Arquivo mensal: junho 2010

O noivo da rã

Hansl procurava uma noiva e não podia imaginar que uma rã o ajudaria

Era uma vez havia um pai que tinha três filhos. Ele mandou dois procurar noivas para eles, entretanto,  o terceiro, a que chamavam Hansl O Estúpido, resolveu ficar em casa e alimentar os animais.  O pai não estava satisfeito com isso, assim finalmente disse: “Apenas vá! Você pode procurar uma noiva também!”

Então Hansl se foi, e ele chegou a uma grande floresta.  Do outro lado da floresta havia um lago.  Um sapo estava sentado nas margens da lagoa, e ele perguntou:  “E agora, Hansl,  aonde você está indo?”

“Oh, eu estou procurando uma noiva!”

“Case comigo!”  disse o sapo, e para Hansl estava tudo bem,  porque ele não sabia onde poderia encontrar uma noiva.  O sapo pulou na lagoa,  e Hansl voltou para casa.

Seus irmãos já estavam lá, e eles queriam saber se o tolo encontrou uma noiva. “Sim”, disse Hansl, “eu já tenho uma!”

No dia seguinte, o pai deu a cada um um monte de linho,  dizendo: “Vou dar uma casa aquele cuja noiva seja capaz de tecer o mais bonitos dos fios emtrês dias.” Em seguida, cada um foi embora, incluindo Hansl.

O sapo estava novamente sentado no banco da lagoa. “Agora, meu noivo, onde você está indo?”

“Falar com você. Você pode tecer?”

“Sim”, disse o sapo. Basta amarrar o linho em minhas costas.”

Hansl fez isso, e o sapo pulou na lagoa. Um fio de linho estava aparecendo na superfície e outra ponta estava no fundo do lago. “É uma pena sobre o linho. Se estragou”, pensou Hans, e ele, infeliz, voltou para casa.

Mas, mesmo assim, no terceiro dia ele voltou para a lagoa. O sapo estava novamente sentado no banco, e ele perguntou: “Agora, noivo, onde você está indo?”

“Já teceu?”

“Sim”, disse o sapo pulando na lagoa, e voltou com a meada de um fio de linho que era o mais bonito do que qualquer outro que tenha sido fiado. Hans estava feliz, e ele correu de volta para casa alegre, e ele com certeza tinha  o mais lindo dos fios.

Os irmãos se queixaram, e então o pai disse: “Vou dar a casa para aquele que trouxer para casa a noiva mais bonita.”

Os irmãos se foram mais uma vez, mas desta vez Hansl levou uma jarra de água com ele.

Os outros dois queriam saber: “Por que você está levando essa garrafa de água com você?”

“Para colocar a minha noiva dentro”

Os dois riram, “Ele deve ter mesmo uma noiva linda!”

A rã já estava sentada perto da lagoa. “Agora, meu noivo, onde você está indo?”

“Hoje eu estou voltando por você!”

Então a rã pulou na lagoa e voltou com três chaves. “Vá lá em cima”, disse. “Há um castelo lá.  Uma das três chaves abre a sala de estar, uma abre o estábulo, e outra a carruagem. N a sala há três túnicas:  uma vermelha, uma verde e uma branca.  No estábulo, há dois cavalos brancos,  dois pretos e dois marrons.  No estábulo você encontrará três coches:  um de ouro, um de prata e um de vidro.  Em cada lugar que você pode pegar aquele que você quiser”.

Uma vez dentro do castelo Hansl primeiro tentou o manto vermelho, mas ele não gostou: “Isso me faz parecer um açougueiro.” Ele não gostou do verde também: “Faz-me parecerum caçador.”  O branco bem caiu melhor.  Então ele foi para o estábulo e levou os cavalos marrons.  Na casa da carruagem, ele primeiro quis pegar a de ouro, mas era demasiado nobre para ele.  A de prata era muito pesada, então ele pegou a de vidro.  Ele engatou a parelha com os cavalo marrons e foi para o lago.

Uma bela e jovem mulher estava lá.  Ela disse, “Você me redimiu. Se você pegasse a melhor coisa em cada lugar, então eu teria que continuar a ser um sapo.  E essa floresta é um grande pomar e, a lagoa é um jardim de rosas. Tudo isso pertence a você.  Deixe o seu irmãos ficar com a casa. Você poderá se casar com quem quiser. ”

“Não, você deve vir comigo, assim meu pai e meus irmãos, poderão te ver.”

Então, ela partiu com ele. O pai e os irmãos ficaram espantados quando viram Hansl com a linda e jovem mulher no coche.  Mas de súbito ela desapareceu e voou para os ceús na f orma de uma pomba branca.  Hansl deu a casa a seus irmãos.  Ele se casou com uma mulher local e foi muito feliz.  E se ele não morreu, então ele ainda deve estar vivo.

Fonte: Jungbauer Gustav, Märchen-Böhmerwald (Passau, 1923).

Site: http://www.pitt.edu/~dash/type0402.html#jungbauer

Mais sobre noivas em forma de animal: http://www.pitt.edu/~dash/type0402.html

Notas:

Sobre a foto do lago: a foto foi tirada pelo Serviço de Parques Nacionais (National Park Service) e e interessante a nota que se lê no site da Wikimedia, que a foto, sendo um trabalho do Governo dos Estados Unidos, o trabalho está em domínio público.  Mais informações no site citado acima e  na política de copyright do NPS .

Isso é importante de mencionar porque já vi muitos usuários da blogsfera atribuindo o copyright de fotos antigas a si mesmos, e na verdade as fotos que eles baixaram que pertencem a site federais dos EUA. É um caso de estudar mais sobre a lei do copyright. Muito bom que o site do serviços de parques esclarecesse bem o assunto.

