Arquivo mensal: maio 2009

O Mito do Predador

lobo1

atualização no tema lobisomen: https://casadecha.wordpress.com/2009/08/04/romasanta/

Mito do Predador

Através das eras, mesmo na era pré-histórica,  enquanto seu uivo atravessava a quietude da natureza e a noite enchia de medo o coração do homem primitivo que lá longe rastejava para a segurança de alguma caverna fria e escura; medo semeado ao longo dos séculos, quando ainda era conhecido como o saqueador dos rebanhos dos pastores, não poupando atacar na floresta as crianças, donzelas ou até mesmo o viajantes solitários; mais próximo ainda, era o tempo em o reflexo vermelho dos seus olhos por toda a triste planície de neve intocada durante o luar metálico e frio paralisava alguns grupos de viajantes, e os cavalos estáticos faziam uma pausa aterrorizada no seu frenético galope ,…. todos as visões do lobo durante os imemorial séculos foram sempre  inevitáveis, impiedoso inimigo do homem, e, poucos animais do mundo tem essa aura de fantasia para o mundo, ou melhor, a experiência e os conhecimentos adquiridos de nossos antepassados, nos investiram e cercaram com tantas supertições e crenças que são horrivelmente verdadeiras e falsas.

As características distintivas do lobo são uma desenfreada crueldade, bestial ferocidade, e fome voraz. Sua força, sua astúcia, sua velocidade foram consideradas qualidades anormais, quase misteriosas, ele tinha uma coisa do demônio. Ele é o símbolo da noite e do inverno, da força e da tempestade, do escuro e misterioso prenúncio da morte.

Na Bíblia o lobo é sempre o símbolo de traição, selvageria e sanguinolência…

fonte: http://www.stavacademy.co.uk/mimir/wolflegends.htm

Montague Summers, The Werewolf

Wolf Pecking Order

Wolf Pecking Order from http://strive2be2.vox.com/

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O Tigre por William Blake

Tigre Tigre Olhos Incandescentes

Tigre, tigre, brilho incandescente

dentro das florestas à noite

Que imortais mãos ou olhos

Poderiam moldar tão temível simetria?

2

Em que distante profundezas ou céus

Queimam o fogo dos teus olhos?

Em que asas veio essa chama?

Que mãos ousam tocar nesse fogo?

3

E qual ombro e qual arte?

Poderia mudar as fibras do teu coração?

E quando teu coração começou a bater

Qual horrível mão teria forjado seus pavorosos pés?

4

Qual martelo? Qual corrente?

Em que fornalha estava teu cérebro?

Que bigorna? Que terrível abraço

Ousou conter teu horrível terror?

5

E quando as estrelas desferiram seus raios,

e inundaram os céus com as lágrimas delas,

Ele sorriu por Seu trabalho ver?

Aquele que criou o cordeiro também Te fez?

6

Tigre, tigre, brilho incandescente

dentro das florestas à noite

Que imortais mãos ou olhos

Ousaram moldar tão temível simetria?

http://www.cummingsstudyguides.net/Guides2/Tiger.html

Mais sobre Blake:

http://blig.ig.com.br/juhnath/2009/05/27/william-blake/

tradução por Shironaya, 2009

Como o tigre adquiriu suas listras

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Manu, a eight-year-old male standard royal Bengal tiger

Bengal tigers: Manu, a 8 year old male Standard Royal Bengal Tiger
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Jannaki, a two-year-old female standard royal Bengal

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Kanja, a six-year-old female standard royal Bengal

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Matsu, a two-year-old female standard royal Bengal

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Karupa, a two-year-old female, one of only 30 golden tabby Bengal tigers in the world

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Bhara, a 10-year-old male, one of only 30 golden tabby Bengal tigers left in the world

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Ganga, an eight-year-old female royal white Bengal

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Samasta, a two-year-old female royal white Bengal

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Sundari, a two-year-old female snow white Bengal tiger

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Kaylash, an eight-year-old male snow white Bengal tiger

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Ohjas, a one-year-old male snow white Bengal tiger

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Há muito tempo atrás os tigres eram verdes, amarelos, vermelhos, brancos ou até mesmo na cor, mas eles não tinham listras. Eram de um única cor.

Um dia, um tigre cor de areia estava vagando em um campo de arroz, procurando por comida. Lá ele viu um enorme búfalo d´água s puxando um arado para um homenzinho. A mesma cor alaranjada do casaco do tigre aparecia no morrinho arenoso onde o tigre se agachou para ver a cena abaixo dele. Ele agitava o rabo enquanto o búfalo. De vez em quando o agricultor estalava um feixe na costa do búfalo de volta, e o tigre via o animal puxar ainda mais rápido.

O tigre assistiu o búfalo se esforçando e puxando e sofrendo. À medida que o tigre se tornava mais faminto, o búfalo lhe parecia. Finalmente, o tigre caminhou até o búfalo e o parou.

“Porque é que uma criatura poderosa como você permite que um homem pequeno e franzino como ele o faça sofrer?” ele perguntou. “Por que você não pode pegá-lo e comê-lo, tão facilmente como eu posso te comer.”

“Esta pequena criatura,” o búfalo disse, “tem a inteligência para fazer o trabalho. É por isso que me submeto a ele.”

“Inteligência?” o tigre perguntou. “O que é inteligência?”

“Eu não sei por que eu não tenho isso”, respondeu o búfalo. “Pergunte ao homem.”

Agora, o tigre estava orgulhoso de ser o mais temido dos animais na selva, mas ele nunca tinha ouvido falar dessa coisa chamada de inteligência. Ele olhou para o pequeno e magro agricultor e o enorme búfalo.

