O legado de um povo

Nos tempos antigos, eles tinham um belo costume de capturar um pássaro (1), para liberá-lo sobre a sepultura na noite do enterro, assim o pássaro carregaria o espírito do morto para o descanso celestial. E a sua ansiedade de resgatar os corpos dos guerreiros mortos em batalha, e a impossibilidade de deixar os velhos e indefesos para morrerem sozinhos no deserto, foi  o resultado de uma crença de que as almas daqueles que não receberam os ritos funerários vagariam inquietos e infelizes.

Pode-se facilmente imaginar que um povo que tanto amou o seu lar e reverenciou o túmulo de seus pais, ficaria indignado e com raiva, ao ver-se tratados desumanamente e tendo suas relíquias sagradas dos mortos arrancadas e espalhadas com indiferença como se fossem pedras, ou ossos dos alces e os veados da floresta.

Foi este sentimento que muitas vezes os levou a atos de hostilidade, que aqueles que testemunharam atribuíram a eles grande crueldade e barbárie. Um exemplo ocorreu em
Nova Inglaterra, onde as peles postas na sepultura da mãe de um Sachem foram roubadas e, o cacique reuniu seu povo e os convocou para a vingança. Ele se inspirou em sua piedade filial, e os ditames de sua religião. Ele assim ele falou:

“Quando a última das gloriosas luzes de todo o céu ficam debaixo deste mundo, e as aves ficaram em silêncio, eu começo meu repouso, como é de meu costume. Antes que os meus olhos se fechassem, julguei ver uma visão, em que meu espírito estava muito perturbado, e tremendo nessa visão triste o espírito gritou, “Eis, meu filho, aquele em que me alegrei, veja os seios que te amamentaram, as mãos que te mantiveram quente, e alimentaram. Podes esquecer de se vingar daqueles povos selvagens que desfiguraram o meu túmulo, desdenhando de nossa relíquias e honrados costumes? Veja agora que a sepultura de um Sachem é igual a de pessoas comuns, desfigurada por uma raça ignóbil. Tua mãe queixa-se, e implora tua ajuda contra essas pessoas gatunas, que recentemente invadiram a nossa terra. Se isso não for feito não vou descansar tranqüila no meu eterno descanso.”

Essa tribo tem sido conhecida a visitar o local que havia habitado, em tempos antigos, e o lugar do enterro de seu povo, apesar de abandonado há eras, e passar horas em silenciosa meditação, e fará isso até que toda a esperança tenha morrido em seus peitos, ou a última gota de sangue seja derramada, não deixam a grama que cobre o pó de qualquer de seus parentes seja pisado por estranhos.

Sobre sua hospitalidade  a qual me referi várias vezes,  há muitas anedotas para ilustrar esse traço de seu caráter. O egoísmo que continuamente vi naqueles que estavam ávidos de lucro, era algo que eles não poderiam compreender. Em muitas das suas aldeias, existia uma casa para hospedar visitantes, onde eles eram acomodados, enquanto os anciãos iam à coleta de peles para eles pudessem dormir, e comida para eles comerem, sem esperar recompensa.

Era rude para as pessoas ficar encarando os forasteiros quando eles passavam nas ruas, e  eles tinham tanta curiosidade quanto os brancos, mas eles não ficariam felizes em se intrometer entre eles e examiná-los. Eles, às vezes, escondiam-se atrás de árvores, a fim de olhar para estranhos, mas nunca se olhou abertamente para eles. Sua respeitosa atenção aos missionários era freqüentemente o resultado de suas regras de polidez, como é uma parte do código do índio, que cada pessoa deve ter uma audiência respeitosa.

Seus conselhos tem uma regra de decoro, e nenhuma pessoa é interrompida durante um discurso. Alguns índios, depois de respeitosamente ouvir um missionário, pensaram que eles deveriam relatar algumas de suas lendas. Mas o bom homem branco não pôde conter a sua indignação, e chamou-as de fábulas tolas, enquanto afirmava que o que ele tinha dito a tribo era uma verdade sagrada.

O índio, por sua vez, se ofendeu e disse: “Nós escutamos suas histórias. Porque você não ouvir as nossas? Você não sabe nada sobre as regras de civilidade!”

Em outra estória, um caçador, em suas andanças por presas, acabou em uma assentamento de brancos na Virgínia, e em virtude da inclemência do tempo, buscou refúgio na casa de uma agricultor, que ele viu na porta de casa. Foi recusada a sua entrada na casa. Estando ele com muita fome e sede, pediu um pedaço de pão e um copo de água fria. Mas a resposta a pedido foi:

“Não, você não terá nada aqui. Vá embora cachorro índio!”

Alguns meses depois, este mesmo fazendeiro se perdeu na mata, e depois de um dia cansado de andanças, chegou a uma cabana indígena, em que ele foi bem acolhido. Perguntando sobre a distância mais próxima de um assentamento, e encontrando-se longe demais para ele pensar em ir naquela noite, ele perguntou se ele poderia pernoitar. Muito cordialmente os donos da casa responderam que ele tinha liberdade para ficar, e todos eles estavam a seu serviço. Deram-lhe comida, eles fizeram uma fogueira para animar e aquecê-lo, e lhe deram pele de veado limpa para servir de cama, e prometeram conduzi-lo no dia seguinte em sua jornada. De manhã, o caçador índio e o fazendeiro partiam através da floresta. Quando chegaram à vista de uma habitação do homem branco, o caçador, antes de ir embora, voltou-se para seu companheiro, e disse: “Você não me reconhece?”

O branco homem foi tomado por horror que ele tinha ficado em poder de quem ele tinha maltratado a um tempo atrás, e esperava agora a experimentar a sua vingança. Mas, quando começava a pedir desculpas, o índio interrompeu, dizendo:

“Quando você ver pobres índios desmaiando por um copo de água fria, não lhes diga mais uma vez: “vá embora, seu cachorro índio” e voltou para suas terras.

Qual deles foi mais cristão e seguiu mais o preceito que dizia “Na medida em que vos fizestes vos ao menor destes, o fizestes para Mim? ”

(1)

Os pássaros são ligados a jornada da alma depois da morte. Para os tribos norte-americanas, soltar um pássaro durante o enterro, significa que ele está levando a alma do morto para o seu repouso eterno.

Links:

http://www.mythencyclopedia.com/Be-Ca/Birds-in-Mythology.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Assiniboine

Sobre shironaya

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Publicado em fevereiro 19, 2010, em estados unidos, lendas e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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