Arquivo mensal: abril 2010

O samurai e a raposa

Samurai

A estória de um jovem samurai que ofereceu o Sutra de Lótus à Buda, em troca do descanso da alma de uma raposa

Há muito tempo atrás, havia um jovem e belo samurai, que vivia em Kyoto, seu nome ninguém sabe. Uma tarde, em seu caminho para casa, passava ele pelo portal Shujaku do palácio Imperial  quando ele viu uma jovem de figura extremamente graciosa, com uns 18 anos de idade, vestida em um belo robe de seda,  parada na avenida principal.

Ela lhe pareceu tão linda com seus cabelos negros como as penas de um corvo flutuando na brisa gentil que o samurai ficou imediatamente fascinado por ela.  Ele se aproximou da garota e a convidou para entrar no portal e conversar um pouco com ele. Ela concordou com  ele com grande alegria.

Ela lhe pareceu tão linda com seus cabelos negros como as penas de um corvo flutuando na brisa gentil que o samurai ficou imediatamente fascinado por ela

Eles ficaram em um lugar quieto dentro do portal e ficaram conversando. Logo as estrelas começaram a brilhar luzindo aqui e ali no céu e mesmo a silhueta da Via Láctea surgiu.

Geisha de Kyoto

Disse o jovem:

“Nós nos encontramos aqui por uma feliz graça da providência divina, eu devo dizer.  Por isso, você deve aceitar o que peço – de todas as formas. Nós devemos compartilhar os mesmos sentimentos. Eu te amo e acho que você me ama também”

Respondeu a garota:

“Se eu concordar com todos seus pedidos, eu morrerei. Este é meu destino.”

“Seu destino morrer?”  – as palavras dela ecoaram na cabeça do samurai – “isso é impossível. Você está simplesmente está dizendo isso para me evitar.”

E tentou segurá-la em seus braços. A garota se libertou de seu abraço e disse:

“Eu sei que você tem uma esposa e você está dizendo que me ama no calor do momento. Eu estou chorando porque eu vou morrer por causa de um homem caprichoso.”

“Agora voltarei para casa – para morrer por sua causa, como te falei ontem à noite.  Quando eu me for, por favor diga preces pelo descanso de minha alma copiando o Sutra de Lótus e os oferecendo para o misericordioso Buda.”

Ele negou tudo que ela disse, de novo e de novo até que ela consentiu.  Nesse meio tempo as estrelas e a Via Láctea estavam reluzindo com todo o brilho nos céus. Uma noite de romance.

Eles encontraram um lugar na vizinhança e passaram a noite juntos. Um grilo solitário foi ouvido cantando através da noite…

O sol de verão apareceu cedo. A garota disse:

“Agora voltarei para casa – para morrer por sua causa, como te falei ontem à noite.  Quando eu me for, por favor diga preces pelo descanso de minha alma copiando o Sutra de Lótus e os oferecendo para o misericordioso Buda.”

O jovem disse:

“É a maneira do mundo que um homem e uma mulher fique assim tão próximos um do outro.  Você não está destinada a morrer por causa disso.  Entretanto se você morrer, eu não vou falhar com você. Eu prometo.”

A garota disse tristemente, tentando ajeitar seus cabelos:

“Se você se importar em saber se o que falo é verdade ou não, venha até a vizinhança de  Butoku-den*  esta manhã.”

O jovem samurai não conseguia acreditar no que disse a linda garota. Ela disse num tão tão pesaroso:

“Me deixe ficar com seu leque como uma lembrança.”

Ela pegou o leque.  Ele tomou as mãos dela e olhou direto nos seus olhos.

Ele a seguiu até lá fora, e ficou parado até que a figura desapareceu no véu cinza da manhã cinzenta.

O jovem não conseguiu cogitar que as palavras da garota eram verdadeiras.  Entretanto, durante a manhã ele foi até aos lados de Butoku-den porque ele estava muito ansioso para descobrir o destino dela.

Lá ele viu uma velha senhora sentado em uma pedra, chorando amargamente.

“Por quê a senhora está chorando assim?  Qual o problema com você, senhora?” perguntou a ela.

“Eu sou a mãe da jovem que você viu perto do portão de Shujaku  noite passada.  Ela está morta agora,”  ela respondeu.

“Morta?” o rapaz respondeu com um olhar incrédulo.

“Sim, ela está morta.  Eu fiquei aqui esperando por você, para lhe dar a triste notícia. O corpo dela está bem ali.”

Assim dizendo, a velha senhora apontou para uma esquina do grande salão e no próximo momento ela tinha desaparecido como mágica ninguém sabe para onde.

O jovem  samurai, aproximando-se do lugar apontado, encontrou uma jovem raposa morta no chão, seu rosto coberto com um leque branco aberto, o leque dado por ele!

“Então esse raposa era a garota que encontrei noite passada!” ele disse pesaroso para ele mesmo.  Ele não podia ajudar e sentiu muita pena pela pobre raposa.

Ele retornou para casa com o coração pesado.