Vale a pena dar uma conferida no site do NPS.

Como o Équidna Ganhou Seus Espinhos

Ele antes havia sido um homem como outros, mas foi castigado pela tribo por cometer um crime contra os de sua própria raça. Équidna foto de Reilly (Flickr)

Piggiebillah, o équidna, foi um homem antes de ser o que é. Quando ficou velho, tão velho que todos os seus amigos tinham morrido, ele foi viver com os homens que tinham sido meninos quando era de meia-idade. Eles eram todos fortes e incansáveis, e capazes de caçar durante todo dia sob o  sol escaldante, e para percorrer longas distâncias em busca de alimento, mas Piggiebillah era velho demais para assumir o seu papel no suprimento de comida para a tribo.

Ninguém lhe dava nada para comer, e era surpreendente que ele continuasse saudável.  À medida que envelhecia, ele parecia mais bem nutrido do que qualquer outro.  Na verdade, era tão surpreendente que algumas das pessoas começaram a suspeitar e mantiveram uma estreita vigilância sobre ele. Depois de algum tempo eles descobriram algo que Piggiebillah manteve em segredo durante anos.

Quando ele deixou o campo em uma manhã, ele foi seguido e viu-se que ele se dirigia para uma rocha a alguma distância do acampamento, e se escondia em sua sombra.  Ficaram observando ele por detrás dos arbustos, imaginando o que ele estava esperando.  Eles logo descobriram.  Uma jovem veio ao longo do caminho.  Piggiebillah saltou sobre ela, e antes que alguém pudesse se mover ou dar uma mensagem de advertência, ele mergulhou a sua lança em seu corpo.  O velho arrastou-a para fora da trilha,  comeu seus membros, e escondeu o resto de seu corpo fora comer mais tarde.

O desaparecimento de muitas pessoas de sua tribo e de visitantes que eram esperados e nunca chegaram, foi finalmente explicada.  Uma reunião secreta foi realizada e foi decidido por unanimidade que Piggiebillah devia ser morto. Ele era tão ativo, apesar de sua grande idade, que tinha de ser pego de surpresa.

Eles esperaram até que houvesse uma noite escura, sem lua. O velho estava deitado em uma certa distância do fogo.  Os homens se reuniram em silêncio ao redor dele.  Ele estava dormindo de costas com sua boca fechada para evitar o seu espírito vagueasse.  Ele moveu-se no sono, e murmurou: “Eu ouço as borboletas batendo na grama.”

Enquanto ele sonhava com borboletas, os homens espetaram as suas lanças em seu corpo. Piggiebillah gemeu enquanto eles batiam nele com seus tacapes.  Osso após osso em seu corpo, braços e pernas foram quebrados e,  enfim o terrível canibal ficou imóvel.

A esposa dele bateu na própria cabeça e o sangue que escorreu tingiu o peito dela de vemelho. Ela fugiu para longe transformada em um pássaro. Robin Red Breat foto de circulating.

Sua esposa olhou aterrorizada.  Ela bateu a cabeça com a sua pá (1) até que o sangue correu sobre o peito.  O nome dela era Guineeboo, e quando ela fugiu de lá tornou-se Guineeboo, o Pisco-de-Peito-Ruivo australiano.

Os homens se ajuntaram ao redor do fogo, rindo e conversando sobre a sua fácil vitória.  Mas Piggiebillah não estava morto.  Ele arrastou-se penosamente nas sombras mais profundas até que chegou à toca da aranha armadeira gigante, Muggai Murga.  Ele caiu no buraco, e ficou no fundo até que seus ferimentos foram curados.

A única coisa que ele não podia fazer era tirar as lanças do seu corpo, nem consertar os ossos quebrados dos seus membros.  Ninguém reconheceu Piggiebillah quando ele saiu à luz do dia novamente.  Ele se arrastou de quatro, com as pernas quebradas espalmadas para fora, e as lanças eram uma floresta eriçada nas costas.  Para se alimentar ele teve de cavar com as mãos, e teve de ser contentar com  formigas e outros insetos e restos de comida.

Piggiebillah tinha se transformado em um équidna, o pequeno animal que cava para comer formigas, porque ele não podia comer outros alimentos, e fazia tocas subterrâneas para escapar de seus inimigos.

A.W. Reed. Aboriginal Fables and Legendary Tales.

Fonte:

http://www.artistwd.com/joyzine/australia/dreaming/echidna_spines.php

(1) Traduzi como pá, no texto seria digging stick, ou literalmente pauzinho de cavar. Usado para cavar raízes, como inhame.

O coração do chacal não deve ser comido

Chacal dourado (Canis aureus bea), Serengeti National Park, Tanzania. Os bosquímanos não deixam crianças comer o coração de um chacal. O chacal é um animal medroso e eles acreditam que se uma criança comer o coração dele, vai se tornar uma pessoa medrosa.

Eles (os bosquímanos) consideram que uma criança não deva ser tímida, por isso, as crianças não devem comer coração de chacais “, porque o chacal é muito medroso e foge de medo.

O coração do leopardo é que deve ser comido pelas crianças, pois ele não teme a nada, portanto, se uma criança torna-se covarde por causa do coração do chacal,  e vai ter medo de tudo.

Portanto, nós não damos a uma criança o coração do chacal, porque sabemos que o chacal costuma para fugir, mesmo quando ainda não nos viu, apenas quando ele ouve o farfalhar de nosso pé, ele foge, mesmo quando ainda não nos avistou.

Nota adicionada pelo narrador.