Inteligência, ele pensou, torna possível para o homem para controlar a enorme criatura. Ah, o que ele poderia fazer com que a inteligência, ele pensou. Ele nunca teria de se preocupar com a próxima refeição.

O tigre tinha que descobrir o que era inteligência. Ele se aproximou do homem.

“O que é inteligência?” o tigre perguntou o homem. “Eu quero vê-la.”

“Eu posso explicar o que é, mas eu não posso mostrá-la a você,” disse o homem. “Eu a deixei em casa. Se eu voltar para casa para buscá-la, você vai comer o meu búfalo”.

“Não vou comer o seu animal,” disse o tigre. “Eu prometo”.

“Eu não confio em você. Logo que eu me virar, você vai comer o meu búfalo”.

“Então o que eu posso fazer para convencê-lo de que não vou?”

“Deixa-me amarrar a você um tronco de árvore, enquanto eu vou para casa para pegar a minha inteligência. Quando eu voltar, vou te soltar.”

O tigre aceitou o plano do agricultor e se encostou na árvore. O homem coçou a cabeça e olhou para o tigre. “Não posso você se deitar.”

“Então você quer que eu me sente?”

“Sim”, disse o agricultor “, é melhor, agora basta segurar o tronco de árvore com suas pernas. Lá!”

Com o tigre de pé contra a árvore, o agricultor o amarrou firme ao tronco. Ele voltou com um punhado de erva seca, que ele colocou ao pé da árvore.

Então o homem pegou o feixe e começou a bater o tigre. “Esta é a minha inteligência”, disse ele. “E já que você é tão estúpido, vou queimá-lo e comer sua carne.”

Ele incendiou a erva seca. Quando as chamas alcançaram a árvore, queimaram a corda e o tigre se libertou. O tigre rugiu de dor. Ele lutou para se libertar e amaldiçoou-se por perguntar pela inteligência. Ele sacudiu o último nó queimado e, gemendo, cambaleando pela floresta.

Desde esse dia, tigres têm listras escuras em todo o seu corpo das marcadas deixadas pela corda chamuscada.

http://legends-folktales.blogspot.com/2007/01/how-tiger-got-its-stripes.html

O Dragão na Mitologia Ocidental

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O Dragão na Mitologia Ocidental

O dragão não é um conceito apenas dos chineses. Ele ocupa um lugar de destaque nas lendas e literatura da maior parte dos países da Europa. Cicero em seu” de Divinatione ” Capítulo, parágrafo 30), Euripides em seu ‘Thilostratus”(Capítulo I, parágrafo 2), e Homero em “Íliada” (Capítulo II, parágrafo 309), todos mencionam dragões. A Bíblia, tem vinte e duas referências no Velho Testamento e trinta no Novo Testamento, e se refere ao dragão tanto alegoricamente ou como um animal real; entretanto, em muitos destas passagens, especialmente no Novo Testamento, a palavra “dragão” é um conceito infeliz, pois é evidente que em muitas das citações os autores das Escrituras evidentemente tinham a concepção de um animal que muito provavelmente se tratava do jacal.

Os mitos e lendas da Europa tem lugar para diversas estórias de dragão com o qual somos mais ou menos familiares. Entre outras está a lenda de Perseu, que salvou Andrômeda de um dragão e a estória de São Jorge e o Dragão; o conto de Sigfried, que matou um dragão em Worms e a estória de Beowulf, que no primórdios da História, despachou um dragão depois de matar Grendel.

O Rei Artur que foi chamado de temível Pendragon,” é descrito por Tennyson, em seu “Idills of the King”, sentado em um autêntico trono de dragão o qual rivalizaria em esplender àqueles do imperadores Manchu. A imaginação vívida do poeta nos deu essa descrição:

“A coroa real o dragão dourado sustentava
E embaixo no seu manto o dragão contorciam-se em ouro
E do entalhe atrás do trono surgem
Dois dragões ornados, deslizando para fazer
Braços para seu trono, enquanto o resto deles
Através de laços e fitas e dobraduras inumeráveis
Passando sobre os entalhes até se encontrarem
A nova forma na qual eles se perdiam.”

Muitas cidades costeiras e localizadas perto de rios na Inglaterra, França, Itália, Egito ainda recontam orgulhosamente suas lendas locais de dragões crués que foram mortos, após batalhas amgníficas, perto de bancos de rios ou do mar. Nós podemos ler sobre o Dragão Verde de Mordiford, o Dragão de Norwich, o Grande Dragão de Pittempton, o Dragão de Naples, o Dragão de Aries, o Dragão de Lyons, o Dragão de Marselha, Sebec, o Dragão do Nilo e muito mais. Estas estórias são orgulhosamente guardadas como tradições sagradas de suas cidades e países.

A concepção chinesa dos dragões apresenta uma criatura muito diferente destas nações na fronteira do Mediterrâneo e Atlântico. É verdade que há alguns pontos de semelhança, mas vamos chamar a atenção de apenas um, aquele à respeito sua visão aguçada. Ambos os tipos são dotados com uma ótima visão. O dragão chinês é surdo e isso explica, porque seus olhos, através de uma compensação natural, tenham alcançado um poder extraordinário. Sua visão é tão boa que ele pode facilmente distinguir um pedaço de grama milhas adiante. Em adição a isso é interessante lembrar que a palavra “dragão” em inglês é derivado do grego “drakon”, que significa “encarar” ou “ver”, e os clássicos mais que uma vez se referem ao animal como “dotado de aguda visão”. Nós não sabemos quem primeiro ligou o nome inglês “dragon” à concepção chinesa de dragão, lung, mas é dificilmente aceitável ao mestre Oriental dos mares ser identificado com o estigma que acompanha o seu companheiro inglês. Desde a recente revolução, muitos religiosos tem sido ouvidos para expressar sua grande satisfação em ver que a bandeira do dragão desapareceu para sempre.

