Arquivo mensal: junho 2009

A colonia perdida: Croatoan

Antes da partida de White, os índios Croatoan visitaram a ilha de Roanoke e convidaram os colonos a morarem com eles. Os colonos aceitaram a proposta e disseram a white. Então combinaram o seguinte: se eles tivessem de partir escreveriam a palavra CROATOAN em uma árvore e se por acaso, a partida fosse feita sob condições hostis e adversas, escreveriam uma cruz acima de CROATOAN (portanto, não há nada de misterioso nessa palavra, mas com certeza a venda de livros aumenta se semear o mistério).

Em 27 de agosto de 1590, ele partiu e encontrou um cenário de guerra na Inglaterra. Todos foram convocadas para a defesa da Inglaterra. E sob o comando de Raleigh, a Armada Formidável da Espanha foi derrotada.

Em 22 de abril de 1588, White retornou para o Novo Mundo, mas no caminho foi orbigado a retornar devido a um embate com navios de guerra. Nenhuma nova tentativa foi feita até 20 de março de 1590, quando eles voltaram con três veleiros. Eles só alcançaram Roanoke em agosto.

Agora, de acordo com o relatórios da viagem, escrita pelo escritor Richard Hakluyt, “durante a tarde de 15 de agosto eles ancoraram em * Hattorask, a uma profunidade de 9,15 metros longe da margem. Assim que eles aportaram, White viu uma grande coluna de fumaça vinda do lugar onde ele deixou a colônia em 1587. Na manhão seguinte, dois botes com White e os capitães Cook e Spicer foram à terra. Ele deu instruções ao mestre canhonheiro para deixar prontos dois * minions e um falcão para disparar, dentro de um certo espaço de tempo entre um tiro e outro, assim avisando aos remanescentes da colônia que eles estavam chegando.

Eles rumaram com os botes na direção da grande fogueira, até que eles resolveram soltar a âncora próximo da praia. Então eles chamaram, tocaram trombetas, cantaram e nada de resposta.

Quando amanheceu eles ancoraram e encontraram grama e árvores queimadas de onde vinha a luz. Continuaram até Dasamonguepeuk, caminhando próximo à praia, até o lado norte da ilha. Durante todo o caminho eles viram pegadas de nativos, de dois ou três tipos.

Quando eles atingiram um banco de areia, encotraram misteriosas palavras romanas escritas na árvore, C.R.O., de acordo com um código secreto entre eles e o governador, assim ele saberia que eles se mudaram para um local cinquenta milhas longe dali. Ele ficou preocupado, mas como não encontrou nenhuma cruz acima das siglas, então eles tinham partid sem maiores problemas. Rumando para o vilarejo, ele encotrou as casas demolidas e tudo  cercado por uma grande paliçada, como se fosse uma fortaleza. E em um dos troncos usados na paliçada, encontraram a palavra CROATOAN. Feito isso, entraram no lugar, onde encontraram diversos objetos e barras de metal espalhados pelo chão, quase cobertos por grama e ervas daninhas.

E apesar dele ter ficado desgostoso “com toda a mercadoria espalhada por ai”, ele se alegrou que eles tivessem se dirigido para Croatoan, que era o lugar onde Manteo tinha nascido e onde eles tinham amigos.

Um tempo ruim obrigou-os a voltar para o veleiro e devido a perda de três âncoras, fora uma eles decidiram abandonar a idéia de ira naquele instante para Croatoan e foram para a ilha de Saint John. Então passaram o inverno nas Índias Ocidentais e depois rumaram para Croatoan. Um dos veleiros voltou para a Inglaterra, pois estava em péssimas condições.

Os outro dois veleiros ficaram um tempo procurando saquear navios espanhóis, até que em voltaram para a Inglaterra e aportaram em Plymouth em 24 de outubro de 1590.

* Alguns estudiosos dizem que Croatoan era o nome do lugar, e que os ingleses deram esse nome depois aos índios que lá moravvam.  O verdadeiro nome da tribo seria Hatteras (ou Hattorask, como chamam os croatoans.) Esses índios estavam em Roanoke quando a colônio aportou. Os indios não moravam na ilha, na verdade lá seria um acampamento de caça e pesca ou talvez um local mais fresco para ficarem durante o verão.