O meu avô, Tssatssi, havia comprado um bando de cães de  gappem-ttu, e ele lhe deu um cão.  E ele pegou o cachorro,  amarrou e levou ele embora, segurando a corda com a qual ele tinha amarrado o cachorro.  Num primeiro momento, ele manteve o cão amarrado, mas depois o soltou para farejar e ele matou alguns chacais.

Ele (meu avô) esfolou os chacais, e minha avó costurou a pele deles e as vestiu.

Ele matou depois outro  chacal e um Lalandii Olocyon, ele os trouxe para casa para os esfolar.

E ele fez uma kaross (1) para gappem -ttu, um kaross de pele de chacal, enquanto ele ficou com o karossos de Otocyon, a pele do Otocyon.

E levou o kaross para gappem-ttu, o kaross de chacais, porque o gappem-ttu foi o único que lhe deu um cachorro. Portanto, ele fez uma kaross para gappem-ttu em troca do cachorro que ganhou. Então gappem-ttu lhe deu um pote em troca do kaross. E meu avô voltou para casa.

Então, meu avô costumava agir dessa maneira, quando ele estava cozinhando um chacal, ele dizia: “Você pensa que nós comemos corações de chacais?  Se fizéssemos isso seríamos covardes, portanto não comemos os corações dos chacais.

Pois, o meu avô não costumava comer o chacal, ele só o cozinhava  para seus filhos.

Nota:

(1)  Kaross é uma casaco feito de pele de carneiro, ou de outros animais, e que mantém o pêlo deles.  Não tem mangas e é usado pelos khoikhoi e bosquímanos da África do Sul. Esses casacos pode ser substituídos por um lençol.  Os chefes dessas tribos usam karosses de peles de gatos selvagens, leopardos ou caracais. A palavra pode ser empregada para designar também aqueles de pele de leopardo usados por chefes e pessoas ilustres da tribo kaffir.  Kaross é provavelmente uma palavra de origem khoikhoi, ou ainda uma adaptação do holandês kura, um cuirass.  No vocabulário datado de  1673 karos é descrita como uma corruptela de uma palavra holandesa. Hoje em dia o kaross é uma lembrança comum para turista, sendo até feito de pele de vaca. O termo é comumente aplicado para designar lençóis de pele vendido como colchonete.

fonte:

http://www.sacred-texts.com/afr/sbf/sbf74.htm

How Night Came

A filha da Grande Serpente do Mar estava sofrendo, porque na Terra só havia dia. Ela precisa que seu pai enviasse a ela um pouco da escuridão que habitava no mar.

Years and years ago at the very beginning of time, when the world had just been made, there was no night. It was day all the time. No one had ever heard of sunrise or sunset, starlight or moonbeams. There were no night birds, nor night beasts, nor night flowers. There were no lengthening shadows, nor soft night air, heavy with perfume.

In those days the daughter of the Great Sea Serpent, who dwelt in the depths of the seas, married one of the sons of the great earth race known as Man. She left her home among the shades of the deep seas and came to dwell with her husband in the land of daylight. Her eyes grew weary of the bright sunlight and her beauty faded. Her husband watched her with sad eyes, but he did not know what to do to help her.

“O, if night would only come,” she moaned as she tossed about wearily on her couch. “Here it is always day, but in my father’s kingdom there are many shadows. O, for a little of the darkness of night!”

Her husband listened to her moanings. “What is night?” he asked her. “Tell me about it and perhaps I can get a little of it for you.”

“Night,” said the daughter of the Great Sea Serpent, “is the name we give to the heavy shadows which darken my father’s kingdom in the depths of the seas. I love the sunlight of your earth land, but I grow very weary of it. If we could have only a little of the darkness of my father’s kingdom to rest our eyes part of the time.”

Her husband at once called his three most faithful slaves. “I am about to send you on a journey,” he told them. “You are to go to the kingdom of the Great Sea Serpent who dwells in the depths of the seas and ask him to give you some of the darkness of night that his daughter may not die here amid the sunlight of our earth land.”

The three slaves set forth for the kingdom of the Great Sea Serpent. After a long dangerous journey they arrived at his home in the depths of the seas and asked him to give them some of the shadows of night to carry back to the earth land. The Great Sea Serpent gave them a big bag full at once. It was securely fastened and the Great Sea Serpent warned them not to open it until they were once more in the presence of his daughter, their mistress.

The three slaves started out, bearing the big bag full of night upon their heads. Soon they heard strange sounds within the bag. It was the sound of the voices of all the night beasts, all the night birds, and all the night insects. If you have ever heard the night chorus from the jungles on the banks of the rivers you will know how it sounded. The three slaves had never heard sounds like those in all their lives. They were terribly frightened.

“Let us drop the bag full of night right here where we are and run away as fast as we can,” said the first slave.

“We shall perish. We shall perish, anyway, whatever we do,” cried the second slave.

“Whether we perish or not I am going to open the bag and see what makes all those terrible sounds,” said the third slave.

Accordingly they laid the bag on the ground and opened it. Out rushed all the night beasts and all the night birds and all the night insects and out rushed the great black cloud of night. The slaves were more frightened than ever at the darkness and escaped to the jungle.

The daughter of the Great Sea Serpent was waiting anxiously for the return of the slaves with the bag full of night. Ever since they had started out on their journey she had looked for their return, shading her eyes with her hand and gazing away off at the horizon, hoping with all her heart that they would hasten to bring the night. In that position she was standing under a royal palm tree, when the three slaves opened the bag and let night escape. “Night comes. Night comes at last,” she cried, as she saw the clouds of night upon the horizon. Then she closed her eyes and went to sleep there under the royal palm tree.

