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O Rio das Almas Perdidas

rio Purgatório. Foto por Chris M

Nos dias em que a Espanha dominava a costa oeste um regimento de infantaria foi ordenado a partir de Santa Fé para abrir um caminho de comunicação com a Flórida e  levar um baú de ouro para o pagamento dos soldados em St. Augustine.

Durante o inverno, eles ficaram confortavelmente instalados no acampamento de Trinidad, junto com suas esposas e famílias. Mas quando chegou a primavera,  as mulheres e outros ficaram, enquanto que as tropas marcharam ao longo do canion de Purgatoire – mas nem chegaram ao seu destino, nem voltaram.

Será que eles tentaram descer as corredeiras de barcos e naufragaram nas águas?  Eles foram arrastados para a eternidade por uma inundação? Será que eles perdem as suas provisões e morreram de fome no deserto? Será que os índios se vingaram da brutalidade e egoísmo, matando-os durante a noite ou em uma emboscada? Eles foram mortos por bandidos? Será que eles afundam na areias movediças que transformam o rio em canais subterrâneos?

Talvez ninguém nunca descubra, mas muitos anos depois, um nativo disse a um padre em Santa Fé que o regimento tinha sido cercado por índios, como o regimento de Custer foi em Montana, e os homens foram mortos um po um. Vendo que a fuga era impossível, o coronel – disse então o narrador – mandou enterrar o ouro que ele transportava. Se acredita que milhares de dobrões estão escondidos no cânion, e milhares de dólares foram gastos na procura por eles.

Após semanas se tranformarem em meses e meses em anos,  nenhuma palavra se ouviu do regimento desaparecido, e os sacerdotes o charam de “El Rio de Las Animas Perdidas” – o Rio das Almas Perdidas.  O eco das águas que caem através do canion é o lamento das tropas. Caçadores franceses suavizaram a sugestão do título espanhol, quando renomearam para Purgatoire, e  os “bullwhackers”(1) conduzindo suas caravanas através das planícies mudaram o título francês  para o inexpressivo “Picketwire” (2). Mas os latinos mantêm a tradição viva e muitos faziam preces e ainda fazem por todos aqueles que desapareceram misteriosamente no vale de Las Animas.

Notas:

(1) Bullwhacker

A pessoa que conduz caravanas era chamada de bullwhacker. Alguns eram mulheres. Bullwhackers foram assim chamados porque chicoteavam (whack) os touros para que eles andassem. As carroças traziam suprimentos para milhares de mineiros e eram puxados por bois.

(2) Picketwire é uma palavra meio sem sentido, wire é fio, e picket pode significar sentinela ou um poste de uma cerca. O site http://teamvelveeta.tom-purvis.com/2009_04_01_archive.html traz imagens muito boas do cânion Picketwire e dá uma idéia de como o local é solitário e misterioso. Vale dar uma conferida.

Fonte:

Charles M. Skinner. Myths and Legends of Our Own Land, 1896.

http://www.legendsofamerica.com/ah-lostsouls.html

http://www.sd4history.com/unit5/freightingbullwackers.htm

www.exploresoutheastcolorado.com/picketwire.htm

http://www.losttreasure.com/content/archives/treasure-purgatoire-canyon

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A Colônia Perdida de Sir Walter Raleigh Capítulo II

Continuação do livro “Sir Walter Raleigh Lost Colony”, agora o capítulo mencionado vários documentos oficiais que relatam encontros com possíveis descendentes de colonos ingleses entre os índios norte-americanos

Enseada de Pamlico nos dias atuais

Mas o que realmente aconteceu? O que se sabe é o que o local estava abandonado e muitos documentos oficiais relatam algumas estórias intrigantes.  Em documentos vindos da Virgínia, provavelmente do capitão Francis Nelson que deixou a Virgínia em 2 de junho de 1608, ele relata o que ouviu de homens que vinham de Roanoke e estavam indo para Ocanahawan. Os nativos relataram de pessoas que se vestiam como eles e que construiam casa com paredes de pedras, além de domesticar perus.

Essas pessoas viviam na região entre Peecaracamnick e Ocanahwan. Uma área perto dos rios Tar, Neuse e Roanoke, provavemente Ocamahowan ficava próxima do rio Neuse.