Minion e Falcão – dois tipos de canhões do século 15 e 17.

Dasamonguepeuk, no lado ocidental de Croatoan, parece ser o condado de Dare hoje em dia. Era possivelmente a sede da tribo de Roanoke, os quais devem ter uma vaga conexão com Chowanoke e Secotan.

Leia mais em:

https://casadecha.wordpress.com/category/a-colonia-perdida-de-sir-walter-raleigh/

https://casadecha.wordpress.com/2009/11/10/a-colonia-perdida-de-raleigh/

https://casadecha.wordpress.com/2010/06/07/a-colonia-perdida-de-sir-walter-raleigh-capituloii/

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A Colônia Perdida de Sir Walter Raleigh

Nessas andanças pela internet esse livro encontrei no archive.org um livro muito bom sobre a estória da “colônia perdida” de Roanolke, mas conhecida por Croatoan, apesar de Croatoan não ser o nome do lugar mas apenas uma palavra escrita se referindo a um lugar.

Se você quiser ler o original a url é http://www.archive.org/details/sirwalterraleigh00mcmil

Croatoan? Mas que mistério é esse? A primeira vez que ouvi isso foi numa estória em quadrinhos de um escocês. Não me admira os escoceses, assim como os bretões em geral, tem fama de estar ligados a esse sobrenatural  bem intimamente… Por exemplo, estórias de fantasmas: parece que toda a população de fantasmas foi morar na Grã-Bretanha e não sobrou nenhum por resto do mundo…

Essa estória também é fantasmagórica: aonde foram parar 114 pessoas? Sir Walter voltou para resgatá-los e nada sobrou, além da palavra escrita na árvore. No quadrinhos, Sete Soldados da Vitória, eles se miscigenaram com um tipo de raça demoníaca e deram origem a uma vila de bruxos nos subterrâneos da terra.

Mas e a estória real? Foi isso que encontrei nesse livro de 1888, e pensei em compartilhar um pouquinho aqui. Pela curiosidade e pra me lembrar depois do que li. Mas vou logo dizendo que não se trat de estórias de fantasmas, mas uma interessante estória do destino da colônia.

Tudo começou em 1583, a Inglaterra de Elizabeth estava num período turbulento, ela tinha rejeitado a proposta de matrimônio do rei Felipe da Espanha e tinha sido favorável a Holanda, que estava em guerra com Espanha,f ornecendo armas e exércitos para que eles reconquistassem o território holandês.

Enquanto a Inglaterra se preparava para a eminente guerra, a rainha deu a Sir Walter uma carta em que tornava ele dono de territórios na América do Norte, isso tudo por ele ser um militar altamente qualificado.  Durante as preparações para o conflito, ele organizou uma expedição para a América, que foi comandada por Philipe Amadas and Arthur Barlowe. Lá eles aportaram e tomaram posse de várias áreas, inclusive a ilha de Roanoke. Eles voltaram para a Inglaterra com os nativos Manteo e Wanchese, a intenção deveria ser impressionar eles com a grandiosidade da Inglaterra, além claro de estabelecer relações amigáveis e conseguir ajudar para colonizar as terras.

Eles retornaram noutra expedição. Manteo se tornou Lord de Roanoke e Dasanguepeuk. Já Wanchese  se tornou um ferrenho inimigo dos ingleses. Hoje em dia existe uma cidadezinha com o nome dele dentro do condado de Dare (por sinal Dare é o sobrenome da primeira criança “inglesa” nascida no território americano).

A segunda expedição foi em 1585, sob o comando de Sir Richard Grenville. Ele voltou com seis veleiros e chegou em Roanoke no mês de julho de 1585. Levou uns quatro meses para chegar, se ele saiu em 9 de abril. As viagens era realmente demoradas… Ao retornar em agosto, ele deixou uma colônia na ilhade Roanoke, sob o comando de Ralf Lane.

