Lendas e Contos

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Cães Negros Guardiães do Outro Mundo

Outubro 7, 2009 · Deixe um comentário

Black_Dog_Pub_Sign,_Bouley,_JerseyMais uma vez tenho de mencionar a série sobrenatural, pois em vários de seus episódios são mencionados os “cães do inferno” que vêm buscar a alma das pessoas condenadas, como no episódio dedicado a Robert Johnson, Crossroads Blues. Eles são recorrentes na série e toda vez que chega “a hora” de alguém que vendeu a alma, eles vêm levá-los.

A figura do cachorro através da mitologia mundial parece ter sofrido uma evolução até chegar na figura do guardião do mundo inferior.

Na mitologia pré-islmâmica há três interessantes representaçoes do cachorro. Primeiro como fiel companheiro do homem. Em uma lenda ele é criado por Deus para proteger Adão e  e Eva dos outros animais, que foram convocados por Satanás para atacá-los. Em outra, ele é feito do mesmo barro que Adão, tanto é assim que a palavra sag (dog) deriva do termo she-yak (o terceiro, um terceiro) que indica o senso de humanidade do animal. Mas um outro mito o traz como resultado do pecado.

Isso começa a conectar o cão com forças ocultas. Já no Antigo Egito Anubis que é o guardião e condutor para o outro mundo.  Essa associação também aparece no épico Mahabarata e entre os gregos, pois a deusa Hecate tem como bichinho de estimação o cão Cérbero, guardião dos portais do inferno.

A idéia do cachorro como guardião de almas já vem de observações de sítios arqueológicos, pois parece que o homem primitivo usava o cachorro para destruir corpos. Isso deve ter conectado a idéia de que o cão também estava devorando a alma do morto.

Já para os Parsis indianos e escoceses das ilhas Orkney, fazer os cães devorarem a carne de mortos fazia parte dos ritos funerários. Para os romanos ele eram usados para os mortos sem nenhuma importância que nao mereciam um enterro melhor.

O cachorro, principalmente o de cor negra, passou a ter uma percepção muito negativa. Havia um decreto do profeta Maomé que mandava matar todos os cães que fossem totalmente negro. E com o desenvolvimento do cristianismo, ele passou a ser associado com pecado, prostitiução, o mal.

Não é de admirar então que cães negros passaram a ser associados com o mal encarnado.

Na tradição anglo-saxã ele pode ter vários nomes * que sempre são associados com a treva. Eles é descrito como tendo olhos vermelhos brilhantes, pêlo eriçado, são enormes e tem cheiro de enxofre. Eles são vistos em locais isolados, como trilhas, encruzilhadas, sítios pré-históricos, igrejas abandonadas.  Eles passam através de objetos sólidos, desaparecem ou se auto-incendeiam.

O relato mais antigo data de 1127, quando dois padres viram caçadores negros montados em cavalos ou bodes negros,seguidos por uma matilhas de cães negros com horríveis olhos enormes.

O pior relato é de 1157, quando houve ataques durante duas missas. Em ambos os locais houveram mortes e sinais de arranhões nas portas das igrejas.

A evolução do cão negro como figura sombria e punitiva continua com o advento da literatura gótica, como no conto de Ian McEwan, Cães Negros, uma metáfora da tristeza interior e perda da esperança.

Notas:

1) * Nomes a ele atribuído:  Barghest, Barghaist, Barguest, Barguest, Barn-ghaist, Skriker (Yorkshire), Shuck, Black Shuck, Old Shuck (Norfolk), Witch Hounds (Sul da Inglaterra), Kirkgrim (Escandinávia), Gwyllgi, o cachorro das trevas (Gales), Padfoot (Devon), Old Shock, Shucky Dog, Black Shuck, o Monstro Shug (East Anglia), Scarfe, Gally-trot, Gallytrot, Galley Trot, Moddey Dhoe (Suffolk),  Moddey Dhoo,que significa “cão negro” e é pronunciado “Mauther Thoo”  em gaélico de Manx  (Isle of Man), Trash, Guytrash, Skriker (Lancashire), CappelWestmorland), hooter (Warwickshire), Jack Peludo (Lincolnshire), shag dog (Leicestershire),  Gurt Dog ou ‘cachorro grande’ (Somerset), cachorro negro conhcido como o Muckle Black Tyke e gaélico como Choin Dubh. Cu Sith ou cachorro das fadas mais comumente verde ou branco (Escócia).