Ele começou a copiar o  Sutra  de  Lótus imediatamente, como foi pedido pela raposa enquanto na forma da linda garota.  Ele achou a tarefa muito difícil de continuar. Porém, ele copiou um sutra por semana e o ofereceu a Buda e rezou pelou repouso da alma da raposa morta, dia e noite.

Uma noite, cerca de seis semanas depois, o jovem samurai sonhou um sonho, um estranho sonho no qual ele encontrava a linda jovem. Ela parecia tão nobre e divina que ele pensou que se tratava de uma ninfa celestial.

Estátua de kitsune e filhotes

Disse a jovem em seu sonho:

“Você me salvou ao escrever o Sutra de Lótus e oferecer muitos deles a Buda. Através de seus esforços renasci no Paraíso livre de pecado. Eu sou eternamente grata a você!”

Notas:

1) Título original/fonte:

Kitsune Japan’s Fox of Mystery, Romance, and Humor by Kiyoshi Nozaki.

links:

2) Mais sobre a kitsune:

https://casadecha.wordpress.com/2009/08/10/kitsune/

http://www.scribd.com/doc/3870634/Kitsune-Japans-Fox-of-Mystery-Romance-and-Humor-by-Kiyoshi-Nozaki

O mistério do Keddie Resort

Keddie é um lugarejo que fica no condado de Plumas, Califórnia. Nele, havia  Keddie resort, um conjunto de 33 construído entre as montanhas. Era um local antes muito procurado por turistas e por quem quisesse passar um bom tempo longe da cidade. Descrito por quem morou lá como um lugar para se respirar ar puro, com farta vida selvagem e floresta para apreciar. Para muitos, traz boas lembranças de um riozinho chamado Feather river, um riacho onde poderia se tentar a sorte e apanhar um peixe. Resumindo, um típico local para uma família norte-americana passar as férias.

Como se pode ver pelas fotos acima, tiradas da janela de uma das cabanas, érealmente um local muito bonito, mas o que ninguém esperava, era que em local que mais parecia um paraíso perdido, fosse se transformar num cenário de um brutal crime.

Glenna Sharp, ou Sue para os amigos, tinha 36 anos e já morava no Keddie Resort fazia alguns  meses. Ela tinha alugado a cabana de número 28. Sue tinha cinco filhos: John, de 15 anos; Tina Sharp, 12 anos, Sheila, de 16 anos  e duas crianças menores.

Era dia 11 de abril de 1981, um dia como qualquer outro. Glenna estava em casa esperando por John e o amigo dele, Dana Wingate, de 17 anos. Eles tinham saído e estavam voltando para casa pedindo carona, como testemunharam depois algumas pessoas.

Depois de algum tempo, Craig Walters, um estudante do colégio Feather River deu carona a eles, os deixando em casa. Segundo se apurou, através do relato das crianças sobreviventes, os assassinatos ocorreram logo após os dois chegarem.

O mais estranho é que haviam mais três crianças num quarto da casa, dois filhos de Glenna e os assassinos não os feriram. Ainda mais estranho é que ninguém das cabanas próximas ouviu nada.

Assim que amanheceu, Sheila voltou para casa e gritou horrorizada quando viu os três corpos desfigurados no chão da sala. A irmã Tina tinha desparacido.

A polícia foi chamada e encontrou um cenário de horror. Os corpos, que estavam amarrados com fios elétricos e amordaçados com fita adesiva, haviam sido golpeados com um martelo e uma faca de churrasco.  As facas encontradas na cena do crime foram usadas com tanta fúria que as lâminas estavam quebradas no meio. O local estava coberto de sangue, móveis quebrados e paredes esburacadas.

O local ficou tão mal falado que as pessoas começaram a abandonar o resort. Os donos conseguiram vender o lugar e os atuais aindam pensam numa maneira de reviver o local. Há até um comentário de gosto dúvidoso, escrito em um site, que sugere que alugue o local para festas de Halloween ou para turismo bizarro.

Há relatos de pessoas que dizem que moraram na cabana 28, que o local traz boas lembranças, assim como  há relatos de gente que viu fantasmas no local. Até mesmo a própria Sheila, uma das sobreviventes, diz ter visto a palavra “no” escrita em uma parede ou porta, e que meia hora depois ao voltar lá a palavra havia desaparecido.

Para aumentar ainda mais o mistério, é muito estranho que se tenha permitido que pessoas morassem no local, pois se o caso não tinha sido resolvido, alguma prova poderia ter sido destruída. Apesar de sites dizerem que o local foi lacrado, há muitos testemunhos em fóruns dizendo que sim, a cabana foi alugada novamente.

Lembre-se que nos Estados Unidos, crime de assassinato nunca prescreve, então foi um total desleixo o que aconteceu nesse caso.

Até hoje o crime não solucionado. O local abandonado, fazendo com a economia do lugar fique estagnada. A cabine 28 foi demolida em 2006, mas a repercussão do que aconteceu lá permanecerá, e quem sabe um dia todo o mistério poderá ser desvendado.

Mais sobre o caso:

http://www.asylumeclectica.com/asylum/sightseer/us/ca/keddie.htm

http://en.wikipedia.org/wiki/Keddie,_California

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Keddie_Murders