O Primeiro Canguru

soldierandkangoroo

Soldado americano brinca com a mascote do regimento, um canguru. Ano de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.

O primeiro canguru

De acordo com os moradores da região sudeste do  país, no distrito de Monaro, Monte Kosciusko, Goulburn, da cordilheira de Currockbilly, Mittagong, Burragorang e para o norte até o rio Nepean, houve época em que os cangurus não estavam no terra.

É dito por aquele povo que  o primeiro canguru foi levado  para a Austrália sobre o maior vento que já soprou.

Aquele vento tinha vindo das planícies. Ele soprava em volta do distrito da cordilheira de Macdonnell, formava um redemoinho que voltava para o noroeste da Austrália, provavelmente em algum lugar entre Perth e Fremantle, varrendo o golfo australiano e  finalmente desembocando em algum lugar do mar da Tasmânia. Durante todo esses terríveis sopros e andanças o primeiro canguru teve dias estressantes.

Ele não podia aterrisar. Ele foi pego pelo vento errante e jogado para cima e para baixo. Em seus esforços para conseguir uma posição segura as patas traseiras se esticaram, e se elas não tivessem crescido desse jeito ele nunca teria descido,  exceto no mar, onde ele teria sido afogado.

Enquanto isso, um chefe aborígene estava procurando por uma nova terra. Sua tribo havia abandonado o local onde haviam acampado durante muitos meses e onde a caça tinha se tornado escassa. Assim, o chefe usou a pintura que trazia boa sorte (1), e saiu para encontrar um pasto novo e prolífico.  Ele tinha viajado muitos dias sem ver um lugar melhor, e estava prestes a regressar ao seu povo, mas a abelinha nativa que colhia o pólen da acácia perto dele atraiu a sua atenção, e enquanto ele olhava ele a viu mergulhar até uma piscina que estava no solo negro aos pés de uma árvore que floria.

O aborígene se inclinou e com uma destreza que só ele possuía, apertando o inseto, as asas ficaram entre o indicador e o polegar da mão direita. Ele levou a abelha para onde ele tinha visto um ninho de vespas, e tirando um dos favos, ele embebeu os dedos com a substância e colocou um pouco dele no traseiro da da abelha. Então ele procurou cerca de um arbusto de algodão e logo encontrou um. As vagens estavam estourado e as bolas brancas e estavam prontas para cair. Enfiando um chumaço de algodão na cera de abelha ele a liberou. A sensação estranha e a carga pesada fez o pequeno inseto zigzaguear para casa, e não era foi problema para o chefe  mantê-lo à vista.

Indo e indo ele caminhou, nunca olhando para baixo, nem para a direita nem para a esquerda, mas sempre para cima, seguindo o vôo da abelha.

No entanto, ele não estava destinado a ver o ninho. Acima nos céus algo chamou sua atenção e ele perdeu a abelha.

Na verdade, ele esqueceu.

A mais estranho massa de nuvens que ele nunca tinha visto estava pairando no ar. Era de cor sépia com bordas pretas. Fervia e ondulava e deslizava. Ondulava e enrolava e explodia e esfiapava. Longas espirais de cor mais clara trabalhavam formas maravilhosas contra o marrom, mas desenhando e contraindo, e em ondas como uma rio de bandeiras ondulantes, agora em linha reta como lanças, agora dobrado como milhões de bumerangues, agora destacando, em seguida, aderindo, a temível e  impressionante massa de vapor vinha do Ocidente. Pedras grandes foram caindo lá. Grandes construções e paredes cambalearam e cairam e bateram. Florestas gigantes nasceram e acenaram durante uma tempestade gigante e foram derrubadas. E mesmo com todo o tumulto de vapor no ar, a terra abaixo estava calma e serena. Enfrentava o inevitável, e o inevitável era uma catástrofe.

De repente, começou a escurecer.

A noite dentro do dia desceu em um segundo, apagando tudo. Mas no céu uma luz maravilhosa apareceu. Longos fluxos líquidos de fogo começaram a partir do sul, e atirou rajadas  pelos céus de pólo a pólo. Eles deslizaram de oeste para leste. Vermelho e amarelo, roxo e marrom, rosa e cinza, dourado e preto, branco e verde pálido. Todas essas cores em longos dedos esticados em linha reta de pólo a pólo, enrolaram-se e cruzaram, e morreram em direção a leste. O infeliz aborígene nunca tinha visto tal visão.

Mas ele tinha ouvido falar dele.

Pareceu-lhe que talvez uma vez na vida um homem teria o privilégio de ver uma coisa dessas. Ele se encolheu diante do fenômeno.

Depois veio o furacão. Com o vento as luzes e as nuvens se foram e a noite (pois era realmente noite então) se mostrou estrelada e clara.

Mas o vento continuava a rugir. Logo acima das árvores passou uma forma negra.  Ela tinha pernas longas da quais pendiam e garras. As garras não estavam muito acima da cabeça do nativo. Era claramente um animal. Ele podia ver o corpo e o pescoço, a cabeça, as orelhas e os olhos, mas em poucos minutos ela tinha ido embora.

De algum jeito ele parecia saber que era coisa de comer. Então, ele tomou coragem.  Ele realmente acreditou que o animal foi enviado pelo grande espírito, porque ele tinha se pintado com os sinais, e ele estava com fome de carne, e ele estava caçamdo, e não por si próprio, mas à procura de alimento para seu povo.

Então ele se deitou para dormir, acreditando que pela manhã ele iria encontrar carne.

Toda a noite o vento soprou. Ainda estava soprando pela parte da manhã.

E ele tinha tanta certeza de que era para trazer-lhe alguma coisa boa que ele não moveu um centímetro.

As abelhas voltaram em grandes enxames. Mas ele esperava pela criatura.

Ela veio.

Ela flutuava como antes, sendo carregada pelo vento. As longas pernas e garras ainda balançavam. O aborígene a seguiu. Ele enfrentou uma viagem terrível, mas, finalmente, ele a vi agarrar suas garras na copa de árvore, o vento passou e ela caiu. Mas, como um relâmpago ela se pôs de pé, e com grandes saltos sobre as pernas longas ela se lançou na mata e se perdeu de vista.

O chefe voltou para a tribo, memorizando o caminho para a nova terra. Lá havia abelhas e pássaros, e havia muitas plantas que davam raízes suculentas. E abundavam de sementes de gramíneas.  Então, para lá a tribo mudou seu acampamento e ficaram por muitos dias. Aqui e acolá eles  avistavam o novo animal que tinha feito crescer as suas pernas longas para tenta agarrar o chão, mas se passou muito tempo antes de ser capturado. Deve ter acontecido de um companheiro ter vindo de algum lugar, porque o que foi avistado provou ser jovem e outros foram vistos.  A carne era boa e a pele estava coberta com um pelo muito quente.

Anos depois, alguém descobriu como curtir a pele.  A resina vermelho sangue da árvore Bloodwood foi embebido em água para tingir a pele. Uma mulher queria que ela fosse tingida. A pele foi imersa na água colorida  por alguns dias, e quando ele foi removido, não só foi as peles foram tingidas de vermelho, mas a própria pele tinha mudado.  Estava mais adequada para uso.  Desde então,  os aborígenes encharcavam todas suas peles de animais em uma solução nessa goma, e assim eles as curtiam.

Todo mundo que tinha visto o fenômeno das nuvens  acreditaram que seu chefe tinha sido atendido pelo Grande Espírito e o canguru foi enviado por sobre o mar para socorrê-los.

Fonte:

http://www.sacred-texts.com/aus/peck/peck13.htm

C. W. Peck. Australian Legends. 1925.

Notas:
(1) A pintura corporal aborígene é uma tradição muito antiga e tem sido praticada por milhares de anos e como outros aspectos da cultura varia dependendo da tribo e local. A pintura do corpo, rosto, os ornamentos, plumas tem mais do que aspecto decorativo, mas tem um significado relacionado com as leis, religiões e convenções sociais. Também têm um significado espiritual muito grande, sendo usado em diversas cerimônias religiosas. A dança e a pintura juntas indicam o relacionamento da tribo com a natureza, a terra, ancestrais, animais e o seu meio ambiente.

Eles são um meio de comunicar a idade, grupo social, o parentesco. Combinações de símbolos podem contar uma estória . Uma pessoa não pode mudar sua pintura e nem pode se pintar, isso é tarefa de um parente.

Fazer cicatrizes no corpo também faz parte dessa linguagem, geralmente eles usam materiais cortante e jogam cinzas em cima para deixar uma cicatriz permanente.

traduzido de: http://www.gondwananet.com/aboriginal-body-painting.html

Link da foto:

http://www.awm.gov.au/collection/013225/

Sobre shironaya

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Publicado em novembro 17, 2009, em austrália, contos, lendas e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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