As Aventuras de Yooneeara

As Aventuras de Yooneeara

 Um pensamento ousado veio à cabeça de Yooneeara da tribo Kamilaroi.

“Estou indo para uma longa jornada rumo ao sol poente”, ele disse ao seu povo. “Eu não irei parar até que eu chegue à casa do próprio Baiame” .

Ele pegou sua lança de caça, colocou algumas poucas coisas numa sacola (dilly bag), e em seguida, colocou um bandicoot vivo com seus laços e paus para acender fogo.

“Para quê você quer um bandicoot ?” perguntaram seus amigos. “Não se acha que vai ser capaz de caçar?”

“Nunca se sabe”, disse Yooneeara. “Ele pode vir a ser útil.”

 

Ele começou a sua aventura e viajou por vários dias até que ele chegou à terra dos Dhinnabarrada, os homens esquisitos que têm pernas e pés de emus. Eles caçam em bando à procura de larvas, que são o seu único alimento, e passar o resto de seu tempo fazendo boomerangs das árvores gidyer, que têm uma madeira perfumada de cheiro muito forte.

Logo que eles viam Yooneeara apressado indo em direção a eles, eles tentaram tocar seus pés, porque se fossem capazes de fazer isso ele transformado em homem com pés de emu (Dhinnabarrada) como eles próprios. Eles correram tão rápido que o jovem sabia que não poderia escapar. Ele colocou sua mochila no chão e abriu-a. O bandicoot se libertou e fugiu o mais rápido que pôde. Os Dhinnabarrada gritaram com entusiasmo assim que eles deram incício à perseguição do bicho, pois eles nunca tinham visto uma criatura estranha como essa antes, e Yooneeara foi capaz de fugir desapercebido.

 Logo que eles viam Yooneeara apressado indo em direção a eles, eles tentaram tocar seus pés, porque se fossem capazes de fazer isso ele transformado em um homem com pés de emu (Dhinnabarrada) como eles próprios. Eles correram tão rápido que o jovem sabia que não poderia escapar.

Em pouco tempo ele chegou a uma grande planície que era a casa da tribo Dheeyabery. Quando vistos de frente eles pareciam ser homens normais, mas vendo por detrás eles tinha a aparência de bolas. Eles se reuniram ao redor do explorador e tatearam com as suas mãos.

Onde você está indo? “, perguntaram a ele.

Yooneeara tinha medo que, se eles se mantivessem tateando-o com as mãos dele e lê se tornaria redondo como eles.

“Estou indo ver Baiame”, disse ele brevemente, se soltou e fugiu para longe.

“Volte, volte. Fique com a gente”, eles choravam até que ele já não podia ouvir as suas vozes.

 Yooneeara deixou suas armas na margem correu até a caverna. Na frente estava Byallaburragan, filha de Baiame, assando uma serpente na fogueira.

Mas embora ele corresse tão rápido quanto pudesse ele não se livrava dos mosquitos e moscas de verão que começaram a cerca-lo. Quanto mais rápido ele corria, mais ferozmente elas o atacavam. Ele, sem fôlego, se afundou num buraco com água, mas os insetos continuavam o ataque até o ponto em que ele estava quase desesperado. Ele sabia que ele tinha de se proteger ou ficaria louco. Foi pior do que qualquer uma das etapas do rito de passagem Bora.

Ele pegou a sua faca e cortou um grande retângulo da casca de uma árvore, em que ele fez dois pequenos buracos para encaixar os olhos. Ele enrolou em seu corpo e puxou as extremidades para junto o mais apertado que ele podia, colocando folhas e ervas nos buracos de sua armadura caseira. Agora bem protegido dos insetos, ele caminhou adiante, no sentido do poente. Alguns dos insetos entraram na armadura, mas foram poucos, e sentiu que poderia suportar as suas picadas.

Depois de um longo tempo as pragas ficaram para trás e ele foi capaz de tirar a desconfortável roupa. Ele a colocou em um grande buraco de água para ensopá-la, pensando ficaria mais macia quando ele retornasse, e que ele seria capaz de envolvê-la mais perto do corpo. Quando ele a colocou numa posição, percebeu que ali a água era mais clara. No fundo da piscina ele viu minúsculos homens andando. Ele podia ouvir as suas vozes chamando, “Onde você está?” e de vez em quando ele viu que um deles pegou um peixe e o jogou para fora da água, onde caiu na margem.

Você pode ver seu corpo lá”, disse Byallaburragan. “Muitas luas se passaram desede que qualquer homem tivesse tido coragem suficiente para olhar para Baiame. Ele está adormecido e você não deve despertar ele. Cuidado!”

“Muito obrigado, pequenino”, disse ele com um sorriso, pegou os peixes em sua sacola e foi embora.

Não foi necessário a ele para gastar tempo caçando. Sua sacola estava cheia de peixes e ele sabia que ele deveria estar perto de Kurrilwan, a casa da Baiame. Ele passou pelas Weebullabulla, as infelizes velinhas que vivia de batatasa e lagartos e não têm nada a ver com os homens, e foi para o grande pântano chamado Kollioroogla. Não era muito longo, mas o seu fim se perdia no horizonte.