As lendas dessa carta data do ano 1608 e relata incidentes quea conteceram 21 anos após a colônia ter deixado em Roanoke e apontam para o fato de que os homens brancos de Roanoke estavam vivos em Ohanahowan no rio Neuse e em Passarapanick na mesma região, tendo casas de pedra de dois, perus domesticados, minas de sal e outras evidências de civilização, e Machumps diz expressamente que esse povo foram ensinados nessas técnicas pelos colonos que escaparam do massacre em Roanoke. O que significa esse massacre de Roanoke não é sabido, pois como se sabe, não havia sinal de que os colonos tenham deixado sinais que tenham partido às pressas, então se supõe que esses homens brancos sejam outras pessoas.

O nome de Pananiock é mencionado em diversos documentos.  No mapa de DeBry da Expedição Lane Pananiock é escrito como Pomeiock e é  dito que se localiza entre o lago Paquipe ou Mattamuskeet e a enseada de Pamlico, no município atual de Hyde. No mapa de Scroeter de localidade indígenas  há um território designado como Pomouik na parte sudeste do atual condado de Craven.

Baldwin diz : “supõe-se que Madog fixou-se em algum lugar da Carolina, e que sua colônia, sem suporte da Europa, e com as comunicações cortadas desse lado do ocerano, tornou-se vulnerável e, depois de ter sido muito reduzida, foi destruída ou absorvida por alguma poderosa tribo de índios.

Em um documento de 1608, do embaixador espanhol Zuniga, e publicada por Alexandre Brown em “Genêsis dos Estados Unidos” é mencionado um rio que entende-se ser o Neuse e nesse rio está localizado Passarapanick no lado sul de Ohanahowan, onde segundo a lenda “moram quatro homens que vieram de Roanoke”. Essa localidade se localizava no território de Secotan.

De um documento publicado em 14 de dezembro de 1609, em  Londres,”Verdadeira e Sincera Declaração”, se lê o seguinte: “Mas, para explicar o que acontece; o que parece abater ou abalar nossos estoques de suprimentos; o problema nasce a partir de duas fontes principais, das quais uma era é causa da outra: primeiro, a tempestade, e qual homem pode esperar uma resposta para isso? Em seguida, a ausência do governador White, um efeito da primeira, para a ausência dele nos deixa no suspense e não sabemos de sua segurança e temos algumas dúvidas, e nas mãos de Deus repousa a todos na Terra. Agora, se essas duass serão as únicas cruzes, que desconcertam o lógico, consideram-se que nas três viagens sempre se encontrou o caminho e que todas  dependem desta, os homens estão em desgoverno, doentes, a espera pela frota e não há retorno. Há de se considerar outras alternativas, vantagens e desvantagens (…) podemos adentrar cinquenta milhas do nosso forte, como foi testemunhado por dois de nossos colônia enviados para averiguar, e, embora negada pelos nativos, encontraram cruzes e letras e caracteres e que garantiram ser testemunhos de cristãos recém esculpidos em cascas de árvores, se considerarmos a certeza de acomodações, vinhos, sabonete, cinzas, para todos os usos da madeira, ferro, aço, cobre, foi encontrada em grande abundância na casa de suas sepulturas. ”

O trecho mostra que haviam vários relatos dos “homens de Raleigh” eram correntes entre os o povo da Inglaterra. De 1609 até 1660 não há mais menção sobre eles.

Em “Antiga América” de Baldwin, na página 285, encontramos um relato de galeses na América. A história da migração de Madog do País de Gales está relacionado em apoio à teoria de que uma colônia galesa foi criado na Carolina do Norte. Baldwin diz : “supõe-se que Madog fixou-se em algum lugar da Carolina, e que sua colônia, sem suporte da Europa, e com as comunicações cortadas desse lado do ocerano, tornou-se vulnerável e, depois de ter sido muito reduzida, foi destruída ou absorvida por alguma poderosa tribo de índios.

Após um conselho, os indios resolveram executá-los na manhã seguinte. O missionário, desgostoso, fala em galês: “escapei de tantos perigos e agora vou morrer como um cão”. Ou ouvir isso, um chefe (sachem) dos Doegs da tribo diz a ele, em galês, que eles não iriam morrer.

Nos tempos de colônia e, mais tarde, não há falta de relatos sobre relíquias dos galeses de Madog que foram descobertas entre os índios, mas geralmente não se dá nenhum crédito a isso.