O erro do uso da palavra dragão fez com que as pessoas confundisse o monstro maligno mencionado no livro das Revelações com o animal tão reverenciado pelos chineses. O dragão chinês da idéia ocidental generalizada em três pontos principais: na aparência, na personalidade e em consideração ao que se acredita. Na aparência, a concepção européia varia muito pouco da criatura da qual é o seu provável protótipo, salvo pela adição de um par de asas. As espécies chinesas estão em um patamar mais alto. O último tem uma cabeça maciça de onde emergem dois chifres galhados. Estas espécies, com a exceção de Chib Lung, ou Li Lung, não tem asas mas viagem de lugar em lugar pelas nuvens. Ainda, umas das grandes diferenças entre as duas variedades está na personalidade. O europeu é geralmente retratado com um monstro cruel, a personificação de tudo que é mal e inimigo do homem. A arte cristã o representa como o oposto da lei, harmonia e progresso e símbolo do pecado e paganismo. Nesse sentido alegórico, ele é retratado lutando contra São Jorge, São Miguel e São Silvestre, o qual personificavam a cristandade e a iluminação. Santos e mártires são retratados no ato de esmagar dragões sob seus pés. Ao passo que os dragões chineses, são sua antítese. É uma criatura benéfica, um amigo do homem. Ela traz a chuva que produz as colheitas e que por sua vez, traz comida. O terceiro ponto de distinção entre os dois dragões reside na consideração dispensada a eles. As espécies ocidentais eram criaturas horríveis, abjetas, evitadas e temidas pelos mortais, enquanto que os dragões asiáticos são objetos de reverência e mesmo culto pelos chineses. Esta criatura é de fato tão reverenciada que um dos mais sagrados títulos concedidos aos imperados era “O Dragão Verdadeiro”.

Mais sobre dragões:

http://www.crystalinks.com/chinadragons.html

https://casadecha.wordpress.com/2009/09/21/variedades-de-dragao-chines

Mais dragões

Estive lendo sobre os dragões novamente… Sim, porque de acordo com a marioria de textos que li o Wirm também é um tipo de dragão. Hoje eu encontrei um blog interessante, o Farofa de Batata, que também fala sobre a lenda.

E tem muita coisa pra ler no site archive.org… Hoje fiz o download de um livro sobre dragões chinese. Talvez se der tempo, eu vou fazer um resumão do livro.

Parece que os dragões nunca vão sair de moda. Isso desde o tempo em que se viu ossos de dinossauro e os homens pensaram que era alguma besta mitológica. Por isso, segundo os cientistas, há sempre um relato sobre o animal em toda parte do mundo, justamente por causa desses ossos.

Queria aproveitar pra responder a um email que recebi aqui no post. Ninguém é muito de comentar, mas adorei o email que recebi. Quanto a de onde tirei os textos, é tudo uma mistureba de tudo que li na internet. Os contos são de domínio público, já tem mais de centenas de anos… Quanto Às outras versões sobre o Verme de Linto, realmente têm muitas versões… A minha foi traduzida de um dos sites e sim, os ingleses têm um dragão tipo verme também, só que ele atacava em Lambton… E como é mencionado em vários sites, essa cidade é muito próxima da outra (Linton).

Será que ele realmente andou por ali? Pode até ser, afinal pra quê o padre (ou seja lá quem for) ia mandar esculpir aquele cena de luta bem em cima da entrada da igreja… No mínimo, seria uma forma de marketing. Não, não posso esquecer que as lendas sempre se confundiram com a realidade… E isso é que as torna imortais.

Rei Verme

the lindworm by ~aztonic on deviantART

Rei Verme
Dinamarca, Swen Grundtvig
Era uma vez  um rei que tinha uma bela rainha. Na primeira noite do seu casamento, nada estava escrito na sua cama quando se retiraram, mas quando eles acordaram, estava escrito que eles não teriam filhos. O rei ficou muito triste, e mais ainda a rainha. Ela achou muito lamentável que não haveria nenhum herdeiro para o trono.

Um dia, perdida em pensamentos, ela vagava por um local remoto. Lá ela encontrou uma anciã, que perguntou a ela porque ela estava tão triste. A rainha olhou para cima e disse: “Oh, não adianta dizer nada para. Você não pode me ajudar.”
“Mas talvez eu possa”, disse a velha, e pediu à rainha para que ela contasse a sua história. Então, a rainha concordou, e falou da sua noite de casamento e de como havia aparecido uma mensagem escrita na sua cama dizendo que ela não teria filhos. Por isso que ela estava tão triste. A velha mulher disse que ela poderia ajudá-la a ter filhos. Esta noite ao pôr do sol ela deveria colocar um prato de cabeça para baixo no canto noroeste do jardim. Na manhã seguinte, ao amanhecer, ela deveria tirar o prato. Debaixo que ela iria encontrar duas rosas, uma vermelha e uma branca.

“Pegue a vermelho e coma, se você quiser um menino, se pegar a cor branca,  vai ser uma menina. Mas não deve comer as duas”, disse a anciã.

A rainha voltou para casa e fez o que a velha tinha dito a ela para fazer. Na manhã seguinte, quando o sol estava chegando, ela correu para o jardim e pegou o prato. Havia duas rosas, uma vermelha e uma branca. Ela não sabia qual das duas ela deveria comer. Se fosse a vermelha, ela teria um menino, e ele poderia ir para a guerra e ser morto e, de novo, ela não tem nenhum filho. Então, ela decidiu comer a branca, então seria uma menina que iria ficar em casa com ela e, em seguida, se casar e se tornar rainha em outro reino.