When she awoke she felt greatly refreshed. She was once more the happy princess who had left her father’s kingdom in the depths of the great seas to come to the earth land. She was now ready to see the day again. She looked up at the bright star shining above the royal palm tree and[9] said, “O, bright beautiful star, henceforth you shall be called the morning star and you shall herald the approach of day. You shall reign queen of the sky at this hour.”

Then she called all the birds about her and said to them, “O, wonderful, sweet singing birds, henceforth I command you to sing your sweetest songs at this hour to herald the approach of day.” The cock was standing by her side. “You,” she said to him, “shall be appointed the watchman of the night. Your voice shall mark the watches of the night and shall warn the others that the madrugada comes.” To this very day in Brazil we call the early morning the madrugada. The cock announces its approach to the waiting birds. The birds sing their sweetest songs at that hour and the morning star reigns in the sky as queen of the madrugada.

When it was daylight again the three slaves crept home through the forests and jungles with their empty bag.

“O, faithless slaves,” said their master, “why did you not obey the voice of the Great Sea Serpent and open the bag only in the presence of his daughter, your mistress? Because of your disobedience I shall change you into monkeys. Henceforth you shall live in the trees. Your lips shall always bear the mark of the sealing wax which sealed the bag full of night.”

To this very day one sees the mark upon the monkeys’ lips, where they bit off the wax which sealed the bag; and in Brazil night leaps out quickly upon the earth just as it leapt quickly out of the bag in those days at the beginning of time. And all the night beasts and night birds and night insects give a sunset chorus in the jungles at nightfall.

O três escravos foram desobedientes, abriram o pacote com a noite e foram castigo pelo mestre, que os transformou em macados. Agora quando você vê macacos fazendo bagunça, vai lembrar de se comportar

Versão em português:

Como A Noite Surgiu

Anos e anos atrás, no começo dos tempos, quando o mundo tinha acabado de ser feito, não havia noite. Era dia o tempo todo. Ninguém nunca tinha ouvido falar do nascer ou pôr do sol, a luz das estrelas ou luar. Não havia pássaros da noite, nem bestas noturnase, nem as flores da noite. Não havia sombras, nem ar suave da noite, carregado de perfume.

Naqueles dias, a filha da Grande Serpente Marinha, que habitava nas profundezas dos mares, casou-se com um dos filhos da grande raça grande terrena conhecida como Homem. Ela deixou sua casa entre as sombras das águas profundas e foi morar com o marido na da luz do dia. Seus olhos ficaram cansados da luz do sol brilhante e sua beleza desvanecida. Seu marido a olhava com olhos tristes, mas ele não sabia o que fazer para ajudá-la.

“Oh, se a noite viesse”, ela gemeu como enquanto se jogava pesadamente em seu sofá. “Aqui é sempre dia, mas no reino de meu Pai há muitas sombras. Ó, o que daria por um pouco da escuridão da noite! ”

Seu marido ouvia seus lamentos. “O que é noite?”, Perguntou a ela. “Fale-me sobre isso e talvez eu possa arranjar um pouco dela para você.”

“Noite”, disse a filha da Grande Serpente Marinha”é o nome que damos para as sombras pesadas que escurecem o reino de meu pai nas profundezas dos mares. Eu amo a luz do sol de sua terra, mas estou muito cansada deles. Se pudéssemos ter apenas um pouco da escuridão do reino do meu pai para que pudesse descansar meus olhos por um tempo. ”

O marido de pronto chamou três escravos fiéis. “Eu estou a ponto de enviar-lhes em uma viagem”, disse-lhes. “Vocês tem que ir para o reino da Grande Serpente Marinha que habita nas profundezas dos mares, para pedir-lhe para lhes dar um pouco das trevas da noite porque senão sua filha vai morrer aqui no meio da luz do sol de nossa terra”.

Os três escravos foram para o reino da Grande Serpente do Mar. Após uma viagem longa e perigosa, eles chegaram no reino dele, nas profundezas dos mares e pediram-lhe para dar-lhes algumas das sombras da noite para levar de volta à terra. A Grande Serpente lhes deu um grande saco cheio. Ele fechou bem e advertiu-lhes para não abri-lo, até que estivessem mais uma vez na presença de sua amada filha.

Os três escravos voltaram, com o grande saco cheio de noite sobre as suas cabeças. Logo eles ouviram sons estranhos dentro do saco. Era o som das vozes de todos os animais da noite, todas as aves da noite, e todos os insetos da noite. Se você já ouviu o coro da noite de florestas nas margens dos rios você vai saber como soava. Os três escravos nunca tinha ouvido sons como esses em toda a sua vida. Estavam terrivelmente assustados.

“Vamos largar o saco cheio de noite aqui mesmo onde estamos e vamos fugir o mais rápido que pudermos”, disse o primeiro escravo.

“Nós pereceremos. Vamos morrer, não importa o que fizermos “, exclamou o segundo escravo.

“Se vamos perecer de qualquer jeito, então eu vou abrir o saco e ver o que está fazendo todos esses sons terríveis”, disse o terceiro escravo.

Assim que colocou a sacola no chão e abriu, todos os animais da noite, todas as aves da noite e todos os insetos da noite saíram e se afastaram em uma grande nuvem negra da noite. Os escravos se assustaram mais do que nunca no escuro e fugiram para a selva.

A filha da Grande Serpente do Mar estava esperando ansiosamente pelo retorno dos escravos com a sacola cheia de noite. Desde que tinham começado a sua viagem tinha aguardado o seu regresso, protegendo os olhos com a mão e olhando lá longe, no horizonte, esperando com todo seu coração que trouxessem logo a  noite. Nessa posição, ela estava de pé sob uma palmeira real, quando os três escravos abriu o saco e deixaram escapar a noite. “A noite veio. A noite chegou, finalmente, “ela chorou, quando viu as nuvens noturnas no horizonte. Então ela fechou os olhos e foi dormir lá debaixo da palmeira real.

