O São Jorge de Hertfordshire

O dragão de Hatfield Park, Hertfordshire. Por coincidência, essa rocha se encontra na mesma cidade da lenda. Talvez seja o dragão petreficado...

A seguir, é a tradução completa do livro “A Hertfordshire St. Jorge” de W. B Gerish de 1905. 

Variantes de São Jorge e o Dragão, o verme de Lambton, Laidley e Dragão de Linton ou lendas sobre vermes são, penso eu, mais raras na parte leste e sul da Inglaterra do que no norte. No “Folk-Lore Record”, vol. i. 1878, p. 247-249, casos isolados de lendas de dragões e serpentes são apontadas em de Essex, Herefordshire, Oxfordshire e Sussex, e provavelmente há outros. As matas e pântanos que existiam nos tempos ancestrais, na porção norte do país, onde essas bestas parcialmente mitológicas, poderiam refugiar-se, parecem ter produzido tais relatos em grande abundância e detalhe.

Brent Pelham (1) ou Pelham Arsa, que um incêndio destruiu durante o reinado do rei Henrique I, ou Pelham Sarners (a) é uma pequena aldeia situada a cerca de cinco quilômetros de distância da estação ferroviária de Buntingford, e 10 milhas de Bishop’s Stortford.  O herói da história, O Piers Shonks, viveu na mansão, e era o senhor da casa, que ainda leva seu nome, e diz-se que floresceu  ” Anno a Conquiestu 21. ” (b) O único registro de qualquer descendente de mesmo nome, nos arredores é Gilbert Sank, o qual no décimo sexto ano do rei Eduardo I,  foi penhorada por Simon de Furneaux, lorde de Pelhams, por sua “Lealdade e Serviço e quarenta xelins e seis pences alugar ao ano, jurado e acordado no Tribunal de Pelham Arsa de três semanas a três semanas.(c)

A Tumba de O Piers Shonkes em Brent Pelham

Entre as doações da igreja é uma parcela das florestas chamadas de Beches e Shonks (d), e, de acordo com Weever(e), “a velha casa decadente, com fosso, chamada de O. Piers Shonkes,” existia em seu tempo. Nos tempos de Salmon(f)  (1728) havia um celeiro neste lugar protegido chamado celeiro Shonks, e que o escritor afirma que a mansão paga proteção ao bispo de Stortford,  uma relíquia do sistema feudal, que é, creio eu, paga ao lorde da propriedade de Stortford atualmente.  Pode ser que Shonks fosse o titular de uma mansão nos tempos saxões, e que ele foi substituído por Godfrey de Beche, um normando, de modo que a propriedade foi posteriormente conhecida como Beches e Shonkes. É provável que o nome Piers Shonks era o mais adotado pelo povo e, possivelmente, o nome do fundador da igreja, cujo edifício saxão original foi queimado com o resto da vila, como anteriormente mencionado. O lugar onde o túmulo de Shonks está agora está se dizia ser uma antiga entrada(g), provavelmente da estrutura original, mas isto é, penso eu, equivocado. Há, porém, uma antiga entrada bloqueada mais ao oeste, exatamente sob a janela central norte. O arco do túmulo não é diferente de uma porta de arco, e era de uma altura suficiente para ser, provavelmente, uma entrada.  Salmono engenhosamente sugere que Gilbert Sank poderia ser o pai de Peters ou Piers (devemos desconsiderar a uma diferença de dois séculos para isso), que “sendo oprimidos pelo poder tirânico de De Furneaux, seu filho pode tomar a causa para si e mostrar as que exigências do seu adversário eram injustificáveis, e combatê-lo através da lei. Pelo qual ele poderia estar a serviço da comunidade, e salvá-los dessas mesmas imposições exorbitantes. E isso foi suficiente para canonizá-lo.” Se bem me lembro, algo semelhante aconteceu ao gigante Hickathrift de Norfolk(h).

