O Primeiro Homem

Baiame, o Pai Celestial. Ele desceu dos céus, criando terra, floresta e rios, e finalmente a humanidade. Depois ensinou leis e regras de convivência, criando também o primeiro local sagrado para os rituais de inciação.

Um dia Baiame resolveu viajar através da terra que ele havia criado, e estava solitário pois não havia ninguém para conversar. Ele juntou terra vermelha em suas mãos e a moldou na forma de seres humanos. Dois homens ele fez, e então só havia terra bastante para fazer uma única mulher.

Isso significava problemas, mas Baiame não conhecia suficiente a respeito dos filhos de sua criação para perceber isso. Ele morou um tempo com eles, ensinando-lhes quais plantas eram boas para comer, como cavar raízes da  terra, e onde encontar as melhores larvas “.

“Com isto, e a água para beber, vocês podem viver, e suas barrigas nunca estão vazias. “disse. Depois que ele os deixou, e retornou para sua casa no céu. Por algum tempo as três pessoas viveram felizes juntas, mas depois de um tempo, veio uma seca longa e severa. As plantas murcharam, as raízes estavam difíceis de encontrar, e as larvas parecia ter desaparecido.

“Temos de encontrar algo para comer, ou vamos morrer de fome “, disse a mulher.

“Mas não há nada.”

“Há animais. Nós deve caçá-los e, em seguida haverá carne para comer e sangue para beber. ”

O homem olhou-a consternado. “O Pai Espírito não nos deu permissão para matar os animais que ele fez”, eles se opuseram.

“Mas ele também não disse que não podíamos matá-los”, respondeu ela. “Tenho certeza que ele espera que nós pensemos por nós mesmos.” Um dos homens se convenceu. Ele espreitou um pequeni canguru pequeno e o matou com uma pedra afiada.

“Agora o que vamos fazer?” ele perguntou.

“Vou mostrar a vocês,” disse a mulher. Ela cavou um buraco raso e queimou madeira nele até que um montão de brasas incandescentes e pedras quentes aparecesse no fundo. Ela chamuscou a pele do canguru e assou a carne.

“Aqui estamos nós”, disse ela. “Vamos encher a barriga com a boa comida que Baiame nos deu”.  O caçador se agachou ao lado dela, e afundou os dentes na carne semi-cozida. “É boa!” disse o homem, seus olhos acesos em aprovação. “Venha saborear o novo alimento,” disse ele ao seu companheiro.

O outro homem afastou-se. ‘Este não é o que Baiame nos ensinou. Uma coisa terrível vai acontecer, porque vocês fizeram isso. Eu prefiro passar fome do que comer um dos filhos do Baiaime.”

Grande foi a comoção da árvore ao ser atingida pelo corpo, que as raízes saíram da terra e a arvore flutuou para os céus, carregando o homem e o espírito do mal.

Nada do que eles pudesse dizer o faria mudar de idéia. O cheiro de carne assada o enjôou e ele correu pela planície. Os outros seguiram-no à distância. Ele estava fraco, com fome e acabou caindo no pé de um eucalipto(1)  e tombou imóvel.

Os outros olharam para ele com espanto que passou a ser medo quando um espírito escuro com os olhos piscando deslizou dos galhos da árvore. Ele pegou o corpo de seu amigo e atirou-o de tal modo que ele caiu no tronco de uma árvore oca. Então surgiu atrás do corpo. Duas cacatuas brancas, perturbadas pelos movimentos do espírito do mal, gritaram e voaram em círculos.

A árvore gemeu, o solo se perturbou tanto que as raízes foram empurradas para fora da terra. Ela se levantou no ar, seguida pelo cacatuas, e sumiu no espaço infinito do céu. A escuridão caiu, e nada podia ser visto, além dos pontinhos brancos que eram as cacatuas, e quatro olhos de fogo que brilhavam fora do tronco oco. Eles eram os olhos de seu amigo e do espírito do mal.

A árvore se perdeu de vista, mas os quatro pontos de luz, que eram os olhos do homem e do espírito maligno, e as asas brancas das cacatuas ficaram no  céu. Os olhos permaneceram dentro da árvore de eucalipto que é conhecida como Yaraan-do, e tornaram-se as estrelas da constelação do Cruzeiro do Sul, enquanto o cacatuas brancas, que lhe seguiram, são Alfa e Beta Centauri(1)(3).

Fonte:

A.W. Reed, Aboriginal Fables and Legendary Tales

Links:

http://www.astro.wisc.edu/~dolan/constellations/extra/Centaurus.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Alfa_Centauri

http://pt.wikipedia.org/wiki/Beta_Centauri

http://pt.wikipedia.org/wiki/Centaurus

http://www.artistwd.com/joyzine/australia/dreaming/first_man.php

Notas:

(1) No original white gum tree, ou seja, uma espécie de eucalipto, que na Austrália são chamadas de árvores de goma. Essa espécie é a Eucalyptus alba que tem folhas largas e flores creme, sendo encontrada ao nordeste do país.

(2) Beta Centauri (também conhecida como Hadar) é uma gigante azul de aproximadamente 4,000 anos.  As duas estrelas, Alfa e Beta, parecem dois olhos. Elas são chamadas “estrelas indicadoras” porque elas apontam para o Cruzeiro do Sul ao oeste. Alguns aborígenes australianos as chama de “Os Dois Homens Que Antes Foram Leões”. Outros as chamam de gêmeos que criaram o mundo.

(3) De acordo com o site Earthsong, a lenda diz respeito à santidade da vida animal e o advento da morte no mundo. Baiame criou o homem e mulher para viver de plantas, e quando um dos homens matou um canguru para comer, provocou o medo do outro, que correu para longe. Ele caiu morto e apareceu Yowi, O Espírito da Morte, que saiu da árvore e tragou o corpo, assustando duas cacatuas que tinham o ninho ali. A árvore ascendeu ao ceú. As duas cacatuas até hoje tentam retornar ao seu ninho na árvore, que agora é o Cruzeiro do Sul, por isso Alfa e Beta Centauri (que são as duas cacatuas) estão apontando ou indo em direção ao Cruzeiro. Elas são um aviso para não comer o fruto proibido

De acordo com alguns relatos aborígenes, Yowi ou Yowie, ou ainda ´Yahoo‘, significa tanto “demônio”, “espírito maligno” ou “espírito do mal”. Se desconfia que o nome Yahoo vem do livro de Jonathan Swift, “Viagens de Gulliver” (1726), onde se menciona uma raça aborígene chamada Yahoos. Provavelmente os colonizadores europeus resolveram aplicar o nome à lendaria criatura, parecida com o Yeti, que diziam existir na Austrália.. O termo “Yowie” começou a ser aplicado na década de 1970, aparentemente por causa da palavra aborígene ‘Youree‘, or ‘Yowrie‘, que se supõe ser o termo legítimo para homem-monstro peludo.

Sobre shironaya

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Publicado em julho 30, 2010, em austrália, lendas, seres míticos e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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