Quando ela acordou ela sentiu muito descansada. Ela se tornou mais uma vez, a princesa feliz que havia deixado o reino de seu pai nas profundezas dos granes mares para vir para a terra. Ela já estava pronta para ver o dia outra vez. Ela olhou para a estrela brilhando acima da palmeira real e disse: “Ó, linda estrela brilhante, agora você será chamado a estrela da manhã e você deverá anunciar a chegada do dia. Você deve reinar como rainha do céu nesta hora. ”

Então ela chamou todos os pássaros à sua presença e disse-lhes: “Ó, maravilhosos pássaros que cantam docemente, agora eu ordeno que você cantem sua música mais doce nessa hora para anunciar a aproximação do dia.” O galo estava de pé ao lado dela. “Você”, ela disse , “será nomeado o vigia da noite. Sua voz marcará todos relógios da noite, e deverá avisar a todos a madrugada chegou. “Desse dia em diante, aqui no Brasil, chamaremos a chegada da manhã de madrugada. O galo anunciará a sua chegada às aves que estarão esperando. Os pássaros cantarão suas mais doces canções nessa  hora da manhã e a estrela da manhã reinará no céu como rainha da madrugada.

Quando amanheceu novamente os três escravos entraram em casa através das florestas e selvas com o seu saco vazio.

“Ó escravos infieis”, disse o mestre, “por que você não obedeceram a ordem da Grande Serpente Marinha e abriram o saco apenas na presença de sua amada filha? Por causa de sua desobediência vou transformá-lo em macacos. A partir de agora você devem viver nas árvores. Seus lábios devem ter sempre a marca do lacre, que selou o saco cheio de noite. ”

Desde esse dia, se vê a marca em cima os lábios dos macacos, onde eles morderam para arrancar o lacre de cera do saco, e  no Brasil a noite salta tão rapidamente sobre a terra, como no dia em que ela saltou para fora do saco, no início dos tempos. E todos os animais, aves e insetos da noite fazem um coro para o pôr-do-sol  na selva ao anoitecer.

Source (tradução literal):

EELLS, Elsie Spicer. Fairy Tales from Brazil – How and Why Tales from Brazilian Folk-Lore. Cadmus Book. 1917.

A princesa com cabeça de porco

Oisin em Tir Na n-Og

Oisin (também escrito Ossian), o lendário herói céltico e poeta, casa-se com uma princesa que, através de uma magia druida foi amaldiçoada a ter cabeça de porco.

Cruz celta

Havia um rei em Tir na n-Og (Terra da Juventude), que ocupava o trono e a coroa por muitos anos contra todos os que a cobiçavam.  E a lei do reino era que a cada sétimo ano, os campeões e melhores homens do país deveriam concorrer ao cargo de rei. Uma vez a cada sete anos, todos se reuniam na frente do palácio e corriam para o alto de uma colina duas milhas distante. No topo da colina tinha uma cadeira, e o homem que conseguisse sentar na cadeira primeira, seria o rei de Tir na n-Og pelos próximos sete anos.Depois que ele governou durante eras, o rei começou a ficar ansioso. Ele tinha medo que alguém pudesse se sentar na cadeira diante dele e tomar a coroa de sua cabeça. Então, um dia ele chamou seu druida e perguntou: “Por quanto tempo devo ficar nessa cadeira para governar esta terra, e se algum homem sentar-se nela antes de mim e tomar a coroa da minha cabeça?”

“Você vai manter a monarquia e a coroa para sempre”, disse o druida, “a menos que seu próprio genro as tire de você.”

O rei não tinha filhos, mas uma filha, mas, a mais bela mulher em Tir na n-Og; e o igual a ela não podia ser encontrar em Erin ou qualquer reino do mundo. Quando o rei ouviu as palavras do druida, ele disse, “Eu nunca vou ter um genro, porque eu vou deixar a minha filha de um jeito que nenhum homem irá se casar com ela.”

Então ele pegou uma vara druida  mágica, e chamando a filha diante de si, ele a golpeou com a vara, e colocar uma cabeça de porco em seu no lugar da cabeça dela.

Então ele mandou a filha de volta para o seu canto no castelo, e voltando-se para o druida “Não há homem na Terra que vá querer se casar com ela agora.”

Quando o druida viu o rosto que estava na princesa, a cabeça de porco que o pai tinha lhe dado, ele ficou muito triste por ter dado essa informação ao rei, e algum tempo depois ele foi ver a princesa.

“Devo ficar assim para sempre?” perguntou ela para o druida?

“Você precisa”, disse ele, “até que você se casar com um dos filhos de Fin MacCumhail em Erin. Se você se casar um dos filhos de Fin, você estará livre da mancha que está em você agora, e voltar a ter sua própria cabeça e rosto. ”

Quando ouviu isso, sua mente ficou impaciente, e nunca descansou até que ela deixou Tir na n-Og e foi para Erin. Quando ela perguntou das pessoas, ouviu que Fin e os fenianos de Erin estavam naquele tempo vivendo em Knock an Ar, ela se dirigiui para o local imediatamente e viveu lá por um tempo. E quando ela viu Oisin, ele agradou a ela, quando ela descobriu que ele era um filho de Fin MacCumhail, a quem ela estava sempre observando, ela correu em sua direção. E era usual para os fenianos naqueles dias sair para caçar nas colinas, montanhas e nas florestas de Erin, e quando um deles ia,  sempre levava cinco ou seis homens com ele para trazer para casa o prêmio.

