Como o Équidna Ganhou Seus Espinhos

Ele antes havia sido um homem como outros, mas foi castigado pela tribo por cometer um crime contra os de sua própria raça. Équidna foto de Reilly (Flickr)

Piggiebillah, o équidna, foi um homem antes de ser o que é. Quando ficou velho, tão velho que todos os seus amigos tinham morrido, ele foi viver com os homens que tinham sido meninos quando era de meia-idade. Eles eram todos fortes e incansáveis, e capazes de caçar durante todo dia sob o  sol escaldante, e para percorrer longas distâncias em busca de alimento, mas Piggiebillah era velho demais para assumir o seu papel no suprimento de comida para a tribo.

Ninguém lhe dava nada para comer, e era surpreendente que ele continuasse saudável.  À medida que envelhecia, ele parecia mais bem nutrido do que qualquer outro.  Na verdade, era tão surpreendente que algumas das pessoas começaram a suspeitar e mantiveram uma estreita vigilância sobre ele. Depois de algum tempo eles descobriram algo que Piggiebillah manteve em segredo durante anos.

Quando ele deixou o campo em uma manhã, ele foi seguido e viu-se que ele se dirigia para uma rocha a alguma distância do acampamento, e se escondia em sua sombra.  Ficaram observando ele por detrás dos arbustos, imaginando o que ele estava esperando.  Eles logo descobriram.  Uma jovem veio ao longo do caminho.  Piggiebillah saltou sobre ela, e antes que alguém pudesse se mover ou dar uma mensagem de advertência, ele mergulhou a sua lança em seu corpo.  O velho arrastou-a para fora da trilha,  comeu seus membros, e escondeu o resto de seu corpo fora comer mais tarde.

O desaparecimento de muitas pessoas de sua tribo e de visitantes que eram esperados e nunca chegaram, foi finalmente explicada.  Uma reunião secreta foi realizada e foi decidido por unanimidade que Piggiebillah devia ser morto. Ele era tão ativo, apesar de sua grande idade, que tinha de ser pego de surpresa.

Eles esperaram até que houvesse uma noite escura, sem lua. O velho estava deitado em uma certa distância do fogo.  Os homens se reuniram em silêncio ao redor dele.  Ele estava dormindo de costas com sua boca fechada para evitar o seu espírito vagueasse.  Ele moveu-se no sono, e murmurou: “Eu ouço as borboletas batendo na grama.”

Enquanto ele sonhava com borboletas, os homens espetaram as suas lanças em seu corpo. Piggiebillah gemeu enquanto eles batiam nele com seus tacapes.  Osso após osso em seu corpo, braços e pernas foram quebrados e,  enfim o terrível canibal ficou imóvel.

A esposa dele bateu na própria cabeça e o sangue que escorreu tingiu o peito dela de vemelho. Ela fugiu para longe transformada em um pássaro. Robin Red Breat foto de circulating.

Sua esposa olhou aterrorizada.  Ela bateu a cabeça com a sua pá (1) até que o sangue correu sobre o peito.  O nome dela era Guineeboo, e quando ela fugiu de lá tornou-se Guineeboo, o Pisco-de-Peito-Ruivo australiano.

Os homens se ajuntaram ao redor do fogo, rindo e conversando sobre a sua fácil vitória.  Mas Piggiebillah não estava morto.  Ele arrastou-se penosamente nas sombras mais profundas até que chegou à toca da aranha armadeira gigante, Muggai Murga.  Ele caiu no buraco, e ficou no fundo até que seus ferimentos foram curados.

A única coisa que ele não podia fazer era tirar as lanças do seu corpo, nem consertar os ossos quebrados dos seus membros.  Ninguém reconheceu Piggiebillah quando ele saiu à luz do dia novamente.  Ele se arrastou de quatro, com as pernas quebradas espalmadas para fora, e as lanças eram uma floresta eriçada nas costas.  Para se alimentar ele teve de cavar com as mãos, e teve de ser contentar com  formigas e outros insetos e restos de comida.

Piggiebillah tinha se transformado em um équidna, o pequeno animal que cava para comer formigas, porque ele não podia comer outros alimentos, e fazia tocas subterrâneas para escapar de seus inimigos.

A.W. Reed. Aboriginal Fables and Legendary Tales.

Fonte:

http://www.artistwd.com/joyzine/australia/dreaming/echidna_spines.php

(1) Traduzi como pá, no texto seria digging stick, ou literalmente pauzinho de cavar. Usado para cavar raízes, como inhame.

Sobre shironaya

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Publicado em junho 21, 2010, em austrália, contos, lendas e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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