O único documento que se considera mas legítimo é do rev. Morgan Jones, de 1686, em uma carta relatando suas aventuras entre os Tuscaroras. Esses índios eram mais claros que os de outras tribos, e essa particularidade era bem perceptível que eles eram freqüentemente mencionados como “índios brancos “.

Ele relato como foi mandado para Port Royal, e em seguida a frota foi enviada para rio acima para um lugar chamado Oyster Point. Faltaram suprimentos e ele e mais cinco homens foram a floresta. Acabaram sendo pegos pelos índios, porque eles foram dizer que eram de Roanoke. Após um conselho, os indios resolveram executá-los na manhã seguinte. O missionário, desgostoso, fala em galês: “escapei de tantos perigos e agora vou morrer como um cão”. Ou ouvir isso, um chefe (sachem) dos Doegs da tribo diz a ele, em galês, que eles não iriam morrer. O sachem vai até o imperador e este resolve salvá-los. Os seis passam quatro meses na tribo e quando vão embora, os índios lhe fornecem suprimentos.

Esse relato foi feito por um ministro da Igreja da Inglaterra, algumas centenas de anos após o desaparecimento da colônia e foi escrita em suporte à estória da emigração do princípe Madgog or Madoc, escrita nas crônicas preservadas nos mosteiros de Conway e Strat Flur em Gales. Essa localidade é descrita como situada no rio Pontigo e perto de Cape Atross. O nome Pontigo é agora conhecido como Pamlico. O velho nome índio é Pamtico. O cabo mencionado agora é Hatteras.

Esses fatos foram citados para demonstrar que em tempos passados colônias foram estabelecidas, e no curso do tempo foram negligenciadas e esquecidas pelos países-mãe e foram absorvidas pelas tribos nativas. Se esta teoria for aceita, responderá por tradições de navios naufragados, prevalente entre os índios, e descrito por Harriot, bem como como a sua fé religiosa, tão diferente do que comumente encontra-se entre os nativos.

O historiador pergunta: “quanto dos remanescentes da colônia do princípe Madog é representado por esses  tuscaroras doegues? Ele é muito explícito ao afirmar sobre a linguagem. Eles entenderam o galês.  Ele foi capaz de
conversar com eles e pregar em galês, se ele tinha uma explicação para a existência da linguagem galesa entre eles ou se procurou algo disso na história tradicional deles, ele omitiu totalmente.

Se tiver localizadou os tuscaroras corretamente, eles residiam ao oeste dos Doegs e habitavam o última fronteira da região conhecida como Secotan. Se os colonos Inglês mudaram-se a cinqüenta milhas da Ilha Croatan eles devem ter habitada a região onde o rev.  Jones encontrou o Doegs.

Em um dos antigos mapas menciona-se uma tribo de índios que viviam nesta
mesma região, que foram chamados Mandoags,  e Doags e Mandoags pode ter sido a mesma tribo.  Os Mandoags poderiam ser remanescente da colônia de Madog.  O nome Madog, no intervalo de quatrocentos e noventa anos, pode ter sido mudado para Mandoag.

O Rev. Jones estava vivendo e pregando para falante da língua inglesa, antes antes dessa experiência entre os tuscaroras, e é razoável inferir que o intérprete que estava com ele compreendia tanto o inglês, quanto a língua nativa.

A crônica galesa diz que Madog deixou País de Gales em 1170 com alguns navios, indo do sul da Irlanda e navegando para o oeste. Ele descreveu uma região agradável e fértil onde um assentamento foi estabelecida. Deixando de 120 pessoas, ele voltou ao País de Gales, preparou dez navios, juntando uma grande companhia, alguns dos quais eram irlandeses e partiu novamente para a América.

A crônica galesa diz que Madog deixou País de Gales em 1170 com alguns navios, indo do sul da Irlanda e navegando para o oeste. Ele descreveu uma
região agradável e fértil onde um assentamento foi estabelecida. Deixando de 120 pessoas, ele voltou ao País de Gales, preparou dez navios, juntando uma grande companhia, alguns dos quais eram irlandeses e partiu novamente para a América.