Um dia Oisin saiu com os seus homens e cães para a floresta, e ele foi tão longe e matou tanta caça que, quando tudo foi reunido, os homens estavam tão cansados, fracos e famintos que não podiam levá-lo, mas foram embora, deixando-o com os três cães, Bran, Sciolán e Buglén, para cuidar de tudo sozinho.

Agora a filha do rei de Tir na n-Og, que era a própria rainha da Juventude, seguia de perto a caçada por todo o dia, e quando os homens deixaram Oisin ela foi até ele. Ele estava lá,  olhando para a grande pilha de caça e dizendo: “Lamento muito deixar para trás tudo o que eu tive o trabalho de matar”, ela olhou para ele e disse: “Amarre um pacote para mim, eu vou levá-lo para alivar a carga de você. ”

Oisin deu-lhe um pacote de caça para carregar, e pegou o restante. A noite estava muito quente e o fardo pesado, e depois de terem caminhado a alguma distância, Oisin disse: “Vamos descansar um pouco.”

Ambos jogaram as suas cargas, e se encostaram contra uma grande pedra que estava à beira da estrada. A mulher estava suada e sem fôlego, e abriu seu vestido para refrescar-se. Então Oisin olhou e viu a sua forma bonita e seu seio branco.

“Ah, então”, disse ele, “é uma pena que você ter uma cabeça de porco em você, pois eu nunca vi tal aparência de uma mulher em toda a minha vida antes.”

“Bem”, disse ela, “meu pai é o rei de Tir na n-Og, e eu era a mais requintada mulher do seu reino e o mais bela de todos, até que ele me jogou uma magia druida e deu-me a cabeça de porco que está em mim agora no lugar da minha própria.  E o duida de Tir na n-Og veio falar comigo depois e me disse que se um dos filhos de Fin MacCumhail se casasse comigo, a cabeça do porco iria desaparecer, e eu deveria voltar a ter meu rosto da mesma forma como era antes, antes de meu pai me surpreender com a varinha do druida. Quando eu botei isso na cabeça, não parei até que cheguei a Erin, onde encontrei o seu pai e te escolhi dentre os filhos de Fin MacCumhail, e te segui para ver se você vai se casar comigo e me libertar. ”

“Se esse é o estado em que você está, e se o casamento comigo vai te libertar do feitiço, eu não vou deixar a cabeça de porco em você por muito tempo.”

Então eles se casaram sem demora, não esperando para levar a caça para ou para tirá-la do chão. Naquele momento a cabeça de porco desapareceu, e a filha do rei, tinha o mesmo rosto e a beleza que ela tinha antes de seu pai lhe deu um soco com a varinha druida.

“Agora”, disse a Rainha da Juventude para Oisin, “Eu não posso ficar aqui muito tempo, e a menos que você venha comigo para Tir Na n-Og nós devemos nos separa.”

“Oh”, disse Oisin, “onde quer que você vá eu vou, e sempre que você voltar, eu vou te seguir.”

Então ela virou-se e Oisin a acompanhou, não voltando para Knock an Ar para ver seu pai ou seu filho.  Naquele mesmo dia, eles partiram para Tir na n-Og e não pararam, até que chegou ao castelo do pai dela.  E quando eles chegaram, já hvia uma recepção,  pois o rei pensou que sua filha estava perdida.

Nesse mesmo ano houve a escolha de um rei, e quando o dia marcado chegou no final do sétimo ano, todos os grandes homens e os campeões, e o próprio rei, se reuniram na frente do castelo para correr e ver quem deve ser o primeiro a sentar na cadeira na colina.  Mas antes que qualquer um deles estivesse na metade do morro, Oisin já estava sentado na cadeira antes dele.

Após esse dia, ninguém se levantou para correr Oisin, e ele passou muitos anos felizes como rei em Tir no n-Og.

Fonte: Jeremiah Curtin, Myths and Folk-Lore of Ireland (mitos e folclore da Irlanda) (Boston: Little, Brown and Company, 1890), pp. 230-233.

Fontes – Site:

http://www.pitt.edu/~dash/oisin.html

http://www.sacred-texts.com/neu/celt/mfli/index.htm

Livro completo (em inglês):

http://www.sacred-texts.com/neu/celt/mfli/index.htm

Mais livros do autor no site do Projeto Gutemberg:

http://www.gutenberg.org/browse/authors/c#a1053

A mulher lobo

Havia um moinho encantado, de modo que ninguém poderia ficar lá perto, porque uma mulher lobo o assombrava.  Um dia, um soldado foi para o moinho para dormir. Ele fez uma fogueira na entrada do moinho, subiu ao sótão, e viu um buraco no piso do chão, que dava para a entrada.

A pele está pendurada lá

A loba entrou e olhou em volta, para ver se podia encontrar algo para comer. Ela não encontrou nada, e depois foi em direção ao fogo, e disse: “Sai pele! Sai pele! Sai pele! Sai pele!”.  Ela levantou-se em cima de suas patas traseiras, e sua pele caiu. Ela pegou a pele, e pendurou em um cabide, e fora da pele do lobo surgiu uma moça. A moça foi para perto do fogo, e adormeceu ali.

Ele desceu do sótão, pegou a pele, pregou ela rapidamente na roda do moinho, e em seguida, entrou, gritando por ela, e disse: “Bom dia moça! Como você está?”

Ela começou a gritar, “Venha pele! Venha pele! Venha pele!”  Mas a pele não poderia vir, pois estava pregada.

O par se casou e tiveram dois filhos.

Assim que filho mais velho soube que sua mãe era um lobo, disse a ela: “Mamãe! Mamãe! Ouvi dizer que você é um lobo.”