Assim, ela pegou a branca  comeu. Mas era tão gostosa que ela pegou a rosa vermelha e comeu ela também.

Agora por esse dias, o rei andava afastado na guerra. Quando a rainha notou que ela estava grávida escreveu para ele saber, e ele ficou muito satisfeito. Quando o tempo do nascimento chegou, ela deu à luz um verme. Logo que ele nasceu, rastejou para  debaixo da cama do quarto, e ficou por lá. Algum tempo mais tarde chegou uma carta do rei anunciando que em breve ele iria voltar para casa. Quando sua carruagem chegou na frente do castelo e a rainha saiu para recebê-lo, o vermezinho saiu também pois queria saudá-lo. Ele saltou para dentro da carruagem, dizendo, “Bem-vindo de volta, papai!”

“O quê???!”, Disse o rei. “Eu sou seu pai?”

“Sim, e se você não vai ser o meu pai, eu devo destruir o castelo e você também!”

O rei teve de concordar. Eles foram para o castelo juntos, e a rainha teve de confessar o que tinha acontecido entre ela e a anciã. Alguns dias mais tarde, todas as pessoas importantes da cidade e o conselho real tinham se reunido para receber o rei e para felicitá-lo pela vitória sobre seus inimigos. O vermezinho apareceu também e disse: “Pai, é tempo para eu me casar!”

“O que você está pensando? Quem ia querer você?” disse o rei.

“Se você não encontrar uma esposa para mim, seja ela jovem ou velha, grande ou pequena, rica ou pobre, então eu devo destruir você e todo o castelo também.”

Então o rei escreveu a todos os reinos, perguntando se alguém não casaria com seu filho. Uma linda princesa respondeu, mas ela achou muito estranho que não pudesse ver seu futuro marido antes de entrar na sala onde o casamento iria acontecer. Só então é que o verme apareceu, tomando o seu lugar ao lado dela. Os festejos do casamento chegaram ao fim, e já era tempo para se retirar aos aposentos nupciais. Mal eles entraram, ele comeu ela viva.

Tempos mais tarde, o aniversário do rei chegou. Eles estavam todos sentados à mesa, quando o vermezinho apareceu e disse, “Pai, eu quero me casar!”

“Que tipo de mulher ia querer você?” perguntou o rei.

“Se você não encontrar uma esposa para mim, seja ela quem for, vou comer você,  assim como todo o castelo!”

Então o rei escreveu a todos os reinos, perguntando se alguém não iria casar com seu filho. Mais uma vez uma bela princesa veio de longe. Ela também não foi autorizada a ver o seu noivo até que ela estava na sala onde iriam se casar. O verme entrou e tomou o seu lugar ao lado dela. Quando os festejos acabaram, e eles foram para o quarto,  o verme a matou.

Tempos depois, no aniversário da rainha, eles estavam todos sentados à mesa, quando o vermezinho veio e disse mais uma vez, “Pai, eu quero me casar!”

“Eu não posso te arranjar uma outra mulher”, respondeu o rei. “Os dois reis cujas filhas eu lhe dei agora estão em guerra contra mim. O que vou fazer?”

“Deixe eles vir! Enquanto estiver ao seu lado, basta deixá-los vir, mesmo se houvesse dez deles! Mas se você não encontrar uma esposa para mim, seja jovem ou velha, grande ou pequena, rico ou pobre, então eu devo destruir você e também o castelo!”

O rei tinha de concordar, mas ele não estava feliz com isso. Então, um dos pastores do rei, um homem velho que vivia em uma casinha na floresta, tinha uma filha. O rei foi até ele e disse: “Olha, meu querido homem. Você não quer me dar a sua filha em casamento para o meu filho?”

“Não, eu não posso fazer isso. Tenho apenas a uma criança para cuidar de mim agora que estou velho, e ainda, se o príncipe não cuidou das belas princesas ele não vai cuidar da minha filha, o que seria um pecado. ” Mas o rei insistiu e o velho teve de ceder.

O velho pastor foi para casa e contou tudo à sua filha. Ela ficou muito triste e, mergulhada em  pensamentos, foi andar pela floresta. Lá ela encontrou a anciã, que tinha ido para a floresta para recolher bagas silvestres e maçãs. Ela estava usando uma saia vermelha e uma jaqueta azul.

“Por que estás tão triste?” a velha perguntou.

“Tenho todas as razões para estar triste, mas não há qualquer razão para dizer a você, porque você não pode me ajudar.”

“Mas talvez eu possa”, disse ela. “Diz-me!”

“Bem, eu tenho de casar com o filho do rei, mas ele é um verme que já matou duas princesas, e eu sei de certeza que ele vai matar-me também.”

“Se você me escutar, talvez eu posso ajudá-la”, disse a anciã.

A menina estava ansiosa por ouvir o seu conselho. “Quando você for para o quarto após a cerimônia, você deve ter dez camisolas. Se você não tiver tantas, então você deve emprestar alguns. Peça para um balde de água cáustica, uma balde de leite adocicado, e uma porção de fios. Todas estas coisas devem ser levadas para o quarto. Quando ele aparecer, ele vai dizer, ‘Linda donzela, tire sua camisola! ” Então você deve dizer, ‘Rei Verme, tire a sua pele! Vocês vão dizer isso uns aos outros até que você tenha tirado as nove camisolas e ele nove peles. Até então, ele não terá outra pele, mas ainda assim você terá uma camisola. Então você deve  segurar ele. Ele nada vai ser nada além de uma trouxa de carne ensanguentada. Mergulhe os fios na água cáustica e bata nele até que ele tenha quase caído em pedaços. Então você deve banhá-lo no leite doce, enrole-o nas nove camisolas, e abrace-o. Você irá então adormecer, mas apenas por um curto período de tempo.”

A moça agradeceu-lhe o bom conselho, mas ela ainda estava com medo, por isso era na verdade uma perigosa empreitada com tal sinistra criatura.
O dia de casamento chegou. Um grande e magnífico coche trouxe duas serviçais que preparam a menina para o casamento. Então ela foi levada para o castelo e para a capela. O verme apareceu, tomou o seu lugar ao lado dela, e eles casaram. Quando chegou à noite, e foi tempo para ir para a cama, a noiva pediu uma balde de água cáustica, uma balde de leite doce, e uma porção de fios. Os homens todos riram dela, dizendo que era uma espécie de superstição camponesa fruto de sua imaginação. Mas o rei disse que ela deveria ter o que ela pediu, e eles trouxeram a ela. Antes de ir para o quarto, ela colocou as nove camisolas sobre a que ela já estava vestindo.

Quando ambos estavam no quarto o verme disse, “Linda donzela, tire sua camisola!”

Ela respondeu, “Rei Verme, tire a sua pele!”

E assim continuou até que ela havia retirado nove camisolas e ele tinha retirado nove peles. Ela encontrou nova coragem, pois ele já estava deitado ao chão com o sangue escorrendo livremente a ele mal capaz  de se mover. Então ela pegou os fios, mergulhou na água cáustica, e bateu forte como ela poderia até haver praticamente só um ramo entre as varas.

Então ela o mergulho no leite e o aninhou em seus braço. Ela dormiu, pois era tarde, e quando ela acordou, ela estava deitada nos braços de um belo príncipe.

Quando a manhã veio, ninguém se atreveu a olhar para o quarto, porque todos acreditavam que tinha acontecido com ela o mesmo que aconteceu com as outras duas. Finalmente, o rei quis olhar, e assim que ele abriu a porta ela disse, “Pode entrar! Tudo está bem!” Ele entrou e se encheu de alegria. Ele buscou a rainha e os outros, e houve uma grande celebração sobre no leito nupcial que nenhum outro tinha visto antes. Os jovens noivos se levantaram e foram para outra sala para se vestir, porque o quarto estava numa terrível confusão. Então, o casamento foi celebrado com pompa e alegria novamente. O rei e a  rainha adoraram a jovem rainha. Eles não podiam tratá-la melhor pois ela tinha resgatado sue vermezinho.

Tempos mais tarde ela engravidou. Houve outra guerra, e o velho rei e rei Verme foram para o campo de batalha. Quando sua hora chegou, e ela deu à luz dois belos meninos. Nesta época, o Cavaleiro Vermelho estava na Corte. Eles pediram-lhe para levar uma carta ao rei anunciando o nascimento de dois belos meninos. Ele se afastou a uma curta distância e abriu a carta e, em seguida, a mudou para que se lesse que ela tinha dado à luz dois cachorrinhos. O rei recebeu a carta e ficou muito triste. Ele achou incrível que ela tivesse dado à luz cães, embora não surpreendesse pois ele mesmo tinha sido um verme ou algo parecido. Ele respondeu que deveriam permitir que as criaturas vivessem livres até que ele voltasse para casa, isto é, se elas poderiam ser mantidas vivas. O Cavaleiro Vermelho foi mandado para entregar esta carta, mas a uma curta distância ele abriu e escreveu que a rainha e seus filhos deveriam ser queimados vivos.

A rainha mãe ficou muito triste com esta carta, para que ela gostava muito da jovem rainha. Pouco depois chegou uma outra carta, anunciando o regresso do rei. A rainha ficou assustada e não sabia o que fazer. Ela não podia imaginar vê-los queimados. Ela mandou as duas crianças a viver com uma ama de leite, pois ela esperava que o rei pudesse mudar de idéia quando ele voltasse para casa. Ela deu à jovem rainha algum dinheiro e comida e mandou-a para a floresta.

Ela vagou na floresta para dois dias e estava em grande necessidade. Ela foi até uma montanha alta,  que subiu sem parar. No topo, haviam três bancos. Ela sentou no do meio e espremeu o leite do seu peito, pois ela estava em grande sofrimento, não tendo os filhos com ela. Em seguida, duas grandes aves, um cisne e uma garça, voaram baixo e sentaram ao lado dela, e ela pressionou o seu leite em seus bicos. Eles estavam bem perto com ela. E no mesmo instante que sentaram lá, os dois transformaram-se nos mais belos príncipes que se pode imaginar, a montanha e virou o mais belo castelo, com servos e animais e de ouro e prata e de tudo o que deveria haver lá. Eles haviam sido encantados, o feitiço e nunca teria sido quebrado se não tivessem bebido o leite de uma rainha que tinham dado à luz apenas dois meninos. Ela foi com eles, com o Rei Garça e o Rei Cisne. Cada um queria casar com ela, para ela tinha resgatado os dois.

Entretanto Rei Verme chegou em casa e perguntou sobre a rainha. “É verdade!” Disse a velha rainha. “Você deveria estar perguntando sobre ela! Quem você pensa que você é?! Você não prestou atenção para o fato dela tê-lo salvado da maldição. Você foi em frente e escreveu-me que ela e as crianças devem ser queimados vivos. Pela vergonha! ”

“Não!” o Rei Verme respondeu. “Você escreveu para mim que ela tinha dado à luz dois cãezinhos. E eu respondi que você deve deixar que as criaturas vivessem até que eu voltasse para casa.”

Eles falaram e falaram durante muito tempo e, finalmente, perceberam que havia sido o Cavaleiro Vermelho estava por detrás da traição. Ele foi capturado, e ele teve de confessar. Eles o fecharam em um barril recheado de pregos, prenderam-no em quatro cavalos, que correram com ele pelas montanhas e vales.

O rei estava cheio de desespero sobre a sua esposa e filhos, quando ele descobriu que eram dois lindos meninos. A antiga rainha disse-lhe, “Não se preocupe, os meninos estão bem cuidados. Eles ficaram com amas, mas não sei como ela está passando. Eu dei-lhe alguma comida e dinheiro e mandei-a para a floresta, e, desde então, não temos ouvido nada dela.”

O rei ordenou que as crianças deveriam ser trazida de volta. Então ele tomou pegou alguma comida e algum dinheiro e foi para o bosque procurar por ele. Ele vagou cerca de dois e, em seguida, três dias procurando por ela, mas ele não conseguiu encontrá-la. Finalmente ele foi para o castelo na floresta. Ele perguntou se as pessoas não tinha visto uma donzela estranha na floresta, mas não tinham visto ninguém. Então ele entrou no castelo para ver que tipo de realezas viviam por lá. Ele foi para dentro. Assim que ele entrou, ele a viu, mas ela estava com medo, por que ela pensou que ele tinha vindo para queimá-la viva, e fugiu.

Os dois príncipes vieram. Eles conversaram e se tornaram bons amigos. Eles convidaram-lhe para o jantar. Ele mencionou a bela donzela e perguntou de onde ela era. Eles responderam que ela era uma pessoa adorável e que ela tinha libertado os dois. Ele queria saber o que do que ela tinha libertado eles, e eles disseram-lhe toda a história. Então ele disse que gostava muito dela e perguntei-lhes se eles não puderam chegar a um acordo sobre ela. Ele propôs que o jantar deveria ser muito salgado, e que a pessoa a quem ela pedisse uma bebida em sua saúde deveria ficar com ela. Os príncipes concordaram com este acordo, pois isso permita determinar qual dos dois ficaria com ela, pois eles não acreditavam que ela iria pedir a um estranho uma bebida à sua saúde.

Eles foram jantar, e ela disse:

A comida está muito salgada para mim,
Rei Cisne sentou ao meu lado,
Rei Garça é bom para mim,
Rei Verme bebas comigo.

Ele pegou a caneca de cerveja e bebeu a sua saúde. Os outros beberam a sua própria saúde, mas então eles tinham que beber à saúde dela, bem, e mesmo assim eles não estavam satisfeitos com o resultado. Então o Rei Verme disse que ela tinha salvado eles antes deles serem resgatados por ela. Por isso ele era o mais próximo a ela. Depois de ouvir isto, os dois príncipes afirmaram que se ele tivesse dito isso em primeiro lugar, que eles teriam a entregado para ele. Mas ele disse que não podia ter tido certeza disso.

Então o Rei Verme voltou para casa com a rainha. E nesse meio tempo, as crianças também tinham sido levadas de volta. O Rei Cisne manteve o castelo na floresta e casou uma princesa de outro reino. E o Rei Garça foi para um país diferente, onde se casou. Assim, cada um deles tinha alguém. O Rei Verme e a sua rainha foram grandemente honrados, enquanto eles viveram. Eles foram muito felizes e tiveram muitos filhos.

Mokele Mbembe e Mapinguari

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O assunto aqui são duas criaturas míticas. O mokele mbembe e o mapinguari. Um assombra as selvas do Congo e outro as selvas da Amazônia. Os dois foram “vistos” por muitas pessoas ou ouvidos e dizem até que eles já fizeram pessoas de refeição… Dizem.

Nas selvas do Congos, bem lá no fundo dos pântanos existe uma criatura parecida com o elefante e que deixa pegadas redondas. Alguns dizem que parece um dinossauro… Ele ganhou o nome de Mokele Mbembe… Segundo a língua Lingala é “aquele que para o curso dos rios”, mas também pode ser interpretado de diversas maneiras: aquele que come o topo das árvores, animal monstruoso, meio-deus,meio-besta e por aí vai… Já ouvi falar dessas lenda em vários programa de tv, mas comecei a pensar nela novamente ontem, quando falava do Mapinguari…

Interessante, mas esse relato de criaturas estranhas existem em todo o lugar do mundo… Mas to fugindo do assunto… Vamos voltar para o brontossauro… Dizem que ele tem pele lisa, cor cinza amarronzada ou nestes tons e que os pigmeus e os ocidentais que já o “viram” dizem que o bichinho se alimenta de um tipo de castanho e que se esconde ou moro em buracos no rio e pântanos, qualquer lugar coberto de água e longe da presença humana. Há mais de duzentos anos se fala dessa criatura tipo brontossauro e por mais que alguém seja incrédulo, acho difícil alguém não ter visto alguma coisa muito estranha pra surgir esse boato… Principalmente se foi visto por mais de uma pessoa.

Várias expedições que estiveram nessa região da África Ocidental, estudando outras coisas que não tem anda a ver com o mokele fazem relatos sobre a criatura, sons e visões de algo que parece um dinossauro. Uma das mais interessantes é do relato de Ivan T. Sanderson e Gerald Russel, que dizem ter ouvido um som assustador e depois ter visto a critatura, que saiude algum lugar de dentro do rio e ficou encarando os dois, por segundos que pareceu uma eternidade.”

Em 1981 a expedição de Herman Regusters voltou com material tipo pegadas e até o som de um animal desconhecido… Que você pode ouvir aqui: http://www.genesispark.com/genpark/mokele/mokelesound.wav… Mas, sinceramente, esse som é muito parecido com o uivo do vento, você decide.

Aqui na Amazônia, onde moro, é muito comum a gente ouvir as estórias do Mapinguari, o homem coisa com uma enorme boca na barriga… A estória é que ele seria peludo e vermelho, mas já houve gente que disse que ele tem uma carapaça de tartaruga nas costas, ou a pele de jacaré… Cada um tem sua versão. Quando anda, deixa pegadas redondas no mato, devem ser parecidas com as de elefante e são bem grandes, por volta de 40 cm ou 50. Já houveram também expedições procurando por ele, mas nada se encontrou… Penso que se uma criatura está escondida, deve querer permanecer desconhecida.

Muitos já disseram que se trata talvez de uma preguiça gigante pré histórica, que ainda vive nas matas. Os relatos dos índios há muito tempo falam dele, mas se acha que se havia algum remanescente já deve ter morrido. Provavelmente as antigas gerações indígenas talvez tenham convivido com o animal, daí o surgimento das lendas. Cientistas dizem que os índios criaram a estória quando viram grandes ossos de animais, daí deduziram a existência do monstro, mas há quem creia (eu também) que eles realmente viram alguma coisa.

Nos dias atuais, a lenda já está morrendo, na cidade grande ninguém acredita, mas no interior do Amazonas ainda existe a crença. Sei de gente, avô de alguém, tio-avô que já viveu algo muito estranho e é essa estória que quero contar no meu próximo post… Mesmo sendo um “bicho da cidade” ainda acredito no fantástico e nada é mais maravilhoso do que as estórias que o povo conta.

Por isso, todas as criaturas míticas desse mundo ainda vão viver muito tempo. Quem sabe um dia viveremos para ver o mokele mbembe do Congo ou o mapinguari. Assim como vivemos para ver que o celacanto ainda existia.

http://www.trueauthority.com/cryptozoology/mokele.htm

www.genesispark.org/genpark/mokele/mokele.htm

Mais informações sobre monstros perdidos na África:

https://casadecha.wordpress.com/2009/08/18/kongamato/

O Cisne Negro

Quando Wurruna retornou à sua tribo depois de uma jornada trouxe consigo armas nunca vistas antes pelo homem. Disse ele que as elas foram feitas numa terra onde há apenas mulheres e as armas foram dadas em troca de sua esteira de pele de gambá. Então as mulheres disseram:  “Vá! Nos traga mais esteiras e nós lhe daremos mais armas!”

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Cisne negro

As pessoas da tribo ficaram maravilhadas com as armas e concordaram em ir com ele à distante terra de mulheres em sua próxima expedição para Oobi Oobi, a montanha sagrada, levando esteiras com o propósito de troca cerimonial.

Mas Wurrunna advertiu seus companheiros antes de partir, pois havia perigos desconhecidos nessa planície. Eles estava certo de que as mulheres eram espíritos. Elas haviam dito para ele que não havia morte naquela terra, nem havia noite porque o sol lá brilhava sempre.

Wurrunna os avisou que ele daria a volta pelo outro lado da planície e faria um outro fogo para purificá-los assim que eles chegassem. Dessa maneira, nenhum mal se “agarraria” a eles e seria transportado de volta para a tribo. No caso deles demorarem demais, ele tinha um plano para avisá-los que era hora de sair.

Ele iria levar seus dois irmãos com ele.  Sendo ele um grande um grande curandeiro ou homem sábio, ele tinha planos de transformá-los em duas grandes aves aquáticas, e assim que ele acendesse o fogo ele enviaria seus irmãos até o lado oposto do acampamento. A idéia era que as mulheres ficariam maravilhadas e esqueceriam os invasores, que iriam para a planície e pegariam o que eles queriam.

Ele instruiu que cada homem levasse um anima e se as mulheres interferissem, eles o soltariam. Como não havia animais na planície, a atenção das mulheres seria desviada novamente. Em seguida, os homens deveriam se apressar para escapar de volta para a escuridão, onde as mulheres não os seguiriaj, pois elas teriam medo, acostumadas que estavam a sua terra onde sempre havia luz.

Cada homem encontrou um animal, e eles se foram. Entre eles haviam gambás, gatos nativos, esquilos voadores, vários tipos de ratos e por aí vai. Quando eles chegaram na escuridão, que estava enrolada na borda da planície, eles acamparam.

Wurrunna e seus dois irmãos correram através do matagal, rodeando a planície até atingirem o outro lado. Em seguida, Wurrunna acendeu o fogo, produzindo uma grande gubbera, ou pedra de cristal, de dentro do próprio fogo e dirigindo-se aos seus dois irmãos, cantarolou uma espécie de canção sobre eles.

Logo eles gritaram “Biboh! Biboh!” se transformando lentamente em grandes aves puras e brancas, que os nativos chamam de baiamul, os cisnes.

Os homens do outro lado da planície, havendo aceso o fogo, estavam se purificando. As mulheres viram a fumaça subindo em espiral e correram em direção a ela, armadas com lanças, gritando “Wi-bulloo! Wi-bulloo!”

Uma delas deu um grito de surpresa e as outras olharam ao redor. Lá no lago elas viram duas enormes aves brancas nadando. A fumaça foi esquecida e elas correram em direção às duas novas maravilhas e os homens aproveitaram para ir para o acampamento roubar as armas.

As mulheres os viram e deixando os cisnes de lado, correram furiosamente em direção a eles. Então cada homem soltou o animal que tinha. Lá longe na planície correram os gambás, marsupiais, bukkandis e outros. Gritando, elas foram perseguir os animais. Os homens pegaram seus tapetes de gambá e os encheram de armas, então Wurruna começou o sinal de fumaça, que subia em espiral.