Nós não podemos deduzir da declaração do rev. Jones se os doegs eram uma parte da tribo tuscarora. Da sua pregação nos deduzimos que eles tiveram algum contato com a religião cristã antes de seu aparecimento entre eles. A história dessa tribo, como descrito por Morgan Jones é interessante e digna de nota. Harriot, que acompanhou a expedição de Lane até a Virgínia, nos descreve os índios do local: “Eles são pessoas vestidas com camisas soltas feitas de peles de veado e aventais do mesmo material em torno de suas cinturas,  de tal diferença de estatura como nós da Inglaterra, não tendo nenhuma ferramentas ou armas de ferro ou aço para nos ferir, nem sabem como fazê-las.”

“A linguagem de cada tribo das outras, e quanto maior a distância, maior é a diferença.  Eles acreditam que há muitos deuses, que eles chama Mantoac convite, mas de diferentes tipos e graus, um único grande Deus, que tem sido desde toda a eternidade.

Eles também acreditam na imortalidade da alma, após esta vida, assim como a alma abandona o corpo, que ou é levada para o céu, a morada dos deuses, lá para desfrutar a felicidade perpétua e felicidade, ou então para um grande poço ou abismo, que eles pensam estar em outra parte do mundo em direção ao sol, lá para lá queimar perpetuamente, o lugar que eles chamam de Popogusso “.

Ao ler este relato da religião dos índios que com quem Harriot entrou em contato, podemos habilmente concluir que em algum período eles tiveram de comunicação com raças civilizadas do Oriente, que lhes deram alguma idéia de fé mais exaltada do que a comum entre os  selvagens. Alguns podem estar dispostos a aceitar os absurdos da fantasia do pregador e facilmente acreditar que eles sejam descendentes de ”tribos perdidas “, que tenham retido alguma coisa da antiga fé judaica. A diferença de cor, idioma e outras
características torna difícil aceitar tal teoria.

O conhecimento das terras ocidentais é tão antigo como o tempo de Platão e Sólon, que mencionou uma ilha no oeste chamado Atlantis. Dr. McCausland, em “Adão e as Adamite”  diz que os persas estabeleceram uma colônia nas Índias Ocidentais mil anos atrás, que, “abstendo-se de todo o contato com os os aborígenes, pouco difere de seus progenitores no país de origem, “Muito antes” da descoberta América por Colombo, os bascos enviaram navios de pesca essa parte norte da América.

Os registros dos vikings descreve viagens para a costa americana, relatando fatos e datas que são confirmadas pelas crônicas irlandesas e árabes, e também pelo registro em Woman´s Island, no nosso litoral norte, na data de de 25 de abril de 1135 (vide Antiguidades Nórdicas de Mallett).

Se forem desacreditados esses relatos de viagens da Europa para a América, nós podemos desacreditar qualquer coisa registrads na história. A sílaba sânscrita ap e a raiz latina ak, ambos significando água, são detectados em
centenas de nomes de rios e baías da costa atlântica de frente à Europa, onde os navios impulsionada pelos ventos alísios provavelmente atingiriam as costas americanas.

Esses fatos foram citados para demonstrar que em tempos passados colônias foram estabelecidas, e no curso do tempo foram negligenciadas e esquecidas pelos países-mãe e foram absorvidas pelas tribos nativas. Se esta teoria for aceita, responderá por tradições de navios naufragados, prevalente entre os índios, e descrito por Harriot, bem como como a sua fé religiosa, tão diferente do que comumente encontra-se entre os nativos.

Prescott, como citado pelo Dr. Hawks, ao falar dos índios encontrados na costa atlântica da América do Norte, diz: ‘eles tinham atingido a concepção sublime de um Grande Espírito, o criador do universo, que, indiferente em sua própria natureza, não era para ser desonrado por uma tentativa de visível representação, e que, permeia todo o espaço, e não era para ser
circunscrito dentro das paredes de um templo. ”

(continua…)

Capítulo I:

https://casadecha.wordpress.com/category/a-colonia-perdida-de-sir-walter-raleigh/

https://casadecha.wordpress.com/2009/06/08/a-colonia-perdida-croatoan/

https://casadecha.wordpress.com/2009/11/10/a-colonia-perdida-de-raleigh/

http://www.archive.org/stream/genesisunitedst03browgoog/genesisunitedst03browgoog_djvu.txt

http://www.archive.org/stream/historynorthcar01ashegoog/historynorthcar01ashegoog_djvu.txt

Uma fábula de sangue

As fábulas não foram feitas para crianças. Elas mostram o que de mais sombrio habita no coração dos homens

"Faça o digo e voltará para a sua casa"

No filme “O Labirinto do Fauno”, o cenário é a Espanha pós Segunda Guerral Mundial. A Espanha governada por Franco. Uma garotinha e sua mãe vão ao encontro do seu novo lar. A garota aparenta somente tristeza. Com ela, seus vários livros de contos de fada. De repente, o carro quebra e ela aproveita para fugir por um momento, afinal o lugar é belo. Uma floresta ancestral. No seu novo lar, no meio da floresta, ela vai encontra seu padastro.