O problema é que apesar de ter feito muitas descobertas, os colonos se sentiram abandonados e embarcaram de volta para a Inglaterra com Frances Drake, que tinha dado uma parada ali e estava retornando para a Grã Bretanha e deu uma carona a eles.  Com isso, não ficou nenhum inglês nas terras americanas.

Depois de um mês que os colonos partiram, chega Richard Grenville com suprimentos e não encontrando ninguém, deixou por lá quinze homens. Eles nunca mais foram vistos.

Mas Raleigh não desistiu e mando John White para lá,  junto com outros colonos, eles tinham o encargo de comandar e assistir na fundação da cidade de Raleigh, que deveria ser fundada na baía de Chesapeak.

Mas os comandantes do navio estavam mais preocupados em ir para as Índias ocidentais e ir até a baía custava tempo, então “convenceram” o governador a ficar na Ilha de Roanoke.

De acordo com seus relatórios, eles batizaram Manteo, que dali em diante se tornou senhor de Dasamonguepeuk, pelos seus inestimáveis serviços. Ao mesmo tempo nascida a neta do governador nasceu, filha de Eleanor e Ananias Dare. Foi batizada como Virgínia, por ser a primeira criança a nascer no territória da Virgínia.

Mas aconteceu que em 21 de agosto daquele ano,  1585, um violenta tempestade que destruiu um dos veleiros. Os colonos pediram que ele voltasse para pedir suprimentos e interceder por eles.

Como a garça azul trouxe a maré

A Great Blue Heron (Ardea herodias) taken in Santa Barbara by Dori

Era a época de recolher os ovos dos gansos que estiveram nidificando no pântano. Quando Muradja, o chefe, acendeu um fogo e fez sinais fumaça na planície, centenas de homens, mulheres e crianças encheram rápido o território de caça. Todos adoravam a coleta de ovos de ganso, pois eles sabiam que em breve teriam as barrigas cheias e um suprimento de ovos para negociar com tribos mais distantes.

Jarras* e sacos transbordariam quando a coleta chegasse ao fim, e todas as manhãs e à noite, as fogueiras enviariam altas colunas de fumaça no ar tranquilo. O cheiro dos cozidos fariam suas narinas tremer, e após a festa haveriam jogos, canções e danças, enquanto os mais velhos nos seus solenes conselhos  olhariam tolerantemente a arruaça dos jovens.

E assim, como tinha acontecido mais vezes do que a memória dos anciãos poderiam recordar, os gansos proveriam alimentos e prosperidade para as tribos, e Muradja estava satisfeito com a coleta de ovos. Os ovos foram examinados cuidadosamente cada noite, enquanto os mais velhos se debatiam se os pintos estavam se formando. Isso seria um sinal de que a época da postura de ovos estava chegando ao fim, o momento em que as crianças e os jovens seriam advertidos de que eles não deveriam comer mais. Depois que os ovos seriam reservados para os mais velhos.

‘Este é o dia, “Muradja anunciou enfim. ‘Vocês se alimentaram bem, como eu posso ver a partir de suas lustroso barrigas. Em breve iremos retornar ao nosso próprio território de caça. Vocês podem levar o seu suprimento excedente para negociar, mas não deverão mais comer os ovos de ganso. Vocês irão encontrar apenas alguns restantes no ninho. Traga-os para o conselho e vão em paz.

Naquela noite Windjedda, o filho de Muradja, discutiu com seu pai. Ele era um jovem atrevido, estragado pela demasiada atenção das mulheres. Ele ainda não era um homem, pois a sua iniciação nas fileiras dos homens ainda esperava no futuro.

“Porquê?”, Perguntou ao pai. “Porque não devemos comer os ovos remanescentes?”

“Se nós comermos todos eles não haveria gansos no próximo ano, o que significaria nenhum ovo”, Muradja respondeu gentilmente.

“Mas vocês podem comê-los, você e os anciãos”.

“É um privilégio que os anos trouxeram para nós, meu filho. Algum dia você pode será o líder da coleta de ovos, e será o seu privilégio também.”