2) cachorros sem cabeça foram vistos em in Dartmoor, Cumbria, Sussex, Shropshire, Suffolk, Devon e Norfolk (Bord & Bord, 1985; Brown, 1958; Farson, 1978). Cachorros de duas cabeças são visto ocasionalmente  (Bord & Bord, 1985; Brown, 1958). Algumas vezes os cães negros tem cabeça e pernas de outros animais ou humanas sendo relatadas que às vezes também lhes faltam algumas partes (Brown, 1958; McEwan, 1986).

3) “Le Tchan de Bouôlé” (figura acima) significa cachorro de Bouley, sua aparição  é um presságio de tempestades e é vistona Baía de Bouley, Jersey, nas Ilhas Channel.

traduzido de:

www.blackdoginstitute.org.au/docs/Raphael.pdf

Outros sites:

http://www.indigogroup.co.uk/edge/bdogfl.htm

http://www.mysterymag.com/earthmysteries/?page=category&subID=74

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Kongamato

Agosto 18, 2009 · 1 Comentário

A primeira menção do nome Kongamato, foi no ano de 1923, quando viajante pelo nome de Frank H. Melland estava trabalhando para uma vez em Zâmbia, recolhendo relatos de nativos sober uma misteriosa ave, sem pelos, que atacava os nativos naquela região. Eles a chamavam de “Kongamato” (siginificando “dominador de barcos”).

kongamato

Essa palavra é parte de um encantamento usado pelos Koandes para se proteger contra enchentes, que dizem ser provocadas por essa criatura. Eles usam o amuleto chamado “muchi wa Kongamato” para os os proteger quando atravessam certos rios habitados pela criatura. Dr. J.L.B. Smith, que ficou famoso por sua participação no descobrimento do celacanto, escreveu sobre lendas de dragões alados que habitam no Monte Kilimanjaro. Sua idéia é de que espécies extintas podem ser descoberta nos lagos, pântanos, rios e selvas da África do Sul. Marjorie Courtenay-Latimer, que descobriu o fóssil vivo celacanto compilou diversas estórias de répteis da Namímbia. De acordo com esse rumores, esses dragões voadores deixavam um cheiro de grama queimada quando eles pousavam.

Em 1920, o chefe da tribo Kanyinga morador da área de Jiwundu Swamp próximo da fronteira do Zaire identificou uma figura do pterodátilo como um Kongamato… Em 1958, o jornalista científico Maurice Burton escreveu para uma revista que vários relatos na África diziam de uma criatura parecida como um pterodátilo que vivia nos pântanos de Bangweulu. Ela vive nos pântanos de Jiundu até o oeste de Zâmbia, Congo e Angola e há muitos relatos de ataques contra os nativos. Criaturas similares são encontradas no Camarão, onde são chamadas de Olitiau, e em Gana são denominadas de Sasabonsam. Alguns dizem que ele tem a habilidade de brilhar à noite. Suas cores variam, mas é dito que é principalmente de cor vermelha ou negra, tanto que muitos cientistas dizem que se trata na verdade é de um morcego ou uma cegonha, mas que os criptologistas teimam em dizer que é um pterodátilo.

Também é descrito como um dragão voador de mais ou menos 1,22 m, em cores que variam de verde a azulado, mas em linhas gerais é sempre descrito como de corpo alongado, com pés pequenos, e grandes asas semelhantes a de um morcego. Algumas tribos os adoram como deuses. Imaginação ou não, houve até um estudante do Kenya que ligou para dizer que esses reptéis voadores não estavam extintos, descrevendo-os perfeitamente e dizendo que ele eram considerados pragas, semelhantes aos urubus e que se não se enterrasse profundamente os cadáveres ele os desenterravam para comer os restos de nativos e animais mortos. Eles não acreditavam que seja uma coisa sobrenatural como um demônio (molumbe), as algo muito real como um leão ou um búfalo.

Lendas de pterodátilos que tenham sobrevivido não é incomum, tanto é assim que dizem que um garoto de nome Oliver Thomas foi raptado por um deles… Isso aconteceu em 1909, ele foi até um poço pegar água quando da casa, todos ouviram seus gritos desesperados. Quando correram eles não vira nada lá fora, mas conseguiram ouvir seus gritos cada vez mais distantes… Depois se verificou que as pegadas iam até um determinado ponto e de lá sumiam! E mais adiante encontraram o balde, como se ele tivesse soltado de uma determinada altura… Para esse sumiço, há até quem culpe o Wendigo, lendário monstro faminto das lendas dos índios algonquinos.