Ao chegar em sua nova casa, ela encontra um labirinto muito antigo, sendo advertida a não entrar lá. Mas claro, sendo uma criança, isso só aguça a sua curiosidade. A partir daí,  garotinha encontra todo tipo de figura surreal. Fadas, um fauno, monstros. Enquanto que no mundo real, os rebeldes contra o governo Franco também encontram os seus próprios monstros, um deles personificado no cruel padastro da garotinha. Ele é comandante das forças fascistas de Franco. Uma figura dura, um militar enviado para lá para acabar com os maquis, rebeldes que atuavam desde antes 1939.

Ela está sozinha no meio de uma guerra, com uma mãe frágil que é totalmente submissa ao padastro, sem forças o bastante para se rebelar contra aquele a quem a mãe insiste que ela chame de pai.

O filme nos traz estranhas figuras, conhecidas de nós, mas todas com toques sombrios. O fauno, surge das sombras, propondo provas a ela para que ela consiga voltar “ao seu reino”. É extremamente desconfortante vê-lo devorar um pedaço de carne crua e ficar imaginando de que seria aquela carbe. As fadas deveriam ser figuras fofinhas, mas aqui elas são estranhas, e também abocanham carne crua… Mas afinal, os contos de fadas originais eram sombrios, lidos ao redor de fogueiras, e com certeza naqueles

Não há como desconfiar da figura do fauno e tentar imaginar se ele realmente tem boas intenções com a menina. Afinal, essas criaturas são conhecidas por enganar os humanos. Mas ela não se importa, porque no meio dos adultos, são somente essas criaturas que estão lá, para ouví-la e a consolar.

Será que eles existem? Seriam frutos da imaginação dela? O filme jamais responde. Você vai tentar adivinhar, mas não vai conseguir. Aqui a ilusão e a realidade se misturam em meio a acontecimentos. E você percebe que os homens é que são os verdadeiros monstros dessas estória.

Coisas típicas dos contos estão lá, a heroína que precisa fazer uma busca para atingir determinado objetivo, muitas vezes a custa de muito sacríficio. Figuras arquetípicas: uma floresta sombria e encantada, o sapo, o vilão, fadas e faunos.

No desfecho do filme, se fica pensando se realmente ela conseguiu o que queria e finalmente chegou ao seu reino encantado.

Notas:

1) O sapo é símbolo de transformação e fertilidade em muitas culturas, e também um símbolo o incosciente. Interessante notar que em uma das missões da menina ela encontra um sapo gigante, talvez uma pista de que a partir daí ela está mergulhada no seu próprio inconsciente e que a partir daí ela sofrerá uma transformação em seu destino.

2) O fauno era deus de chifres da antiga religião romana, que habitava as florestas, campos e planícies, quando ele fertilizava o gado era chamado Inuus. Em literatura ela acabou sendo associado ao deus grego Pan.

Sendo uma das mais antigas divindades romanas, conhecidas como di indigetes, e revelava o futuro em sonhos e vozes para aqueles que dormiam nos locais sagrados dos faunos.

3) O labirinto é símbolo da busca por sabedoria e também do inconsciente. Muitos são atraídos pelo labirinto como uma meio de alcançar auto conhecimento e criatividade, pois ele é um desafio a ser enfrentado para alcançar uma evolução. Caminhar no labirinto clareia a mente. Para os que sofrem, traz alívio e paz.

4) A guerrilha anti Franco começou antes de 1939 no fim da Guerra Civil Espanhola. O coneço da Segunda Guerra Mundial logo após a guerra civil surpreendeu grande parte da Espanha Republicana exilada na França; muitos deles se juntaram à Resistência Francesa. Por volta de 1944, com as forças alemãs em retirada, muitos dos guerrilheiros, voltaram seus focos para a Espanha. Apesar do fracasso da invasão de Val d’Arán naquele ano, alguns pelotões continuaram até o interior da Espanha para se juntar a grupos que permaneciam nas montanhas desde 1939.