“Não vejo por que eu não deveria pegá-los agora. Não tem importância se mais ninguém sabe. Minha barriga ainda não está cheia.”

“Você é um rapaz tolo, “censurou o pai.”Quando você estiver pronto para o seu teste você irá aprender que o apetite é a primeira coisa que você deve controlar. Se você não puder faze-lo você nunca vai saber controlar a dor e o medo, e até chegar essa hora, você não será um homem. ”

“Eu não temo a dor,” Windjedda bradou.

“Vamos pôr isso à prova agora,” o seu pai disse calmamente, “a menos que você pare de falar e deixe-me dormir. Eu disse que você era um menino tolo, e cada palavra que você fala confirma o meu pensamento. Se você comeu mais algum ovo após a proibição do conselho, eles vão virar veneno na sua barriga e você ia morrer.”

Windjedda sabia que ele tinha ido longe o suficiente. Ele deitou-se perto do fogo, mas diante das centelhas cintilantes ele deu um largo sorriso ao pensar que seu pai esperava que ele acreditasse nessa besteira. Ele sabia que era apenas estórias de velhos, feitas para que pudessem comer tanto quanto desejassem. Fazendo planos para despistá-los, ele adormeceu ainda com o sorriso em seu rosto.

Na manhã seguinte, quando os homens tinham saído para caçar *cangurus wallabies, ou para pescar, ele saiu do capinzal do pântano onde tinha sido escondido. Olhando em volta para ver que ele não foi observado, ele se dirigiu para a fogueira onde uma anciã estava cozinhando ovos para o conselho.

“Dêem-me um dos ovos,” Windjedda exigiu. A velha mulher olhou para ele em espanto.

“Você ouviu o que o teu pai disse ontem, Windjedda. Não existem mais ovos para você, ou eu, ou qualquer pessoa, exceto os mais idosos”.

“Dêem-me aquele”, ele repetiu, apontando para o maior ovo. “Estou com fome. Ninguém vai saber.”

A velha mulher brandiu seu pau para ele. “Você é um garoto ruim. Não vou deixar você quebrar nossos costumes tribais.”

Windjedda pegou um ovo fresco e quebrou na própria cabeça. Com o conteúdo do ovo correndo em seu rosto, ele apressou-se para a praia onde Muradja estava caçando peixes com sua lança e chorou,

“Vejam o que a velha fez para mim! Você permitir que isso aconteça ao seu filho?”.

O chefe estava indignado com o insulto feito a seu filho. Se ele tivesse pensado um pouco sobre o assunto teria percebido que Windjedda não era confiável. Nesse caso, ele teria convocado uma reunião do conselho, e a verdade teria sido descoberta. O ódio distorce o julgamento de um homem, e assim foi com Muradja.

Balbuciando feitiços, ele correu até a praia, atravessando o ar com sua lança, seguido de perto por um Windjedda cheio de prazer. A seus pés a maré borbulhava e corria ao longo da areia. Não parou na marca da maré alta. Espalhou-se sobre toda a terra seca, circundou os morros, transformando-os em ilhas, e correu através do matagal em direção ao grande acampamento. As fogueiras evaporaram momentaneamente, até que foram extintas pelas águas do dilúvio.

As mulheres e as crianças correram para uma grande árvore banyan e subiram, mas a água subiu até que a árvore foi coberta, e eles foram levados e se afogaram. Os pescadores e caçadores encontraram o mesmo destino. Apenas Muradja e Windjedda escaparam. Eles foram transformados em garças azuis, as aves que correm até o a maré alta nas margens do Mar de Timor até os dias de hoje.

A.W. Reed, Aboriginal Fables and Legendary Tales

Notas:

* Na verdade o nome uso foi wallaby, que seria não um canguru, mas uma outra espécie da mesma família. Mas nesse caso, achei que mesmo errado, o uso do termo canguru seria mais adequado. Ele seria menor do que o walaru eo canguru.

* Quanto ao uso do termo jarra, no momento não achei nada que explicasse melhor, pois a figura me pareceu uma jarra de madeira.

fonte: http://www.artistwd.com/joyzine/australia/dreaming/blue_heron.php