Sua mãe respondeu: “Que absurdo você está falando! Como você pode dizer que sou um lobo?”

O pai das crianças foi um dia lavrar no campo, e seu filho disse: “Papai, deixe-me ir com você.”

Seu pai disse: “Venha”.

Quando eles foram para o campo, o filho perguntou ao pai: “Papai, é verdade que a nossa mãe é um lobo?”

O pai disse: “É.”

O filho perguntou: “E onde está a sua pele?”

Seu pai disse: “Aí está, pregada na roda do moinho.”

Mal o filho chegou em casa, que ele disse uma vez à sua mãe: “Mamãe! Mamãe! Você é um lobo! Eu sei onde é sua pele.”

Sua mãe lhe perguntou: “Onde está a minha pele?”

Ele disse: “Há, na roda do moinho”.

Sua mãe lhe disse: “Obrigado, meu filho, por me salvar.” Então ela foi embora, e nunca foi se ouviu dela”. (1)


 

  • Fonte original: A. H. Wratislaw, Sixty Folk-Tales from Exclusively Slavonic Sources (London: Elliot Stock, 1889), pp. 290-291.
  •  

     

    Fonte do texto:

    http://www.pitt.edu/~dash/type0402.html#shewolf

    Nota:

    Já li um conto muito parecido, só que no lugar da mulher lobo, é uma mulher foca que aparece – uma selkie.  No conto, ela vai brincar na praia com outras selkies, um pescador as vê e rouba a pele dela. Em posse da pele, ele a obriga a casar com ele. Ela tem um filho e tempos depois ele descobre onde está a pele da mãe dele. Ele indica o local porque fica com pena da tristeza dela. Ela quer voltar pra casa. Ela recupera a pela e volta para o mar. Mas de vez em quando, ele sai de barco e vai falar com mãe dele, que voltou a ser foca.

    Interessante essa lenda, porque nunca vi uma lenda de lobisomem em que ele ou ela, pendura a pele em algum local.

    Mais lobisomens: O Lobisomem de Morbach.

    https://casadecha.wordpress.com/2010/06/01/o-lobisomem-de-morbach/

    Kaguya Hime (via Contos do Covil)

    Há muito, muito tempo, existia um velhinho e uma velhinha, que viviam juntos numa casa no meio da floresta. Eles eram muito pobres e solitários, pois não tinham filhos para criar. O velhinho era conhecido pelo nome de Cortador de Bambus, pois, todos os dias, ele saía cedo para cortar bambus na floresta. Os dois faziam cestas e chapéus para vender e ganhar algum dinheiro. Um belo dia, enquanto estava na floresta, o velhinho avistou um broto de bam … Read More

    via Contos do Covil

    A origem da morte

    Lenda bosquímana

    Nós, quando a Lua recentemente retorna à vida, quando outra pessoa nos mostrou a Lua, nós olhamos para o lugar em que o outro nos mostrou a Lua e, quando olhamos para lá, percebemos a lua, e quando percebemos isso, fechamos os nossos olhos com nossas mãos, nós exclamamos: “kabbi-á além! Pegue minha cara além! Darás a tua face me lá! tomarás o meu rosto lá! O que não lhe faz sentir beml. Me darás me teu rosto, – (com), com o qual você, quando tiveres morrido, terás um novo regresso, viverás, quando não esperarmos, tu regresserás novamente, – que também pode assemelhar-te. Pois,  além de alegria, que sempre possuirá, ou seja, que tu não vai mais voltar vivo, quando não percebemos ti, enquanto a lebre te disse sobre o assunto, que deves fazer assim. Tu anteriormente disse a nós, que nós retornaremos à vida, quando nós morremos. ”
    A lebre foi quem assim o fez. Ele falou, ele disse que não iria ficar em silêncio, pois sua mãe não voltaria a viver, pois sua mãe estava completamente morta. Por isso, ele chorava muito por sua mãe.

    A Lua respondeu, dizendo a lebre sobre isso, que a lebre deveria parar de chorar, pois, sua mãe não estava completamente morta. Pois, a mãe queria dizer que ela voltaria a viver.  A lebre disse que não estava disposta a ficar em silêncio, pois, ele sabia que sua mãe não voltaria mais a viver. Pois, ele estava completamente morta.

    E a Lua se irritou com isso, que a lebre [1] falou assim, que ele não concordava com ele (a Lua). E ele bateu com o punho, cortando a lebre na boca, e quando ele batia na lebre, exclamou: “Isso, a sua boca, que está bem aqui, será sempre assim, mesmo quando você virar uma lebre ; [2], ele deve ter sempre uma cicatriz na boca, ele será afastado da primavera. Os cães devem persegui-lo e  quando eles pegá-lo, eles devem rasgá-lo em pedaços, ele deve morrer totalmente.

    “E os que são homens, eles devem morrer completamente e ir embora, quando morrerem. [4] Com efeito, ele não estava disposto a concordar comigo, quando eu disse a ele sobre isso, que não deveria chorar por sua mãe, pois, sua mãe ele viveria novamente, ele disse-me que, sua mãe não voltaria a viver. Portanto, ele deve transformar-se em uma lebre. E o povo dele deveria morrer também, pois ele falou que a mãe não voltaria.

    Eu falei a ele sobre isso,  que eles (o povo) também seriam iguais a mim, seriam como eu sou, que eu, quando eu estou morto, eu retorno a vida novamente.  Ele me contradisse, negou tudo o quanto eu dito sobre ele. ”

    Portanto, nossas mães disseram, que a lebre era antigamente um homem, e por ele ter agido dessa forma, então a Lua o amaldiçoou, transformando-o em  lebre. Nossa mãe me disse que, a lebre tem carne humana em si [| | katten TTU (4) e, portanto, nós, quando matamos uma lebre e temos a intenção de comê-la, nós descartamos a carne “biltong” (4), que é a sua parte humana, nós deixamos de lado. Pois mesmo que a vejamos como uma lebre, sua carne não é. Pois a carne pertence ao tempo em que ele foi um homem.

