se confirmaou que dois pedaços de ossos da perna pertenciam ao irmão deles. Outros quatro membros foram identificados. Três ficaram sem identificação e serão enterrados juntos no cemitério de Arlington.  Stinson será enterrado no Cemitério Nacional de Riverside, no dia 30 de outubro.

Nas palavras de Richard: “Finalmente isso vai terminar. Nós nunca esperamospor isso. Nós sabíamos que três tinham saltado e… Você sempre tem a esperança de que ele foi um deles e sobreviveu”.

As memórias do irmão vêm, coisas que foram ditas sobre ele, que gostava de jogar pôquer, que era brincalhão. Parece que para que ele tivesse paz, ele precisaria ser resgatado de onde estava, para que seus restos fossem enterrados, como se de alguma forma sua alma estivesse pairando em algum lugar e não pudesse repousar.

Essa estória é ao mesmo tempo estranha e comovente. Talvez na verdade fossem os vivos que não estivessem em paz.(2)

Agora Richard sabe que seu irmão estava sozinho no fundo do oceano, mas agora ele vai descansar em paz. “Ele não esteve só nessas duas, três semanas. Ele emergiu.”

“Bem vindo ao lar, irmão”

Notas:

(1)

O avião era o 42-73453 do  Grupo Bombardeiro 307, Esquadrão 424.

O piloto era Jack Arnett e os outros tripulantes: William B. Simpson, Frank J. Arhar, Arthur J.  Schumaker, Robert J.  Stinson, Jimmie  Doyle, Charles T. Goulding, John Moore, Leland J. Price, Earl E. Yoh, Alexander R. Vick

(2)

Muitas culturas acreditam que é necessário um enterro e ritos funerários.  É uma maneira de demonstrar respeito e prevenir que aquele corpo volte a vida, como um morto-vivo ou como um fantasma. Acredita-se também que é uma maneira de encerrar o ciclo daquela pessoa nesse mundo, e com o sepultamento,  a pessoa segue para um outro plano de existência.

Fontes:

http://www.wavy.com/dpp/military/military_ap_california_Remains_of_WWII_airman_welcomed_home_20091028

http://www.capeargus.co.za/index.php?fArticleId=5223281

http://forum.armyairforces.com/m148619-print.aspx

http://www.307bg.org/

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