Assim que pegaram um dos animais, as mulheres lembraram dos homens e os viram eles deixando o acampamento carregados de armas. Urrando de raiva, elas os perseguiram, mas já era tarde. Os homens já tinham alcançado a escuridão, onde eles se purificaram de todo o mal da planície com o fogo de Wurrunna.

As mulheres chegaram perto até que viram fumaça e, em seguida, lamentaram de novo, “Wi-bulloo! Wi-bulloo!”.  Elas tinham medo de um incêndio, tanto quanto temiam o escuro, tão desconhecido que era em suas terras. Falhando em recuperar as suas armas, elas retornaram até onde tinham visto as estranhas aves.  Mas elas tinham ido embora.

As mulheres ficaram tão zangadas que começaram a discutir, e da discussão passaram a se agredir com golpes. O sangue delas corria rápido, e tingiu todo o céu oeste onde estavam suas terras.  Desde então, quando as tribos vêem um pôr-do-sol vermelho costumam dizer, “Olhe para o sangue das Wi-bulloos; elas devem ter começado a brigar de novo.”

Enquanto isso, os homens retornaram para sua terra com as armas, e Wurrunna viajou sozinho em direção à montanha sagrada, que ficava ao nordeste das terras das Wi-bulloo. Ele esqueceu dos seus irmãos, mas eles voaram atrás dele, chorando para atrair a sua atenção, assim ele poderia transformá-los em homens novamente. Porém Wurrunna, ao subir a montanha, pisou  nas pegadas de Baiame que ficaram esculpidas na montanha, quando este desceu à Terra e isto era um sacrilégio.

Os cisnes, cansados de voar, pararam em uma pequena lagoa no sopé da montanha. As águias, os mensageiros dos espíritos, que estavam voando para entregar uma mensagem divina, viram dois estranhos pássaros brancos em sua lagoa. Em sua ira eles mergulharam e fincaram as suas enormes garras nos cisnes, voando com suas presas para longe do montanha sagrada, sobre as planícies e cadeias de montanhas, longe ao sul.

De vez em quando, na sua fúria selvagem, eles paravam para arrancar um punhado das penas brancas dos cisnes, que eram da mesma cor branca das cinzas da madeira de gidya. Estas penas flutuaram para os lados da montanha, caindo entre as rochas, o sangue escorrendo delas.

As águias voaram e voaram até que chegaram a uma enorme lagoa próxima da grande água salgada. Em uma extremidade da lagoa haviam rochas e sobre  elas jogaram os cisnes. Então mergulharam e selvagemente começaram a arrancar as poucas penas que ainda restavam nas aves. Mas assim que eles estavam retirando as últimas penas nas asas, elas se lembraram que não tinham entregue a mensagem dos espíritos, e por isso, temendo a sua raiva, as águias deixaram os cisnes e voaram de volta para a sua terra.

Os pobres irmãos Baiamul se arrastaram, miseráveis, quase depenados, sangrando e com frio. Eles sentiram que iriam morrer longe da tribo.

Dos céus então caiu uma chuva de penas negras como a noite, que cobriu os seus corpos trêmulos. Aquecidos, eles olharam em volta. No alto das árvores  viram centenas de corvos da montanha, como às vezes eles tinham visto nas planícies de sua terra. Ele pensaram que se tratava de um mau presságio.

Mas os corvos lhes disseram: “As águias são nossas inimigas também. Vimos que elas deixaram vocês  para morrer. Dissemos que não deveria ser assim. Pela brisa enviamos algumas das nossas penas para aquecer vocês e torná-los fortes para retornar para seus amigos, e assim riremos das águias”.

As penas pretas cobriram os dois cisnes, menos nas suas asas, onde algumas plumas brancas haviam sido deixadas. Também debaixo das penas pretas haviam plumas brancas. E o sangue vermelho ficou nos seus bicos para sempre.

As penas brancas dos cisnes que águias haviam arrancado  enquanto cruzavam as montanhas acabaram por criar raízes onde caíram, e se espalharam pelas encostas como sedosas flores brancas que nós chamamos de flores flannel.

Baiamul, os cisnes, sobrevoaram o acampamento de sua tribo. Wurrunna ouviu seu lamento: “Biboh! Biboh!” e sabia que eram as vozes de seus irmãos, no entanto, olhando para cima, ele não viu dois pássaros brancos, mas negros com bicos vermelhos.

Ele ficou pesaroso com o choro triste deles, mas Wurrunna não tinha mais poder para transformá-los em homens. Seu poder como feiticeiro lhe tinha sido tomado por ousar ir antes do seu devido tempo ao acampamento de Baiame nos Céus.

K Langloh Parker, Australian Legendary Tales

Glossário:

1. Baiame

Deus ancestral da Criação para várias culturas aborígenes australianas. Ele desceu para a terra, criou rios, florestas, mares. Deu regras de vida, cultura, tradição e canções para o homem.  Também criou o rito de iniciação Bora, que os meninos devem cumprir para tornar-se adultos.

Quando ele terminou sua criação, retornou aos Céus,  e o povo o chama de Herói dos Céus ou O Todo Poderoso.

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2. Daens

Termo utilizado pelos aborígenes australianos para se auto definirem.

3. Gubbera

Pedra de cristal, pedras primordias do nordeste da Austrália usada para propósitos mágicos.

4. Gidya, gidyea ou  Gidgee

Uma pequena árvore australiana do gênero das acácias, Acácia cambagei, que emite um odor desagradável quando a chuva se aproxima.

http://www.cse.unsw.edu.au/~gernot/persona/hobbies/macquarie.html

5. fumaça – smoke

Ritual de “limpeza”, purificação feito com fumaça para purificar um lugar ou pessoa, principalmente após a morte de alguém.

Um ritual para purificar pessoa ou lugar, especialmente após a morte de alguém, com o uso de fumaça.