Há inclusive em um dos sites, um pterodátilo abatido durante a guerra civil. Muito interessante e logo se vê que é uma montagem da época. Para finalizar há muitos relatos de criaturas aladas estranhas que sobrevoam também a América do Norte, descritas como grande pássaros, abutres, demônios, como o Homem Mariposa, que foi visto várias vezes e em 1966, provocou uma histeria coletiva no oeste da Virgínia e o caso foi mote do filme Mothman Propehecies, com Richard Gere… Mas isto é outra estória….

http://pt.wikipedia.org/wiki/Algonquinos http://pt.wikipedia.org/wiki/Wendigo

http://tejiendoelmundo.wordpress.com/2009/01/22/el-enigma-de-oliver-thomas/

http://everything2.com/index.pl?lastnode_id=124&node=kongamato&searchy.x=1&searchy.y=1

www.genesispark.com/genpark/konga/konga.htm

http://www.trueauthority.com/cryptozoology/kongamato.htm

http://www.unknownexplorers.com/kongamato.php Homem mariposa:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mothman http://www.imdb.com/title/tt0265349/

Mais sobre o Kongamato:

http://xfilesmisterioso.blogspot.com/2009/07/kongamato-dominador-de-barcos-tambem-em.html

Mais sobre monstros perdidos nos pântanos da África:

http://casadecha.wordpress.com/2009/05/08/mokele-mbembe-e-mapinguari/

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A mulher canibal

Julho 8, 2009 · Deixe um comentário

Prupe, a velha mulher cega vivia uma existência solitária em seu pequeno acampamento. Seu vizinho mais próximo era a irmã dela, Koromarange, que tinha tomado a guarda de sua neta e zelava por ela dia e noite. Seu coração era pesado porque ela caregava um segredo que ela tinha vergonha de revelar a alguém. Sua irmã Prupe tinha-se tornado um canibal. A mulher cega era muito frágil cego para ferir homens e mulheres adultos, mas sempre que ela teve uma oportunidade que ela roubava as crianças pequenas, asfixiando os seus gritos com suas mãos esqueléticas e carregando elas para o seu acampamento solitário onde ela os matava e cozinhava os pequenos corpos, como se eles foram wallabies ou emus.

Koromarange tinha visto os seus ossos espalhados ao redor do acampamento da irmã. Meio desconfiada, ela seguiu Prupe uma noite, e antes que ela possa interferir ela experimentou o horror de ver um de seus próprios netos mortos. Isso explicou de uma vez por todas o que tinha acontecido com os outros netos que todos pensaram que tinham sido roubados por espíritos malignos. Koromarange implorou à filha que permitisse que ela levasse o último neto ao seu acampamento. Os pais estavam prestes a sair em uma expedição de caça e eles aceitaram a proposta com entusiasmo.

Durante o dia Koromarange levou a menina para longe do acampamento e passou o tempo à caça de raízes e lagartas. A rotina era sempre essa todos os dias, mas ela estava tão assustada que sua irmã pudesse saber da presença de Koakangi que ela dava presentes de alimentos para a mulher cegas mulher para evitar que ela visse até o seu acampamento. Infelizmente, ela traiu a sua própria finalidade, porque Prupe, a quem a cegueira tinha trazido um sexto sentido, percebeu que sua irmã estava ocultando algo dela.

À noite ela tateou seu caminho através do matagal até que ela pudesse sentir o calor da fogueira de Koromarange em seu rosto. Caminhando cautelosamente através dos arbustos, os dedos tatearam tão delicados como as asas de uma mariposa, sentindo o corpo de sua irmã e o braço que estava abraçado protetivamente à volta do corpo da menina. “Ah ha!” a velha mulher mumurava à medida que ela engatinhava ao redor da fogueira do acampamento tarde na noite.”Era a neta de Koromarange! Ela não vai pensar que ela pode me escapar. Eu vou roubá-la quando a minha irmã for para o poço para buscar água. Vou roubar seus olhos e então eu vou ser capaz de ver novamente. “

Antes do amanhecer ela estava oculta nos arbustos. Logo que ela ouviu que a irmã estava indo para o poço que ela se adiantou à sua frente, pegando a criança adormecida em seus braços, e fugindo para o seu acampamento.