Enfim o coração de Yooneeara ficou pesado. Não via maneira de atravessar a barreira. Ele cravou sua lança no barro preto e grosso. Afundou tanto que ele tinha dificuldade de puxar parafora. O pântano era demasiado lamacento para nadar e muito funda para caminhar. Ele deitou descansar e dormiu durante toda a noite até o dia seguinte. Quando acordou, o sol estava afundando por trás das montanhas sobre o outro lado do pântano, e o brilho vermelho chamou sua atenção. Ele correu ao longo da margem até que ele chegou a uma árvore caída. Era longa e fina, e ele perguntou se ela iria suportar o seu peso, mas, pelo menos, tratava-se de uma ponte. Ele correu com toda a ligeireza sem perder o passo, subindo o morro e chegou às encostas das montanhas.

Yooneeara adentrou a gruta. Nas sombras ele viu o corpo de um homem esticado em uma cama de arbustos batidos. Ele tinha muitas vezes o tamanho de um homem comum, e desenhos místicos de branco e amarelo barro estavam pintados no seu corpo

O local era maravilhoso, iluminado por um sol que nunca se punha. Caças de todos os tipos, incluindo animais que ele nunca tinha visto antes, corriam através do matagal, o ar estava cheio com o canto dos pássaros, e havia o doce aroma de flores. As árvores eram todas verdes e apontavam em direção a uma gigantesca caverna ao lado da montanha. Aos seus pés um riacho que corria ao longo dos rochedos e caía em um lençol de água prateada de uma lagoa onde cisnes e patos nadavam e flores espalhavam seus botões na água fria. Ele correu para baixo para a lagoa e deu um mergulho, lavou a poeira e suor do percurso do rosto e corpo. A água era calmante e tonificante. Yooneeara deixou suas armas na margem e correu até a caverna. Na frente estava Byallaburragan, filha de Baiame, assando uma serpente na fogueira.

“Você veio aqui para ver o meu pai?” perguntou ela.

“Sim. Tem sido uma longa viagem, mas a minha alma me disse para vir ver o Grande Espírito.”

“Você pode ver seu corpo lá”, disse Byallaburragan. “Muitas luas se passaram desede que qualquer homem tivesse tido coragem suficiente para olhar para Baiame. Ele está adormecido e você não deve despertar ele. Cuidado!”

Yooneeara adentrou a gruta. Nas sombras ele viu o corpo de um homem esticado em uma cama de arbustos batidos. Ele tinha muitas vezes o tamanho de um homem comum, e desenhos místicos de branco e amarelo barro estavam pintados em seu corpo. Yooneeara debruçou-se para falar com ele, mas Byallaburragan avisou que era hora de partir.

“Tenha coragem”, ela disse, “e em breve você vai vê-lo adequadamente.”

A viagem de volta tomou muitos dias. Havia uma leveza no coração do viajante que o levou rapidamente através de todos os perigos. A roupa de casca estava macia quando ele a tirou da água. É agarrado ao seu corpo o protegeu contra a leva de moscas e mosquitos.

Eventualmente ele chegou a sua casa e tentou reunir o seu povo para dizer-lhes o que tinha acontecido com ele. Yooneeara não percebeu que durante o tempo que ele tinha gasto na presença do adormecido Baiame ele tinha envelhecido. Em pouco tempo ele morreu, e seu espírito foi direto para o Grande Espírito, na terra da vida eterna sem ter de suportar os sofrimentos do caminho.

Mas isto não visto pelo povo de Yooneeara do povo. Tudo que eles sabiam era que jamais se atrevem a tentar encontrar a casa de Baiame enquanto o sangue e a respiração ainda agitasse seus corpos.

Notas:

1) March fly

http://dictionary.reference.com/browse/march%20fly

São mosquinhas que costumam aparecer somente na época do verão (março).

2) Bora Rite

http://www.jstor.org/

Rito de passagem dos aborígenes, em que o jovem deve cumprir uma série de tarefas para ser considerado um adulto.

http://www.schulers.com/books/religion/m/The_Making_of_Religion/The_Making_of_Religion33.htm

3) Bandicoot

Ainda não tive tempo de verifcar a tradução, mas trata-se de um pequeno marsupial australiano.

4) O caminho

* (…)Yooneeara did not realise that the time he had spent in the presence of the sleeping Baiame had changed him.(…)

Penso que a expressão had changed him, na verdade teria o sentido de envelhecer e não literalmente mudar. Isso porque Yooneeara parece percorrer uma longa jornada para encontrar o grande herói. Então deve ter se passado muitos anos nesta busca e ele nem percebeu que o tempo tinha corrido velozmente.

Mas o importante disso tudo é que ele ficou feliz, mesmo que não tenha falado com Baiame em vida, o encontrou na morte. Pena que os outros da tribo não perceberam isso, porque tudo se passou no mundo dos espíritos

Não foi importante o objetivo final, mas a jornada da personagem.

Sobre shironaya

web 2.0 addict, crazy about legends, stories, drawing, cinema, painting. adoro web 2.0, lendas, estórias, desenho, cinema, pintura.

Publicado em setembro 15, 2008, em austrália, lendas e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Comentários desativados em As Aventuras de Yooneeara.

Os comentários estão desativados.

%d blogueiros gostam disto: