Cães Negros Guardiães do Outro Mundo

Black_Dog_Pub_Sign,_Bouley,_JerseyMais uma vez tenho de mencionar a série sobrenatural, pois em vários de seus episódios são mencionados os “cães do inferno” que vêm buscar a alma das pessoas condenadas, como no episódio dedicado a Robert Johnson, Crossroads Blues. Eles são recorrentes na série e toda vez que chega “a hora” de alguém que vendeu a alma, eles vêm levá-los.

A figura do cachorro através da mitologia mundial parece ter sofrido uma evolução até chegar na figura do guardião do mundo inferior.

Na mitologia pré-islmâmica há três interessantes representaçoes do cachorro. Primeiro como fiel companheiro do homem. Em uma lenda ele é criado por Deus para proteger Adão e  e Eva dos outros animais, que foram convocados por Satanás para atacá-los. Em outra, ele é feito do mesmo barro que Adão, tanto é assim que a palavra sag (dog) deriva do termo she-yak (o terceiro, um terceiro) que indica o senso de humanidade do animal. Mas um outro mito o traz como resultado do pecado.

Isso começa a conectar o cão com forças ocultas. Já no Antigo Egito Anubis que é o guardião e condutor para o outro mundo.  Essa associação também aparece no épico Mahabarata e entre os gregos, pois a deusa Hecate tem como bichinho de estimação o cão Cérbero, guardião dos portais do inferno.

A idéia do cachorro como guardião de almas já vem de observações de sítios arqueológicos, pois parece que o homem primitivo usava o cachorro para destruir corpos. Isso deve ter conectado a idéia de que o cão também estava devorando a alma do morto.

Já para os Parsis indianos e escoceses das ilhas Orkney, fazer os cães devorarem a carne de mortos fazia parte dos ritos funerários. Para os romanos ele eram usados para os mortos sem nenhuma importância que nao mereciam um enterro melhor.

O cachorro, principalmente o de cor negra, passou a ter uma percepção muito negativa. Havia um decreto do profeta Maomé que mandava matar todos os cães que fossem totalmente negro. E com o desenvolvimento do cristianismo, ele passou a ser associado com pecado, prostitiução, o mal.

Não é de admirar então que cães negros passaram a ser associados com o mal encarnado.

Na tradição anglo-saxã ele pode ter vários nomes * que sempre são associados com a treva. Eles é descrito como tendo olhos vermelhos brilhantes, pêlo eriçado, são enormes e tem cheiro de enxofre. Eles são vistos em locais isolados, como trilhas, encruzilhadas, sítios pré-históricos, igrejas abandonadas.  Eles passam através de objetos sólidos, desaparecem ou se auto-incendeiam.

O relato mais antigo data de 1127, quando dois padres viram caçadores negros montados em cavalos ou bodes negros,seguidos por uma matilhas de cães negros com horríveis olhos enormes.

O pior relato é de 1157, quando houve ataques durante duas missas. Em ambos os locais houveram mortes e sinais de arranhões nas portas das igrejas.

A evolução do cão negro como figura sombria e punitiva continua com o advento da literatura gótica, como no conto de Ian McEwan, Cães Negros, uma metáfora da tristeza interior e perda da esperança.

Notas:

1) * Nomes a ele atribuído:  Barghest, Barghaist, Barguest, Barguest, Barn-ghaist, Skriker (Yorkshire), Shuck, Black Shuck, Old Shuck (Norfolk), Witch Hounds (Sul da Inglaterra), Kirkgrim (Escandinávia), Gwyllgi, o cachorro das trevas (Gales), Padfoot (Devon), Old Shock, Shucky Dog, Black Shuck, o Monstro Shug (East Anglia), Scarfe, Gally-trot, Gallytrot, Galley Trot, Moddey Dhoe (Suffolk),  Moddey Dhoo,que significa “cão negro” e é pronunciado “Mauther Thoo”  em gaélico de Manx  (Isle of Man), Trash, Guytrash, Skriker (Lancashire), CappelWestmorland), hooter (Warwickshire), Jack Peludo (Lincolnshire), shag dog (Leicestershire),  Gurt Dog ou ‘cachorro grande’ (Somerset), cachorro negro conhcido como o Muckle Black Tyke e gaélico como Choin Dubh. Cu Sith ou cachorro das fadas mais comumente verde ou branco (Escócia).

2) cachorros sem cabeça foram vistos em in Dartmoor, Cumbria, Sussex, Shropshire, Suffolk, Devon e Norfolk (Bord & Bord, 1985; Brown, 1958; Farson, 1978). Cachorros de duas cabeças são visto ocasionalmente  (Bord & Bord, 1985; Brown, 1958). Algumas vezes os cães negros tem cabeça e pernas de outros animais ou humanas sendo relatadas que às vezes também lhes faltam algumas partes (Brown, 1958; McEwan, 1986).

3) “Le Tchan de Bouôlé” (figura acima) significa cachorro de Bouley, sua aparição  é um presságio de tempestades e é vistona Baía de Bouley, Jersey, nas Ilhas Channel.

traduzido de:

www.blackdoginstitute.org.au/docs/Raphael.pdf

Outros sites:

http://www.indigogroup.co.uk/edge/bdogfl.htm

http://www.mysterymag.com/earthmysteries/?page=category&subID=74

Sobre shironaya

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Publicado em outubro 7, 2009, em contos, dinamarca, europa, Inglaterra, lendas, suécia e marcado como , , , , , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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