Quando Koromarange voltou e viu que sua neta estava desaparecida sabia o que tinha acontecido. Com os olhos piscando de raiva ela penetrou silenciosamente no acampamento da irmã. Sabendo o quanto os ouvidos de Prupe tinham se tornado apurados, ela não ousou fazer um som. Respirando suavemente e controlando a sua raiva, ela viu a irmã amarrando a criança a uma árvore e deixar o acampamento para pegar as hortaliças como um complemento para a saborosa refeição que ela esperava para desfrutar essa noite.

Tão logo que Prupe saiu do alcança do ouvido de Koromarange, ela se apressou para o acampamento e cavou um buraco no chão. Ela colocou estacas afiadas no fundo e cobriu o buraco com galhos e o solo bem batido por cima. Por último, ela soltou Koakangi e levou-a de volta para seus pais, que a esta altura tinham retornado de sua viagem de caça.

Era final da tarde quando Prupe se aproximou do acampamento, um largo sorriso em sua boca chupada, com longos corredores da saliva escorrendo de seu queixo enquanto ela pensava na suculenta comida que ela iria em breve cozinhar. Seu pé agarrou em algo e ela tropeçou, e foi com um grito de medo que ela caiu através da cobertura de solo e os galhos espalhados que estavam escondendo o fosso.

Por alguns momentos ela escalou desesperadamente para a borda, agitando as mãos freneticamente para encontrar um apoio e espalhando estacas em todas as direções. Alguns deles caíram no fogo e incendiaram, colocando o matagal em chamas. Ela levantou uma mão para proteger o rosto do calor escaldante e caiu de cabeça para baixo no fundo do poço onde foi empalados nas estacas afiadas. Ainda hoje, se formos para o antigo acampamento de Prupe iríamos encontrar, um grande buraco de trinta metros de profundidade, cercada por vegetação escura e queimada, para nos lembrar do triste final de Prupe A Canibal.

Como caçadores e coletores de alimentos, as comunidades aborígines têm um grande respeito pela terra e as suas criaturas e plantas as quais lhes forneçam sustento. Existem regras essenciais de comportamento em matéria de caça e coleta, que assegurem que o fornecimento de alimentos não irá diminuir a partir de estação para estação, e que todos os membros do grupo irão receber alimentação adequada. A violação de um totem animal pode causar a doença ou a morte. A ganância e o egoísmo são considerados crimes graves e são severamente punidos. Em momentos de extrema necessidade, o canibalismo também aconteceu na Austrália, mas histórias como a seguinte agem como uma dissuasão poderosa.

A.W. Reed, Aboriginal Fables and Legendary Tales

fonte : http://www.artistwd.com/joyzine/australia/dreaming/index.php

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O Mito do Predador

Maio 26, 2009 · 2 Comentários

lobo1

atualização no tema lobisomen: http://casadecha.wordpress.com/2009/08/04/romasanta/

Mito do Predador

Através das eras, mesmo na era pré-histórica,  enquanto seu uivo atravessava a quietude da natureza e a noite enchia de medo o coração do homem primitivo que lá longe rastejava para a segurança de alguma caverna fria e escura; medo semeado ao longo dos séculos, quando ainda era conhecido como o saqueador dos rebanhos dos pastores, não poupando atacar na floresta as crianças, donzelas ou até mesmo o viajantes solitários; mais próximo ainda, era o tempo em o reflexo vermelho dos seus olhos por toda a triste planície de neve intocada durante o luar metálico e frio paralisava alguns grupos de viajantes, e os cavalos estáticos faziam uma pausa aterrorizada no seu frenético galope ,…. todos as visões do lobo durante os imemorial séculos foram sempre  inevitáveis, impiedoso inimigo do homem, e, poucos animais do mundo tem essa aura de fantasia para o mundo, ou melhor, a experiência e os conhecimentos adquiridos de nossos antepassados, nos investiram e cercaram com tantas supertições e crenças que são horrivelmente verdadeiras e falsas.

As características distintivas do lobo são uma desenfreada crueldade, bestial ferocidade, e fome voraz. Sua força, sua astúcia, sua velocidade foram consideradas qualidades anormais, quase misteriosas, ele tinha uma coisa do demônio. Ele é o símbolo da noite e do inverno, da força e da tempestade, do escuro e misterioso prenúncio da morte.

Na Bíblia o lobo é sempre o símbolo de traição, selvageria e sanguinolência…

fonte: http://www.stavacademy.co.uk/mimir/wolflegends.htm
Montague Summers, The Werewolf

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