    Portanto, nossas mães não davam para nós aquele pedaço da carne, quando elas percebiam que era o pedaço de carne da lebre que antes era a de um homem. Nossas mães nos falaram a respeito, não sentimos que nossos estômagos ficariam incomodados se comêssemos aquele pequeno pedaço de carne, enquanto nós sentimos que era carne humana, não é de carne de lebre, pois, a carne, que ainda está na lebre é a de homem. Portanto, ainda há um homem na lebre, e por causa das obras da lebre é que a Lua nos amaldiçoou; e que devemos morrer para sempre. Pois, nós deveríamos ter uma outra vida, quando morressemos, mas a lebre que não quis concordar com a Lua, e mesmo a Lua estando disposto a conversar com ele sobre isso, ele contradisse a lua.

    Portanto, a Lua falou, ele disse: “Vós humanos, vós, quando morrer, desaparecerão completamente. Pois, eu disse que, quando morresssem, deveriam surgir novamente, não morreriam para sempre. Pois, eu, quando eu estou morto, eu vivo novamente. Eu tinha previsto isto, vós que sois homens seriam iguais a mim e fariam as coisas que faço, que eu não morro completamente. Vocês, que são homens, foram o que fizeram esse ato e, portanto, eu tinha pensado que eu lhes daria alegria. Mas a lebre, quando eu pretendi dizer sobre isso, – quando eu senti que eu sabia que a mãe da lebre não tinha realmente morrido, pois, ela dormia, – a lebre foi quem me disse, que a mãe não dormia, pois, sua mãe tinha morrido. Essas foram as coisas que eu me provocaram a ira, enquanto pensei que a lebre diria: ‘Sim, minha mãe está dormindo. ”

    Pois, por conta dessas coisas, ele (a Lua) tornou-se irritado com a lebre, pois a lebre que deveria ter falado dessa maneira: “Sim, minha mãe está dormindo, ela vai se levantar.” Se a lebre tivesse concordado com a Lua, então, nós, as as pessoas, deveríamos ter nos assemelhado à Lua, pois, a Lua tinha anteriormente dito, que nós não deveríamos morrer totalmente. A obras da lebre nos fizeram amaldiçoados pela Lua, e nós morremos completamente, de uma única lebre que o contradisse.  Essa história é o relato de porquê morremos e vamos  embora, por conta das ações da lebre, e só ele era o único que não concordava com a Lua.

    A Lua falou, dizendo que ele (a lebre) deve cair morta em lugar deserto; parasitas viram mordê-lo, no lugar onde ele estava deitado, ele não deve habitar a mata, pois, ele deveria ficar em algum lugar ermo, enquanto ele não se encontrasse sob uma árvore. Ele deve deitar em algum lugar descampado. Portanto, a lebre costum, quando ele nasce, sacudir a cabeça, enquanto ele sacode, faz cair os vermes de sua cabeça. Portanto, ele balança a sempre a cabeça, para que os parasitas possa cair dele.

    (Este, entre as diferentes versões da Lua e a Lebre da estória chamada “A Origem da Morte”, foi escolhida por conta das oração a Lua Nova.)

    Notas do conto:

    (1) Era um jovem lebre masculino, o narrador explica.

    (2) A lebre foi também uma pessoa, mas, a Lua amaldiçoou, ordenando que ele deveria tornar-se umaebre.

    (3)  O significado de | | katten TTU, ainda não está clara, e os esforços para nós obtermos uma lebre, que pode ser verificada qual exatamente a seria esse pedaço de carno para os bosquímanos, foram infrutíferas. A TTU no final da palavra indica algum tipo de cavidade do corpo humano.

    Depois de mandar estas folhas para a imprensa, o Dr. J.N.W. Loubser, a quem eu tinha pedido informações sobre esta peça de carne, foi tão bondoso que me enviou as seguintes linhas, acompanhado de um diagrama, que infelizmente já era tarde demais para incluir nas ilustrações deste livro:

    “No que diz respeito à carne biltong, muitas vezes tenho visto a minha mãe cortando carne seca, e sabemos que cada pedaço de carne contém apenas um biltong verdadeiro, ou seja, o pedaço de carne não precisa ser cortada na forma usual oblongai. Em outras palavras, é um músculo dessa forma.  Do meu conhecimento anatômico só posso encontrar correspondente no femoris bicelis museulus do homem.  É, portanto, um músculo bem no alto da coxa. ”

    (4) O narrador explicou | kwaii ser “carne biltong” (ie, carne magra, que pode ser cortada em tiras e secada ao sol, fazendo “biltong”).]

    Tradução literal do conto.

    Fonte:

    http://www.sacred-texts.com/afr/sbf/sbf74.htm

    clipped from www.wdl.org
    Pintura em Pedra S00568, Belém, ...

    Esta pintura rupestre San mostra animais de chuva na postura de cabeça para baixo, uma indicação habitual de morte, na cultura San. Para os San, esta morte era tanto literal quanto metafórica. Metaforicamente, a morte envolvia a passagem de um feiticeiro para o Mundo Espiritual que se acreditava existir por trás da superfície rochosa. A pintura é do Estado Livre da África do Sul oriental, que é conhecida por suas representações de antílopes de cabeça para baixo em uma variedade de contextos incomuns.

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