Salmon conclui seu relato afirmando que ele precisa sair terminar o seu “O argumento Nisi Prius (2)  com a relação ao caso me foi dada por um velho agricultor na freguesia, que se vangloriava a si mesmo por ter nascido no mesmo ar que respirava Shonk. Ele disse, ‘Shonk era um gigante que habitava neste comarca, que lutou com um gigante de Barkway chamado Cadmus(i) e derrotou ele, e por causa disso Barkway pagou uma quantia (3)a Pelham desde então(j).  Então essa regra de Horácio (4) ainda é observada em Pelham.

“Aut scqucre famam, aut sibi convcnicntia fingc “.

(ou uso o boato, ou supunho por minha própria conveniência)

Sir Henry Chauncy (1700), além da alusão antes mencionada, não tem nada a dizer a respeito da lenda, mas apenas cita as inscrições em latim e inglês no túmulo. Cussans (1872), nosso historiador mais atual dá o o relato a seguir.

“O mais intrigante registro monumental na igreja de Pelham Brent é o sepulcro num altar dentro do recesso de arcos da parede norte, que dizem ter sido erguido por um tal de Piers Shonks, que morreu no ano de 1086. A tumba é de grande antiguidade (apesar de pouco mais antiga que 1300 e, provavelmente, mais posterior), mas foi, evidentemente, construído muitos anos depois do período que se atribui a morte do Shonks. É constituída por uma grossa laje de mármore de Petworth, na qual está esculpida em relevo uma representação emblemática da ressurreição. À frente estão São Marcos e São João, com São Mateus e São Lucas, em ambos os lados, simbolizadas na forma usual. (l)  No centro está uma cruz floral, cuja haste está entrando na boca de uma figura grotesca, ao pé da laje, o que significa o triunfo do cristianismo sobre o pecado(m). Simples e belos como estes símbolos são, eles deram órigem às tradições mais absurdas. A mais popular é que Piers Shonks (em cuja memória é dito ter sido erguido o monumento) era um poderoso caçador, e sempre era acompanhado, em suas expedições por um servo e três cães favoritos,

tão rápida de pés que eram dito serem alados, e é assim são representados no túmulo(n). Esperando a chance de um dia matar um dragão, que parecia estar sob a proteção direta de Satanás, este último declarou que iria se vingar de Shonks, e pegaria sua alma na morte, se esse fosse enterrado dentro ou fora da igreja.  Shonks, para evitar o seu destino, determinou que ele não deveria ser enterrado nem dentro nem fora do edifício sagrado, mas na parede, e sentindo-se perfeitamente seguro nessa posição, ordenou que uma representação de seu feito deveria ser gravadas em seu túmulo. Na parede do fundo da tumba é pintada esta inscrição, que dizem ter sido escrita pelo reverendo Raphael Keen, que morreu em 161 4.  Ele foi Vigário pora setenta e cinco anos e meio.”

Tantum Fama manet  Cadmi Sanctique Georgii,

Posthuma Tempus edax Ossa sepulchra vorat.

Hoc tamen, in Mura tutus qui perdidit Anguem

Invito positus, Demone, Shonkus crat.

O Piers Shonkes

Quem morreu no ano de 1086.

Nada de Cadmus, nem São Jorge, os nomes

de grande renome, não sobrevivems, mas suas famas,

O tempo foi tão cruel que não deixou nem os ossos dele,

Nem mesmo seus monumentos de pedra,

Mas Shonks uma serpente mata, para os outros desafiar,

E nesta parede, como numa fortaleza, ele jaz

É possível que o último verso possa ter dado origem ao tradição, ou o autor, o reverendo, possa ter incorporado a crença à ele.

As estórias locais variam em detalhes, como acontece normalmente.  A variante principal é que, quando Piers estava em seu leito de morte, ele pediu pelo seu arco e uma flecha, e atirou a esmo pela janela, ordenando que ele deveria ser enterrado onde a flecha caisse(5).  A flecha atravessou uma das janelas da igreja e se fixou na parede aonde está o túmulo agora.

Cerca de trinta ou quarenta anos atrás, um velho patriarca da vila dosse  a Mr. W.H.N., de Watford, que ele se lembrava ou ouviu dizer que em uma escavação que foi feita sob a parede perto do monumento, que ossos, que provavelmente eram de Shonks, foram encontradas, e por suas proporções teriam pertencido a um homem de 2,80 a 3 metros de altura.  Se estes tinha sido colocados ou não no túmulo ou não, ele não sabia.