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O apogeu da guerrilha foi entre 1945 and 1947. Depois disso, a repressão franquista aumentou, e um a um os grupos foram exterminados. Muitos de seus membros morreram ou foram presos. Outros fugiram para a França ou Marrocos. Em 1952, os últimos e mais importantes contingentes saíram da Espanha. Depois disso, aqueles que resistiram nas montanhas recusaram a escolher o exílio ou se render, lutavam apenas por sua própria sobrevivência.

Links:

http://www.bellaonline.com/articles/art13554.asp

http://www.archive.org/details/romanfestivalsof00fowluoft

http://www.experiencefestival.com/meaning_of_dreams_about_labyrinth

http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?f=/c/a/2006/12/29/DDGH7N4LSM22.DTL&type=movies

Lendas do Santuário das Angústias

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Na Espanha, em uma cidade chamada Cuenca, havia um moço tão bonito que nenhuma moçoila da cidade resistia a seus encantos. Ele era filho do ouvidor da cidade. Era um moço de bom coração, mas ao mesmo tempo era um farrista, mentiroso e que causava alguns pequenos incidentes na cidade.

Os pais e outros lhe perdoavam imaginando que um dia criaria juízo. Ele nem pensava em se aquieta e continuava caçando as moças da cidade sem sentir um mínimo de sentimento por elas.

Mas todo mundo tem seu dia de caça, e umdia, uma lindíssima jovem chamada Diana chegou de mudança à cidade. Todos ficaram enfeitiçados pela sua beleza, até as mulheres olhavam para trás quando ela passava de tão linda que era. Os homens então corriam para encontrar com ela par dar ao mesnos um bom dia, que ela retribuia com uma leve inclinação e sorriso.

Um dia o nosso moço sedutor resolveu se apresentar a ela. Ela claro, o achou lindo e se apresentou como Diana. Depois desse dia, ele ficou mais e mais apaixonado e obcecado por ela. Passaram a se encontrar, mas ela vendo suas intenções,  não deixava que ele ultrapassasse certo ponto na relação.

Ele nçao conseguia mais se conter. A queria para si como nunca desejou ninguém.  De repente, na véspera de todos os santos, dia 1 de novembro, ela manda uma carta para ele, dizendo para encontrar com ele no Dia de Todos os Santos, no local chamado “portal das Angústias””. Ela seria dele no Dia dos Mortos.

Ele ficou totalmente transtornado de paixão. Botou as melhores roupas e perfumes e mal se conteve até o dia combinado. Só que caiu uma tremenda tempestade nessa noite,mas isso não o impediria de ir até ela.

Ela estava lá, ainda mais linda. Eles se abraçaram e beijaram e no auge da paixão ele levantou o seu vestido. Caíam raios e trovões, mas eles não ligava. De repente, quando os raios iluminaram as pernas dela, ele viu que eram peludas e ela tinha pés e cascos de bode.

Horrorizado ele fugiu e podia se ouvir as risadas da besta ecoando na solidão do local.  Ele fugiu, mas o diabo lançava raios sobre ele. Em desespero ele agarrou a antiga cruz que havia no santuário ao mesmo tempo em que o demônio se lançou sobre ele. De súbito, tudo ficou silencioso, e ele viu que havia ficado ferido de raspão e que havia ficado uma marca na cruz de pedra.

Os monges vieram ver o que estava acontecendo e o levaram para a igreja. De lá, ele nunca mais saiu e viveu uma vida de recolhimento e oração.

Dizem que as pessoas da cidade, sabendo do causo, foram até a casa dos pais de Diana, mas só encontraram três bodes mortos. A casa foi queimada.

E assim terminou a vida de conquistador do mais belo moço que já pisou na cidade de Cuenca.

Nota:

O santuário antigo data de XIV, mas a atual igreja foi construída no século XVIII.

Fontes:

http://www.cofradiaangustiascuenca.es/Historia.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cuenca_%28Espanha%29

http://tejiendoelmundo.wordpress.com/2009/10/02/la-leyenda-de-la-cruz-del-diablo-en-cuenca/#more-8369

http://lanaveva.wordpress.com/2009/04/19/paseo-en-cuenca-puerta-san-juan-a-plaza-de-las-angustias-y-la-leyenda-del-diablo/