O relato a seguir, escrito há alguns anos pelo então vigário de Brent Pelham (o Rev. W. Wigram, MA), vale a pena citar aqui. Ele diz:

“O local da casa do herói é marcada pelo fosso que antes o cercava, em uma pastagem ainda chamada de Jardim de Shonkcs acima de  Beeches  Farm. O túmulo está na parede norte da igreja e do estilo do século treze.  A cruz está direcionada como uma lança através da boca do dragão. Na folhagem da cruz há uma figura pequena, aparentemente bem ferida, o que pode representar a alma humana.  A capela-mor da igreja foi reconstruída cerca de quarenta anos atrás, e agora está em uma linha reta com a nave. A ntigamente era tão inclinada para o norte que havia uma pequena sacristia, cosntruída no espaço entre a parede norte original (que foi deixado como estava) e a linha da parede norte hoje existente, daí que a janela sul da capela-mor olhava diretamente através do arco da capela, e uma seta entrando na janela sul poderia apontar para a parede norte da nave.

Um dragão terrível habitava sob um teixo que se situava entre o que foi depois de dois campos chamados Great e Little Pepsells, e o entrada para o no caminho que atravessava eles foi feita na haste do desta árvore, quando ela foi dividida ao meio, tais árvores de extrema antiguidade. Este dragão foi morto por Shonkes e enquanto a fera morria, Satanás em pessoa  levantou-se e reinvidicou o corpo e a alma de Shonkes por matar seu dragão. O cavaleiro cristão desafiou ele, respondendo de imediato que sua alma estava sob a guarda do Céu, e que seu corpo deveria descansar onde a flecha, atirade de seu arco, deveria cair.  Ele atirou conforme disse, e a flexha entrou na janela sul da capela mor, atravessou o arco do cruzeiro e atingiu a parede norte, no lugar em que ainda repousa Shonkes(6).

“Invito Daemone.”

Desafio o Mal

Em épocas posteriores o teixo foi cortado por um camponês conhecido de meu informante. O homem começou a trabalhar na parte da manhã, mas parou na hora do almoço, e ao retornar, descobriu que a velha árvore que tinha caído, desmoronando em uma grande cavidade debaixo de suas raízes.

Que tais buracos foram encontrados em velhos teixos em outras ocasiões me foi dito. Se este foi simplesmente ampliado pelo dragão para sua própria conveniência, ou se foi cavada pelas garras da criatura não há nenhuma evidência que mostre. Eu conto a estória como foi contada para mim e aponta para a parede da capela-mor de idade e para o túmulo como provas.”

É esta  lenda de Shonks e o Dragão meramente uma história alegórica do triunfo do cristianismo sobre o paganismo, ou é uma metáfora da estória da aldeia de Hampden que suportava o pequeno tirano da vila, tal como sugerido pelo historiador Salmon? Ou era o dragão uma realidade concreta, atacando, como o tigre indiano faz, aterrorizando a  aldeia, até que um, mai valentes e inteligente que o resto, por uma estratégia supera a besta repugnante e depois é para sempre idolatrado como um herói pelos aldeões. Restos fósseis de animais extintos foram frequentemente encontrados nos poços de barro de Hertfordshire oriental, nenhum dos quais é de uma data tão recente como os séculos X ou XI. Mas a estória pode ser, como eu acho que possivelmente, muito mais antiga, que remontam, talvez, a tempos pré-históricos, mas, mais provavelmente ao período celta. A história, portanto, transmitida de pai para filho acabou se tornando ligada de forma habitual à a monumental laje, auxiliada durante os últimos dois séculos, como diz Cussans, pelo epitáfio(p).

Vale a pena notar que grandes cruzes de Malta são cortadas na aduelas de pedra do norte dos dois contrafortes no exterior do igreja, entre os quais a tumba de Shonks está situado. Eles são muito recentes e foram, eu penso, remodelados na restauração.

Para Canon Wigram e Ed. Exton Barclay sou erternamente grato pela valiosa assistência na elaboração deste trabalho.

Fonte: GERISH, W.B. A Hertfordshire St. Jorge. 1905. 

Notas do livro:

(a) Sarners era o intermediário do bispo de Londres no reinado de William I.

(b) Isso não é corroborado pelo Domesday Book.

(c) Veja o livro Chauncy´s “History of Herts,” ‘Chauncy 1700, vol. i. p. 278.

(d) Canon Wigram é um condado que pagava o dízimo a Beeches (outro condado), nada mais. Havia talvez quarenta acres de terra perto daquela fazenda

(e) ver livro   Weever. “Funeral Monuments”, p. 549

(f) ver livro Salmon. ” History of Herts”, p. 289.

(g) Veja a ilustração.

(h) “Gentleman’s Magazine” de janeiro de 1896.

(i) O Cadmus que é citado nesse4 livro, não era o gigante que vivia na cidade, mas o lendário matador de dragões fenício.

(j) Tipo de pagamento a senho feudal.

(l) Os símbolos são o leão, o anjo, o touro e a águia

(m) Veja ilustração

(n) Os quatro símbolos evangélicos, como citados acima (leão, anjo, touro, águia).

(o) essa passagem é idêntica à estória da morte de Robin Hood;

(p) Salmon diz certamente “E a fama de Shonk … poderia influenciar as pessoas a idolatrá-lo, e a lenda de que ele matou o draqgão, tornaria a coisa mais “visível”(7), e através dessa estória a fama dele seria transmitida para a posteridade.”

Notas do post:

(1) Brent Pelham é uma vila ou freguesia em Hertfordshire, Inglaterra. A aldeia é uma das cidades apelidadas de Pelhams, juntamente com Stocking Pelham e Furneaux Pelham. Perto da igreja St Mary’s há antigos casebres que poderiam acomodar até três pessoas de uma vez.[1] Um moinho de vento abandonado ainda sobrevive na aldeia.

(2) É uma expressão usada para designar os tribunais inferiores (assim chamado de “tribunais de jurisdição original”), onde o caso era ouvido pelo juiz e do júri, independentemente do local onde está sendo julgado agora. Um significado comum é “a menos que antes”.

(3) A renda paga por um homem livre por serviços, feitos a um senhor feudal.

(4) Utilizada com freqüência durante o século XIX: “as noções transmitidas através da visão seriam sedimentadas de maneira mais rápida e eficaz na memória, enquanto aquelas adquiridas por meio da audição seriam facilmente esquecidas”

(5) Essa parte do livreto me lembra o filme “Robin e Marian” com Sean Connery, de 1976. Na cena final, quando Robin está em seu leito de morte, com a também moribunda Marian, ele pede por seu arco e flecha, atira a esmo e pede a Little John para que enterre o corpo dele e de Marian aonde a flecha cair. A câmera segue a flecha, mas não mostra aonde ela cairá… Assim, segundo a lenda, foi que Robin Hood morreu, “a ele foi permitido sangrar até a morte nos braços da prioresa de Kirkless, onde, usando de suas últimas forças, ele desferiu uma flecha para determinar aonde ele deveria ser sepultado(…)

(6) A tumba de Shonkes está na igreja de St. Mary The Virgin em Brent Pelham, a tumba está lá para quem quiser ver. Não há fotos atuais sem copyright, mas se você quiser dar uma olhada clique aqui.

(7) Quer dizer, que o túmulo seria visível e que seria prova da veracidade da lenda, fazendo como que cresse e o saudasse como santo.

Links:

Animação da estória do dragão de Hertfordshire

https://casadecha.wordpress.com/2008/09/18/o-verme-de-linton/

http://en.wikipedia.org/wiki/Hertfordshire

Sobre shironaya

web 2.0 addict, crazy about legends, stories, drawing, cinema, painting. adoro web 2.0, lendas, estórias, desenho, cinema, pintura.

Publicado em maio 27, 2011, em contos, europa, Inglaterra, lendas, seres míticos, supertições e costumes e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: