Lendas e Contos

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O Primeiro Canguru

Novembro 17, 2009 · Deixe um comentário

soldierandkangoroo

Soldado americano brinca com a mascote do regimento, um canguru. Ano de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.

O primeiro canguru

De acordo com os moradores da região sudeste do  país, no distrito de Monaro, Monte Kosciusko, Goulburn, da cordilheira de Currockbilly, Mittagong, Burragorang e para o norte até o rio Nepean, houve época em que os cangurus não estavam no terra.

É dito por aquele povo que  o primeiro canguru foi levado  para a Austrália sobre o maior vento que já soprou.

Aquele vento tinha vindo das planícies. Ele soprava em volta do distrito da cordilheira de Macdonnell, formava um redemoinho que voltava para o noroeste da Austrália, provavelmente em algum lugar entre Perth e Fremantle, varrendo o golfo australiano e  finalmente desembocando em algum lugar do mar da Tasmânia. Durante todo esses terríveis sopros e andanças o primeiro canguru teve dias estressantes.

Ele não podia aterrisar. Ele foi pego pelo vento errante e jogado para cima e para baixo. Em seus esforços para conseguir uma posição segura as patas traseiras se esticaram, e se elas não tivessem crescido desse jeito ele nunca teria descido,  exceto no mar, onde ele teria sido afogado.

Enquanto isso, um chefe aborígene estava procurando por uma nova terra. Sua tribo havia abandonado o local onde haviam acampado durante muitos meses e onde a caça tinha se tornado escassa. Assim, o chefe usou a pintura que trazia boa sorte (1), e saiu para encontrar um pasto novo e prolífico.  Ele tinha viajado muitos dias sem ver um lugar melhor, e estava prestes a regressar ao seu povo, mas a abelinha nativa que colhia o pólen da acácia perto dele atraiu a sua atenção, e enquanto ele olhava ele a viu mergulhar até uma piscina que estava no solo negro aos pés de uma árvore que floria.

O aborígene se inclinou e com uma destreza que só ele possuía, apertando o inseto, as asas ficaram entre o indicador e o polegar da mão direita. Ele levou a abelha para onde ele tinha visto um ninho de vespas, e tirando um dos favos, ele embebeu os dedos com a substância e colocou um pouco dele no traseiro da da abelha. Então ele procurou cerca de um arbusto de algodão e logo encontrou um. As vagens estavam estourado e as bolas brancas e estavam prontas para cair. Enfiando um chumaço de algodão na cera de abelha ele a liberou. A sensação estranha e a carga pesada fez o pequeno inseto zigzaguear para casa, e não era foi problema para o chefe  mantê-lo à vista.

Indo e indo ele caminhou, nunca olhando para baixo, nem para a direita nem para a esquerda, mas sempre para cima, seguindo o vôo da abelha.

No entanto, ele não estava destinado a ver o ninho. Acima nos céus algo chamou sua atenção e ele perdeu a abelha.

Na verdade, ele esqueceu.

A mais estranho massa de nuvens que ele nunca tinha visto estava pairando no ar. Era de cor sépia com bordas pretas. Fervia e ondulava e deslizava. Ondulava e enrolava e explodia e esfiapava. Longas espirais de cor mais clara trabalhavam formas maravilhosas contra o marrom, mas desenhando e contraindo, e em ondas como uma rio de bandeiras ondulantes, agora em linha reta como lanças, agora dobrado como milhões de bumerangues, agora destacando, em seguida, aderindo, a temível e  impressionante massa de vapor vinha do Ocidente. Pedras grandes foram caindo lá. Grandes construções e paredes cambalearam e cairam e bateram. Florestas gigantes nasceram e acenaram durante uma tempestade gigante e foram derrubadas. E mesmo com todo o tumulto de vapor no ar, a terra abaixo estava calma e serena. Enfrentava o inevitável, e o inevitável era uma catástrofe.

De repente, começou a escurecer.

A noite dentro do dia desceu em um segundo, apagando tudo. Mas no céu uma luz maravilhosa apareceu. Longos fluxos líquidos de fogo começaram a partir do sul, e atirou rajadas  pelos céus de pólo a pólo. Eles deslizaram de oeste para leste. Vermelho e amarelo, roxo e marrom, rosa e cinza, dourado e preto, branco e verde pálido. Todas essas cores em longos dedos esticados em linha reta de pólo a pólo, enrolaram-se e cruzaram, e morreram em direção a leste. O infeliz aborígene nunca tinha visto tal visão.

Mas ele tinha ouvido falar dele.

Pareceu-lhe que talvez uma vez na vida um homem teria o privilégio de ver uma coisa dessas. Ele se encolheu diante do fenômeno.

Depois veio o furacão. Com o vento as luzes e as nuvens se foram e a noite (pois era realmente noite então) se mostrou estrelada e clara.

Mas o vento continuava a rugir. Logo acima das árvores passou uma forma negra.  Ela tinha pernas longas da quais pendiam e garras. As garras não estavam muito acima da cabeça do nativo. Era claramente um animal. Ele podia ver o corpo e o pescoço, a cabeça, as orelhas e os olhos, mas em poucos minutos ela tinha ido embora.

De algum jeito ele parecia saber que era coisa de comer. Então, ele tomou coragem.  Ele realmente acreditou que o animal foi enviado pelo grande espírito, porque ele tinha se pintado com os sinais, e ele estava com fome de carne, e ele estava caçamdo, e não por si próprio, mas à procura de alimento para seu povo.

Então ele se deitou para dormir, acreditando que pela manhã ele iria encontrar carne.

Toda a noite o vento soprou. Ainda estava soprando pela parte da manhã.

E ele tinha tanta certeza de que era para trazer-lhe alguma coisa boa que ele não moveu um centímetro.

As abelhas voltaram em grandes enxames. Mas ele esperava pela criatura.

Ela veio.

Ela flutuava como antes, sendo carregada pelo vento. As longas pernas e garras ainda balançavam. O aborígene a seguiu. Ele enfrentou uma viagem terrível, mas, finalmente, ele a vi agarrar suas garras na copa de árvore, o vento passou e ela caiu. Mas, como um relâmpago ela se pôs de pé, e com grandes saltos sobre as pernas longas ela se lançou na mata e se perdeu de vista.

O chefe voltou para a tribo, memorizando o caminho para a nova terra. Lá havia abelhas e pássaros, e havia muitas plantas que davam raízes suculentas. E abundavam de sementes de gramíneas.  Então, para lá a tribo mudou seu acampamento e ficaram por muitos dias. Aqui e acolá eles  avistavam o novo animal que tinha feito crescer as suas pernas longas para tenta agarrar o chão, mas se passou muito tempo antes de ser capturado. Deve ter acontecido de um companheiro ter vindo de algum lugar, porque o que foi avistado provou ser jovem e outros foram vistos.  A carne era boa e a pele estava coberta com um pelo muito quente.

Anos depois, alguém descobriu como curtir a pele.  A resina vermelho sangue da árvore Bloodwood foi embebido em água para tingir a pele. Uma mulher queria que ela fosse tingida. A pele foi imersa na água colorida  por alguns dias, e quando ele foi removido, não só foi as peles foram tingidas de vermelho, mas a própria pele tinha mudado.  Estava mais adequada para uso.  Desde então,  os aborígenes encharcavam todas suas peles de animais em uma solução nessa goma, e assim eles as curtiam.

Todo mundo que tinha visto o fenômeno das nuvens  acreditaram que seu chefe tinha sido atendido pelo Grande Espírito e o canguru foi enviado por sobre o mar para socorrê-los.

Fonte:

http://www.sacred-texts.com/aus/peck/peck13.htm

C. W. Peck. Australian Legends. 1925.

Notas:
(1) A pintura corporal aborígene é uma tradição muito antiga e tem sido praticada por milhares de anos e como outros aspectos da cultura varia dependendo da tribo e local. A pintura do corpo, rosto, os ornamentos, plumas tem mais do que aspecto decorativo, mas tem um significado relacionado com as leis, religiões e convenções sociais. Também têm um significado espiritual muito grande, sendo usado em diversas cerimônias religiosas. A dança e a pintura juntas indicam o relacionamento da tribo com a natureza, a terra, ancestrais, animais e o seu meio ambiente.

Eles são um meio de comunicar a idade, grupo social, o parentesco. Combinações de símbolos podem contar uma estória . Uma pessoa não pode mudar sua pintura e nem pode se pintar, isso é tarefa de um parente.

Fazer cicatrizes no corpo também faz parte dessa linguagem, geralmente eles usam materiais cortante e jogam cinzas em cima para deixar uma cicatriz permanente.

traduzido de: http://www.gondwananet.com/aboriginal-body-painting.html

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O Casulo da Mariposa

Setembro 23, 2009 · Deixe um comentário

Atlasmoth_keralaUm caçador de Queensland partiuem uma longa viagem, levando seu filho pequeno com ele. Foi difícil para o menino para acompanhar seu pai, e cada dia ele ficou mais magro e fraco. Depois vieram as chuvas. Eles caminharam sem parar, até que os rios subiram e a terra se tornou um grande pântano. O menino ficou doente. A única coisa que seu pai pôde fazer foi construir um abrigo rústico de casca e galhos de árvores para mantê-lo abrigado da chuva.  Seus suprimentos de comida tinha acabado há muito tempo, e o homem sabia que seu filho iria morrer se ele não conseguisse alimento rapidamente.

Ele enfiou o menino em um saco de dormir de pele de canguru e se embrenhou no meio do pântano em busca de caça. Não foi fácil se orientar nos terrenos alagados, mas depois de vários dias, ele encontrou um gambá e matou-o com sua lança. Ele correu de volta para o gunyah * que ele havia construído, com medo que ele pudesse encontrar seu filho morto de fome.

Ele chegou à clareira, que reconheceu pelos galhos quebrados de árvores e o montículo que aparecia acima da água, mas do gunyah e seu filho não havia nenhum sinal. Ele não conseguia entender o que tinha acontecido. Ele estava preparado tudo para encontrar o corpo do filho, mas a última coisa que ele imaginava era que ele, e gunyah que o abrigava, iria desaparecer como que por magia.

Ele se encostou numa árvore. Sua mão tateou uma ponta solta da casca e galhos no tronco.. Ele olhou para ela de braços cruzados e, em seguida, com uma súbita sensação de choque, viu que mais de perto, era uma réplica do gunyah que ele havia construído para abrigar seu filho. Dentro do casulo estava o corpo branco de um verme, e ele sabia que os espíritos tinham ficado com pena do menino e o salvaram da morte.

e grub of the case-moth always has a gunyah which it builds to protect it, and remind it of how, long ago, a father cared enough for his son to build a shelter for him while he sought for food. Desse dia em diante as larvas das mariposas sempre tem um casulo para e lembrá-las de como, há muito tempo, um pai se importou tanto com o seu filho que construiu um abrigo para ele, enquanto ele procurava por comida.

Notas:

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A mulher canibal

Julho 8, 2009 · Deixe um comentário

Prupe, a velha mulher cega vivia uma existência solitária em seu pequeno acampamento. Seu vizinho mais próximo era a irmã dela, Koromarange, que tinha tomado a guarda de sua neta e zelava por ela dia e noite. Seu coração era pesado porque ela caregava um segredo que ela tinha vergonha de revelar a alguém. Sua irmã Prupe tinha-se tornado um canibal. A mulher cega era muito frágil cego para ferir homens e mulheres adultos, mas sempre que ela teve uma oportunidade que ela roubava as crianças pequenas, asfixiando os seus gritos com suas mãos esqueléticas e carregando elas para o seu acampamento solitário onde ela os matava e cozinhava os pequenos corpos, como se eles foram wallabies ou emus.

Koromarange tinha visto os seus ossos espalhados ao redor do acampamento da irmã. Meio desconfiada, ela seguiu Prupe uma noite, e antes que ela possa interferir ela experimentou o horror de ver um de seus próprios netos mortos. Isso explicou de uma vez por todas o que tinha acontecido com os outros netos que todos pensaram que tinham sido roubados por espíritos malignos. Koromarange implorou à filha que permitisse que ela levasse o último neto ao seu acampamento. Os pais estavam prestes a sair em uma expedição de caça e eles aceitaram a proposta com entusiasmo.

Durante o dia Koromarange levou a menina para longe do acampamento e passou o tempo à caça de raízes e lagartas. A rotina era sempre essa todos os dias, mas ela estava tão assustada que sua irmã pudesse saber da presença de Koakangi que ela dava presentes de alimentos para a mulher cegas mulher para evitar que ela visse até o seu acampamento. Infelizmente, ela traiu a sua própria finalidade, porque Prupe, a quem a cegueira tinha trazido um sexto sentido, percebeu que sua irmã estava ocultando algo dela.

À noite ela tateou seu caminho através do matagal até que ela pudesse sentir o calor da fogueira de Koromarange em seu rosto. Caminhando cautelosamente através dos arbustos, os dedos tatearam tão delicados como as asas de uma mariposa, sentindo o corpo de sua irmã e o braço que estava abraçado protetivamente à volta do corpo da menina. “Ah ha!” a velha mulher mumurava à medida que ela engatinhava ao redor da fogueira do acampamento tarde na noite.”Era a neta de Koromarange! Ela não vai pensar que ela pode me escapar. Eu vou roubá-la quando a minha irmã for para o poço para buscar água. Vou roubar seus olhos e então eu vou ser capaz de ver novamente. “

Antes do amanhecer ela estava oculta nos arbustos. Logo que ela ouviu que a irmã estava indo para o poço que ela se adiantou à sua frente, pegando a criança adormecida em seus braços, e fugindo para o seu acampamento.

Quando Koromarange voltou e viu que sua neta estava desaparecida sabia o que tinha acontecido. Com os olhos piscando de raiva ela penetrou silenciosamente no acampamento da irmã. Sabendo o quanto os ouvidos de Prupe tinham se tornado apurados, ela não ousou fazer um som. Respirando suavemente e controlando a sua raiva, ela viu a irmã amarrando a criança a uma árvore e deixar o acampamento para pegar as hortaliças como um complemento para a saborosa refeição que ela esperava para desfrutar essa noite.

Tão logo que Prupe saiu do alcança do ouvido de Koromarange, ela se apressou para o acampamento e cavou um buraco no chão. Ela colocou estacas afiadas no fundo e cobriu o buraco com galhos e o solo bem batido por cima. Por último, ela soltou Koakangi e levou-a de volta para seus pais, que a esta altura tinham retornado de sua viagem de caça.

Era final da tarde quando Prupe se aproximou do acampamento, um largo sorriso em sua boca chupada, com longos corredores da saliva escorrendo de seu queixo enquanto ela pensava na suculenta comida que ela iria em breve cozinhar. Seu pé agarrou em algo e ela tropeçou, e foi com um grito de medo que ela caiu através da cobertura de solo e os galhos espalhados que estavam escondendo o fosso.

Por alguns momentos ela escalou desesperadamente para a borda, agitando as mãos freneticamente para encontrar um apoio e espalhando estacas em todas as direções. Alguns deles caíram no fogo e incendiaram, colocando o matagal em chamas. Ela levantou uma mão para proteger o rosto do calor escaldante e caiu de cabeça para baixo no fundo do poço onde foi empalados nas estacas afiadas. Ainda hoje, se formos para o antigo acampamento de Prupe iríamos encontrar, um grande buraco de trinta metros de profundidade, cercada por vegetação escura e queimada, para nos lembrar do triste final de Prupe A Canibal.

Como caçadores e coletores de alimentos, as comunidades aborígines têm um grande respeito pela terra e as suas criaturas e plantas as quais lhes forneçam sustento. Existem regras essenciais de comportamento em matéria de caça e coleta, que assegurem que o fornecimento de alimentos não irá diminuir a partir de estação para estação, e que todos os membros do grupo irão receber alimentação adequada. A violação de um totem animal pode causar a doença ou a morte. A ganância e o egoísmo são considerados crimes graves e são severamente punidos. Em momentos de extrema necessidade, o canibalismo também aconteceu na Austrália, mas histórias como a seguinte agem como uma dissuasão poderosa.

A.W. Reed, Aboriginal Fables and Legendary Tales

fonte : http://www.artistwd.com/joyzine/australia/dreaming/index.php

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Como a garça azul produz a maré

Junho 2, 2009 · Deixe um comentário

A Great Blue Heron (Ardea herodias) taken in Santa Barbara by Dori

Era a época de recolher os ovos dos gansos que estiveram nidificando no pântano. Quando Muradja, o chefe, acendeu um fogo e fez sinais fumaça na planície, centenas de homens, mulheres e crianças encheram rápido o território de caça. Todos adoravam a coleta de ovos de ganso, pois eles sabiam que em breve teriam as barrigas cheias e um suprimento de ovos para negociar com tribos mais distantes.

Jarras* e sacos transbordariam quando a coleta chegasse ao fim, e todas as manhãs e à noite, as fogueiras enviariam altas colunas de fumaça no ar tranquilo. O cheiro dos cozidos fariam suas narinas tremer, e após a festa haveriam jogos, canções e danças, enquanto os mais velhos nos seus solenes conselhos  olhariam tolerantemente a arruaça dos jovens.

E assim, como tinha acontecido mais vezes do que a memória dos anciãos poderiam recordar, os gansos proveriam alimentos e prosperidade para as tribos, e Muradja estava satisfeito com a coleta de ovos. Os ovos foram examinados cuidadosamente cada noite, enquanto os mais velhos se debatiam se os pintos estavam se formando. Isso seria um sinal de que a época da postura de ovos estava chegando ao fim, o momento em que as crianças e os jovens seriam advertidos de que eles não deveriam comer mais. Depois que os ovos seriam reservados para os mais velhos.

‘Este é o dia, “Muradja anunciou enfim. ‘Vocês se alimentaram bem, como eu posso ver a partir de suas lustroso barrigas. Em breve iremos retornar ao nosso próprio território de caça. Vocês podem levar o seu suprimento excedente para negociar, mas não deverão mais comer os ovos de ganso. Vocês irão encontrar apenas alguns restantes no ninho. Traga-os para o conselho e vão em paz.

Naquela noite Windjedda, o filho de Muradja, discutiu com seu pai. Ele era um jovem atrevido, estragado pela demasiada atenção das mulheres. Ele ainda não era um homem, pois a sua iniciação nas fileiras dos homens ainda esperava no futuro.

“Porquê?”, Perguntou ao pai. “Porque não devemos comer os ovos remanescentes?”

“Se nós comermos todos eles não haveria gansos no próximo ano, o que significaria nenhum ovo”, Muradja respondeu gentilmente.

“Mas vocês podem comê-los, você e os anciãos”.

“É um privilégio que os anos trouxeram para nós, meu filho. Algum dia você pode será o líder da coleta de ovos, e será o seu privilégio também.”

“Não vejo por que eu não deveria pegá-los agora. Não tem importância se mais ninguém sabe. Minha barriga ainda não está cheia.”

“Você é um rapaz tolo, “censurou o pai.”Quando você estiver pronto para o seu teste você irá aprender que o apetite é a primeira coisa que você deve controlar. Se você não puder faze-lo você nunca vai saber controlar a dor e o medo, e até chegar essa hora, você não será um homem. “

“Eu não temo a dor,” Windjedda bradou.

“Vamos pôr isso à prova agora,” o seu pai disse calmamente, “a menos que você pare de falar e deixe-me dormir. Eu disse que você era um menino tolo, e cada palavra que você fala confirma o meu pensamento. Se você comeu mais algum ovo após a proibição do conselho, eles vão virar veneno na sua barriga e você ia morrer.”

Windjedda sabia que ele tinha ido longe o suficiente. Ele deitou-se perto do fogo, mas diante das centelhas cintilantes ele deu um largo sorriso ao pensar que seu pai esperava que ele acreditasse nessa besteira. Ele sabia que era apenas estórias de velhos, feitas para que pudessem comer tanto quanto desejassem. Fazendo planos para despistá-los, ele adormeceu ainda com o sorriso em seu rosto.

Na manhã seguinte, quando os homens tinham saído para caçar *cangurus wallabies, ou para pescar, ele saiu do capinzal do pântano onde tinha sido escondido. Olhando em volta para ver que ele não foi observado, ele se dirigiu para a fogueira onde uma anciã estava cozinhando ovos para o conselho.

“Dêem-me um dos ovos,” Windjedda exigiu. A velha mulher olhou para ele em espanto.

“Você ouviu o que o teu pai disse ontem, Windjedda. Não existem mais ovos para você, ou eu, ou qualquer pessoa, exceto os mais idosos”.

“Dêem-me aquele”, ele repetiu, apontando para o maior ovo. “Estou com fome. Ninguém vai saber.”

A velha mulher brandiu seu pau para ele. “Você é um garoto ruim. Não vou deixar você quebrar nossos costumes tribais.”

Windjedda pegou um ovo fresco e quebrou na própria cabeça. Com o conteúdo do ovo correndo em seu rosto, ele apressou-se para a praia onde Muradja estava caçando peixes com sua lança e chorou,

“Vejam o que a velha fez para mim! Você permitir que isso aconteça ao seu filho?”.

O chefe estava indignado com o insulto feito a seu filho. Se ele tivesse pensado um pouco sobre o assunto teria percebido que Windjedda não era confiável. Nesse caso, ele teria convocado uma reunião do conselho, e a verdade teria sido descoberta. O ódio distorce o julgamento de um homem, e assim foi com Muradja.

Balbuciando feitiços, ele correu até a praia, atravessando o ar com sua lança, seguido de perto por um Windjedda cheio de prazer. A seus pés a maré borbulhava e corria ao longo da areia. Não parou na marca da maré alta. Espalhou-se sobre toda a terra seca, circundou os morros, transformando-os em ilhas, e correu através do matagal em direção ao grande acampamento. As fogueiras evaporaram momentaneamente, até que foram extintas pelas águas do dilúvio.

As mulheres e as crianças correram para uma grande árvore banyan e subiram, mas a água subiu até que a árvore foi coberta, e eles foram levados e se afogaram. Os pescadores e caçadores encontraram o mesmo destino. Apenas Muradja e Windjedda escaparam. Eles foram transformados em garças azuis, as aves que correm até o a maré alta nas margens do Mar de Timor até os dias de hoje.

A.W. Reed, Aboriginal Fables and Legendary Tales

Notas:

* Na verdade o nome uso foi wallaby, que seria não um canguru, mas uma outra espécie da mesma família. Mas nesse caso, achei que mesmo errado, o uso do termo canguru seria mais adequado. Ele seria menor do que o walaru eo canguru.

* Quanto ao uso do termo jarra, no momento não achei nada que explicasse melhor, pois a figura me pareceu uma jarra de madeira.

fonte: http://www.artistwd.com/joyzine/australia/dreaming/blue_heron.php

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O Cisne Negro

Maio 7, 2009 · Deixe um comentário

Quando Wurruna retornou à sua tribo depois de uma jornada trouxe consigo armas nunca vistas antes pelo homem. Disse ele que as elas foram feitas numa terra onde há apenas mulheres e as armas foram dadas em troca de sua esteira de pele de gambá. Então as mulheres disseram:  “Vá! Nos traga mais esteiras e nós lhe daremos mais armas!”

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Cisne negro

As pessoas da tribo ficaram maravilhadas com as armas e concordaram em ir com ele à distante terra de mulheres em sua próxima expedição para Oobi Oobi, a montanha sagrada, levando esteiras com o propósito de troca cerimonial.

Mas Wurrunna advertiu seus companheiros antes de partir, pois havia perigos desconhecidos nessa planície. Eles estava certo de que as mulheres eram espíritos. Elas haviam dito para ele que não havia morte naquela terra, nem havia noite porque o sol lá brilhava sempre.

Wurrunna os avisou que ele daria a volta pelo outro lado da planície e faria um outro fogo para purificá-los assim que eles chegassem. Dessa maneira, nenhum mal se “agarraria” a eles e seria transportado de volta para a tribo. No caso deles demorarem demais, ele tinha um plano para avisá-los que era hora de sair.

Ele iria levar seus dois irmãos com ele.  Sendo ele um grande um grande curandeiro ou homem sábio, ele tinha planos de transformá-los em duas grandes aves aquáticas, e assim que ele acendesse o fogo ele enviaria seus irmãos até o lado oposto do acampamento. A idéia era que as mulheres ficariam maravilhadas e esqueceriam os invasores, que iriam para a planície e pegariam o que eles queriam.

Ele instruiu que cada homem levasse um anima e se as mulheres interferissem, eles o soltariam. Como não havia animais na planície, a atenção das mulheres seria desviada novamente. Em seguida, os homens deveriam se apressar para escapar de volta para a escuridão, onde as mulheres não os seguiriaj, pois elas teriam medo, acostumadas que estavam a sua terra onde sempre havia luz.

Cada homem encontrou um animal, e eles se foram. Entre eles haviam gambás, gatos nativos, esquilos voadores, vários tipos de ratos e por aí vai. Quando eles chegaram na escuridão, que estava enrolada na borda da planície, eles acamparam.

Wurrunna e seus dois irmãos correram através do matagal, rodeando a planície até atingirem o outro lado. Em seguida, Wurrunna acendeu o fogo, produzindo uma grande gubbera, ou pedra de cristal, de dentro do próprio fogo e dirigindo-se aos seus dois irmãos, cantarolou uma espécie de canção sobre eles.

Logo eles gritaram “Biboh! Biboh!” se transformando lentamente em grandes aves puras e brancas, que os nativos chamam de baiamul, os cisnes.

Os homens do outro lado da planície, havendo aceso o fogo, estavam se purificando. As mulheres viram a fumaça subindo em espiral e correram em direção a ela, armadas com lanças, gritando “Wi-bulloo! Wi-bulloo!”

Uma delas deu um grito de surpresa e as outras olharam ao redor. Lá no lago elas viram duas enormes aves brancas nadando. A fumaça foi esquecida e elas correram em direção às duas novas maravilhas e os homens aproveitaram para ir para o acampamento roubar as armas.

As mulheres os viram e deixando os cisnes de lado, correram furiosamente em direção a eles. Então cada homem soltou o animal que tinha. Lá longe na planície correram os gambás, marsupiais, bukkandis e outros. Gritando, elas foram perseguir os animais. Os homens pegaram seus tapetes de gambá e os encheram de armas, então Wurruna começou o sinal de fumaça, que subia em espiral.

Assim que pegaram um dos animais, as mulheres lembraram dos homens e os viram eles deixando o acampamento carregados de armas. Urrando de raiva, elas os perseguiram, mas já era tarde. Os homens já tinham alcançado a escuridão, onde eles se purificaram de todo o mal da planície com o fogo de Wurrunna.

As mulheres chegaram perto até que viram fumaça e, em seguida, lamentaram de novo, “Wi-bulloo! Wi-bulloo!”.  Elas tinham medo de um incêndio, tanto quanto temiam o escuro, tão desconhecido que era em suas terras. Falhando em recuperar as suas armas, elas retornaram até onde tinham visto as estranhas aves.  Mas elas tinham ido embora.

As mulheres ficaram tão zangadas que começaram a discutir, e da discussão passaram a se agredir com golpes. O sangue delas corria rápido, e tingiu todo o céu oeste onde estavam suas terras.  Desde então, quando as tribos vêem um pôr-do-sol vermelho costumam dizer, “Olhe para o sangue das Wi-bulloos; elas devem ter começado a brigar de novo.”

Enquanto isso, os homens retornaram para sua terra com as armas, e Wurrunna viajou sozinho em direção à montanha sagrada, que ficava ao nordeste das terras das Wi-bulloo. Ele esqueceu dos seus irmãos, mas eles voaram atrás dele, chorando para atrair a sua atenção, assim ele poderia transformá-los em homens novamente. Porém Wurrunna, ao subir a montanha, pisou  nas pegadas de Baiame que ficaram esculpidas na montanha, quando este desceu à Terra e isto era um sacrilégio.

Os cisnes, cansados de voar, pararam em uma pequena lagoa no sopé da montanha. As águias, os mensageiros dos espíritos, que estavam voando para entregar uma mensagem divina, viram dois estranhos pássaros brancos em sua lagoa. Em sua ira eles mergulharam e fincaram as suas enormes garras nos cisnes, voando com suas presas para longe do montanha sagrada, sobre as planícies e cadeias de montanhas, longe ao sul.

De vez em quando, na sua fúria selvagem, eles paravam para arrancar um punhado das penas brancas dos cisnes, que eram da mesma cor branca das cinzas da madeira de gidya. Estas penas flutuaram para os lados da montanha, caindo entre as rochas, o sangue escorrendo delas.

As águias voaram e voaram até que chegaram a uma enorme lagoa próxima da grande água salgada. Em uma extremidade da lagoa haviam rochas e sobre  elas jogaram os cisnes. Então mergulharam e selvagemente começaram a arrancar as poucas penas que ainda restavam nas aves. Mas assim que eles estavam retirando as últimas penas nas asas, elas se lembraram que não tinham entregue a mensagem dos espíritos, e por isso, temendo a sua raiva, as águias deixaram os cisnes e voaram de volta para a sua terra.

Os pobres irmãos Baiamul se arrastaram, miseráveis, quase depenados, sangrando e com frio. Eles sentiram que iriam morrer longe da tribo.

Dos céus então caiu uma chuva de penas negras como a noite, que cobriu os seus corpos trêmulos. Aquecidos, eles olharam em volta. No alto das árvores  viram centenas de corvos da montanha, como às vezes eles tinham visto nas planícies de sua terra. Ele pensaram que se tratava de um mau presságio.

Mas os corvos lhes disseram: “As águias são nossas inimigas também. Vimos que elas deixaram vocês  para morrer. Dissemos que não deveria ser assim. Pela brisa enviamos algumas das nossas penas para aquecer vocês e torná-los fortes para retornar para seus amigos, e assim riremos das águias”.

As penas pretas cobriram os dois cisnes, menos nas suas asas, onde algumas plumas brancas haviam sido deixadas. Também debaixo das penas pretas haviam plumas brancas. E o sangue vermelho ficou nos seus bicos para sempre.

As penas brancas dos cisnes que águias haviam arrancado  enquanto cruzavam as montanhas acabaram por criar raízes onde caíram, e se espalharam pelas encostas como sedosas flores brancas que nós chamamos de flores flannel.

Baiamul, os cisnes, sobrevoaram o acampamento de sua tribo. Wurrunna ouviu seu lamento: “Biboh! Biboh!” e sabia que eram as vozes de seus irmãos, no entanto, olhando para cima, ele não viu dois pássaros brancos, mas negros com bicos vermelhos.

Ele ficou pesaroso com o choro triste deles, mas Wurrunna não tinha mais poder para transformá-los em homens. Seu poder como feiticeiro lhe tinha sido tomado por ousar ir antes do seu devido tempo ao acampamento de Baiame nos Céus.

K Langloh Parker, Australian Legendary Tales

Glossário:

1. Baiame

Deus ancestral da Criação para várias culturas aborígenes australianas. Ele desceu para a terra, criou rios, florestas, mares. Deu regras de vida, cultura, tradição e canções para o homem.  Também criou o rito de iniciação Bora, que os meninos devem cumprir para tornar-se adultos.

Quando ele terminou sua criação, retornou aos Céus,  e o povo o chama de Herói dos Céus ou O Todo Poderoso.

http://images.google.com.br/images?sourceid=navclient&hl=pt-BR&rlz=1T4GGLR_pt-BRBR223BR230&q=baiame&um=1&ie=UTF-8&sa=N&tab=wi

2. Daens

Termo utilizado pelos aborígenes australianos para se auto definirem.

3. Gubbera

Pedra de cristal, pedras primordias do nordeste da Austrália usada para propósitos mágicos.

4. Gidya, gidyea ou  Gidgee

Uma pequena árvore australiana do gênero das acácias, Acácia cambagei, que emite um odor desagradável quando a chuva se aproxima.

http://www.cse.unsw.edu.au/~gernot/persona/hobbies/macquarie.html

5. fumaça – smoke

Ritual de “limpeza”, purificação feito com fumaça para purificar um lugar ou pessoa, principalmente após a morte de alguém.

Um ritual para purificar pessoa ou lugar, especialmente após a morte de alguém, com o uso de fumaça.

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Barro Preto e Ocre Vermelho

Março 18, 2009 · Deixe um comentário

Havia muitos caçadores habilidosos na tribo, mas nenhum tão ousado como Kudnu e Wulkinara. Os homens eram amigos próximos e, geralmente, iam à caça juntos. Dizia-se que eles poderiam ler os pensamentos um do outro. Não há dúvida que a convivência permitiu que cada um de soubesse o que o outro estava pensando. Assim, eles poderiam trabalhar juntos e caçar com mais sucesso do que outros homens. Veio uma época que essa capacidade de

Uma anciã de olhos famintos chegou ao território de Ngardjuri, dedos como garras de um pássaro, e dentes afiados que poderiam rasgar a garganta de um homem antes de ele ter tempo para se defender. Sozinha ela teria espalhado o terror nos corações dos homens, mas com seus dois cachorros, um vermelho e outro negro, ela era capaz de andar onde ela quisesse e ninguém ousava enfrenta-la. Os cachorros eram como seus amantes, não tinham medo de homem ou besta, e eram tão loucos por sangue humano quanto ela. Quando vários homens haviam sido dilacerados e partido para o limbo tentando parar o trio sanguinário, toda a tribo pegou os seus pertences e começou a se dirigir par o sul.

‘Onde vocês vão? ” Kudnu perguntou. “Acham que se pode escapar da mulher apenas mudando?”

‘Você vai deixar o seu território para ela simplesmente porque ela abre a boca e rosna para você? ” Wulkinara perguntou. ‘A terra que pertenceu aos seus pais não significa mais que isso? ”

‘Você não a viu – um dos guerreiros respondeu envergonhado. “Prefiro enfrentar um sozinho bunyip (mostro com cara de cachorro que vive nos lagos) na calada da noite do que a velha ‘.

“Os cachorros delas são monstros”, outro disse. “Se você lutar com um, o outro vai pular nas suas costas e abocanhar sua cabeça com as mandíbulas”

“Eu sei!” um terceiro interrompeu quanto Kudnu estava para falar. “Você ia dizer que se você lutar com um dos cachorros, Wulkinara irá proteger suas costas, mas e quanto à velha? Ninguém vai segurar ela.”

“Bem, nós veremos”, Kudnu disse com um riso amargo. “Melhor você correr ou não vai se juntar às mulheres.”’

Os dois amigos olharam-se. Não houve necessidade de discutir o assunto. Eles sabiam o que tinham de fazer. Elas saíram do matagal e colocaram-se à vista de todos na planície. De muito longe vieram o som de latidos distantes e dois minúsculos pontos vindo em direção a eles, crescendo mais rapidamente à medida que eles cobriram o chão com suas enormes passadas.

”Se apresse”, disse Wulkinara e ajudou o seu amigo a esconder-se nos ramos de uma árvore e, em seguida, esconde-se atrás de um arbusto baixo. Kudnu gritou enquanto os cães passavam correndo a árvore. Eles voltaram e se atiraram no tronco, pulando e caindo de costas. Wulkinara segurou firme nos ramos, olhando para baixo dentro de suas gargantas abertas, observando o contraste das cores de suas peles. Um deles era de um vermelho vívido e o outro totalmente negro.

Com as atenções concentraradas em Wulkinara, Kudnu deixou o esconderijo com dois bumerangues na mão esquerda. Com a outra mão ele pegou um e jogou-o calculadamente, mas com grande força no cão vermelho. O gole cortou a cabeça do cão que rolou na areia. O cachorro preto se virou, encarando o caçador, e pulou em sua garganta. Wulkinara não teve tempo para lançar sua arma, mas ele o empurrou  com toda a sua força, e quebrou as costas da besta negra. A força do golpe cortou em dois o cachorro. Por um instante as duas metades se equilibraram sobre as patas e, em seguida, caíram.

Houve um grande barulho na moita. Wulkinara virou-se e viu a velha pulando sobre ele, o rosto dela contorcido de raiva. O homem não teve tempo para levantar o seu bumerangue, mas a mulher vacilou e caiu de costas com o cabo da lança de Kudnu atravessado na garganta.

Os amigos trocaram olhares. Não houve necessidade de  falar. Juntos, eles tinham feito o que eles prometeram fazer, e o território ancestral era seguro para o seu povo mais uma vez. O corpo da velha foi queimado, mas os cães foram enterrados. Não se esqueça deles, pois o lugar onde foram sepultados foi conhecido depois por causa dos grandes depósitos de barro preto e ocre vermelho, que são usados pelos homens para pintar seus corpos.

fonte: http://www.artistwd.com/joyzine/australia/dreaming/index.php

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O sonho de Bilyara

Setembro 29, 2008 · Deixe um comentário

Kata Tjuta (The Olgas)

O sonho de Bilyara

Bilyara, que significa águia, sentiu a emoção do excitamento enquanto ele se preparava para dormir. Tinha sido o dia de sua cerimônia Bora, a cerimônia de iniciação que marcava o início de sua vida como homem , e ele agora ele podia caçar com os homens da sua tribo.

Bilyara encontrou dificuldades para dormir, tal era a sua emoção, mas o sono finalmente chegou, e assim o fizeram os sonhos. Um sonho em particular o perturbou e ele acordou suado.

Evidentemente, Bilyara tinha sonhado antes, e além dos ocasionais pesadelos que invadem nosso sono durante nossos primeiros anos, a maior parte deles são bastante agradáveis. Este sonho, porém, foi dos mais estranhos, ainda que não tão assustador como os pesadelos habituais, embora não menos preocupante.

Bilyara sonhou que depois de sair acampamento ele subitamente se encontrou caminhando no deserto. Ele estava consciente de que ele estava caçando, porque ele carregava suas lanças, e um nulla nulla (porrete), que é uma arma de combate, aninhada em sua cintura. O que parecia estranho, porém, foi o fato de que ele estava em um deserto.

Para começar, não havia deserto nessa parte do país, e se houvesse, o que ele estaria caçando por lá? Além de algumas serpentes e lagartos, não havia mais nada.

De repente, apareceu diante dele um acampamento de caça onde vários idosos levantaram os seus braços e apontaram em diferentes direções. Bilyara instintivamente sabia que essas pessoas não estavam vivas. “Qual deles devo obedecer?” ele pensou.

Incapaz de tomar uma decisão, ele escolheu seu próprio caminho. Bilyara caminhou até o sol se pôr no horizonte, mas nada tinha visto além de poeira vermelha e uma vegetação seca e rasteira. Então, por que ele estava lá? Ele parou para pensar na situação, e então decidiu fazer um acampamento e por lá pernoitar. Infelizmente, isso não foi possível, porque ele subitamente encontrou-se em pé sobre terreno que estava queimando. Não eram chamas, apenas pó quente e vermelho e, para seu horror, ele estava rapidamente afundando dentro dele. Foi então que ele acordou.

O sonho estranho sonho ocupou os pensamentos de Bilyara durante todo o dia, por isso ele decidiu procurar os conselhos de seu pai, que era também o wirrinun, ou seja o homem sábio da aldeia. Bilyara sentou com o seu pai e relatou o seu sonho. O sábio escutava e baixava a cabeça ocasionalmente até que o filho dele terminou. Então ele sorriu.

”Você é felizardo Bilyara “, disse.” Você recebeu uma visita dos espíritos. Uma coisa muito rara para alguém tão jovem. ”

“Porquê?” Bilyara perguntou

O wirrinun balançou a cabeça. “Quem sabe?” O que posso dizer-vos, porém, é que seu sonho é uma advertência do que você terá que enfrentar durante toda a sua vida. E tão assustador como este pode ter sido, você pode passar por tudo em segurança.”

Bilyara considerou tudo o que seu pai havia lhe dito e em seguida,perguntou: “Por que um deserto sem vida?”

“Haverá momentos em que você irá retornar da caça com nada, mas apenas com alguns lagartos e cobras.”

“Os antigos?” ele perguntou.

“Aqueles que são rápidos para oferecer seus conselhos. Você escolhe seu próprio caminho, como deveria ser.”

“Mas o meu caminho levou-me à areia movediça flamejante, por isso sei que eu estava errado.”

“Como serão muitas, muitas vezes em toda a sua vida, filho. Apenas aprenda com elas”.

Clã Burramadagal da tribo Dharrug

Nulla Nulla:

http://www.newagemultimedia.com/isaacs/artifacts.html

Scrub – tipo de vegetação:

http://www.csc.noaa.gov/crs/lca/hawaii/hi_scrub.html

 

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Escócia devolve ossos aborígenes ao seu povo

Setembro 19, 2008 · Deixe um comentário

Sei que o site trata de contos, mas essa notícia é importante por mostrar a crença dos aborígenes, nesse caso relacionados a ritos funerários. Eles acreditam que para o espírito descansar, os restos devem ser enterrrados na terra do morto (claro, assim como em muitas culturas) e cumprem um ritual específico para ajudar a “alma a se aquietar”… Tanto é, que há uma lenda interessante sobre um rapaz que chorou tanto a morte do irmão, que ele se levantou da tumba e se recusava a deitar novamente.

Dizem que deve se ter cuidado com o excesso de lamentações, assim como se deve temer matas densas, onde os espíritos podem estar espreitando. Tanto é que só se passa em certo locais durante o dia e em grande número de pessoas.

Quanto aos ossos, eles foram levados para Edimburgo há mais de seis anos, quando a Austrália ainda era uma colônia. As negociações com a Universidade de Edimburgo e o Museu Nacional da Escócia duraram mais de dez anos e agora os seis crânios e um osso de ouvido foram devolvidos ao povo Ngarrindjeri. Eles fizeram uma “cerimônia de fumaça”, queimando folhas de eucalipto em frente da universidade. Imagino que a fumaça irá subir ao mundo dos espíritos levando a alma dos mortos.

Agora sim eles irão descansar em paz.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2008/07/080707_aborigenes_ossos_uk_mv.shtml

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Baralga e Dinewan

Setembro 19, 2008 · Deixe um comentário

Brolgas

Baralga, o brolga era uma ave uma linda com plumagem cor de neve, bico longo e pernas longilíneas e elegantes. Ele também era dançarino maravilhoso e ansiava encontrar alguém para dançar com ele.

Ele tinha procurado por semanas sem sucesso, e estava sentindo um pouco desolado enquanto ele voava por cima de um lago – até que ele viu Dinewan correndo pela planície com suas pernas poderosas e compridas.

“Finalmente,” Baralga suspirou. Então, sem outro pensamento em mente, ele desceu do céu e voou ao lado de Dinewan e perguntou se ele gostaria de dançar com ele.

Os olhos de Dinewan quase pularam para fora de sua cabeça, e ele parou na hora. Baralga fez um círculo perfeito, então elegantemente pousou ao lado dele. Então ele começou a dançar, para grande surpresa da Dinewan.

“Eu estou dançando”, disse Baralga “, queira juntar-se a mim.”

“Eu não quero dançar”, disse a ele Dinewan.

“Ah, por favor, dança!”, Baralga implorou.
“Você está louco!”, Dinewan resmungou. “Emus e brolgas e não dançam juntos”, e lá eles ficaram e brigaram no meio da planície.

“Rapazes!” repreendeu uma bela voz. “Sobre o quê vocês estão discutindo?”

Sem encara-la, Dinewan bateu furiosamente seu pé no chão. “Porque este bobo quer dançar”, ele respondeu rabugento”, e estou dizendo-lhe que não quero!”.

“Eu vou dançar com você”, disse ela.

Baralga ficou de bico caído quando a viu. “Você pode dançar?” ele perguntou.

“Claro que quero”, ela respondeu, em seguida, acrescentou, “Eu sou uma excelente dançarina”.

Dizendo isso, os dois brolgas voaram para longe, ocasionalmente voltando para pousar e dançar brevemente para então voar de novo.

Os seus descendentes são muitos e podem ser vistos mergulhados em lagos e rios por toda essa terra.

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A chegada da tribo Thurrawal

Setembro 16, 2008 · Deixe um comentário

 A chegada da tribo Thurrawal

Há muito tempo, num passado distante todos os animais que estão agora na Austrália eram humanos e viviam em outra terra, muito além do mar. Um dia eles se reuniram e decidiram partir em canoas, a fim de encontrar melhores campos para caça no outro lado do mar. A baleia, que era muito maior do que qualquer um deles, tinha uma canoa de casca de árvore de grandes dimensões, mas na qual não iriam caber os outros. Como as canoas dos outros animais não era adequadas para uso em mar aberto, eles vigiavam todo dia na esperança de que a baleia deixasse o seu barco, para que eles pudessem pegá-lo e iniciar a sua longa viagem. A baleia, porém, sempre vigiava de perto, e nunca abaixava sua guarda.

A estrela-do-mar, uma amiga próxima da baleia, bolou um plano com as outras pessoas para chamar a atenção da baleia para longe da canoa, e assim dar-lhes uma chance de roubá-la. Um dia, a estrela-do-mar disse à baleia:

- Você tem um grande número piolhos em sua cabeça, deixe-me pega-los e matá-los para você.

A baleia, que tinha sido muito chateada por parasitas, prontamente concordou com a oferta de sua amiguinha, e, prendendo a sua canoa a um rochedo, eles sentaram. A estrela-do-mar imediatamente deu o sinal para os outros, que estavam de prontidão para pegar sorrateiramente a canoa, logo que a baleia estivesse distraída.

Ela descansou a cabeça da baleia no seu colo e começou a matar os piolhos. A baleia estava tão tranqüila e nem notou os outros rapidamente chegarem em sua canoa e empurrem para longe da praia. De vem em quando ela perguntava:

- Está tudo bem com a minha canoa?

Ela em resposta pegou um casca de árvore solta próxima à perna dela e em seguida bateu na casca e disse:

- Sim, essa é que é que estou tocando com a minha mão – e vigorosamente bateu na água perto das orelhas da baleia para que ele pensasse ouvir salpicos de remos. Isto continuou até que a canoa estava quase fora da vista, quando de repente a baleia ficou agitada e levantou-se. Vendo a canoa desaparecer na distância, ficou furiosa com a traição da estrela-do-mar e bateu nela sem piedade. Saltando para a água, a baleia então nadou atrás de sua canoa.

Vendo a canoa desaparecer na distância, ficou furiosa com a traição da estrela-do-mar e bateu nela sem piedade. Saltando para a água, a baleia então nadou atrás de sua canoa.

A estrela-do-mar, mutilada e dilacerada, rolou ao largo da rocha sobre a qual eles estavam sentados, caiu na água, e deitou sobre a areia no fundo. Foi o terrível ataque da baleia que deu a ela sua aparência rugosa e seu hábito de ficar parada no fundo do mar.

A baleia, esgotada de tanto nadar, ficou nadando ao longo da costa. Ainda hoje, ele nada lá com seus descendentes, espirrando água furiosamente através do furo na sua cabeça.

A baleia furiosa perseguiu a canoa, jorrando água no ar pela ferida que ganhou na cabeça durante a sua luta com a estrela-do-mar, uma prática que ela manteve desde então. Apesar da baleia ser ótima nadadora, os antebraços do coala puxaram os remos com grande força por muitos dias e noites, até que finalmente avistaram terra e chegaram a uma praia segura. O brolga (garça australiana), no entanto, não conseguia ficar parada e batia com seus pés para cima e para baixo e acabou fazendo dois grandes buracos na canoa. Como já não era útil para eles, foi empurrado um pouco além da saída para o mar onde parou e se tornou a pequena ilha conhecida como o homem Gan-gang perto da entrada para o oceano no Lago de Illawarra.

A baleia, esgotada de tanto nadar, ficou nadando ao longo da costa. Ainda hoje, ele nada lá com seus descendentes, espirrando água furiosamente através do furo na sua cabeça.

Notas:

1) A tribo Thurrawal tem nomes alternativos: Tharawal (Darawal, Carawal, Turawal, Thurawal, Thurrawal, Thurrawall, Turuwal, Turuwul, Turrubul, Tutuwull, Ta-ga-ry, Five Islands).

O povo Tharawal (ou Dharawal) habitavam o sudeste de Sydney e a região de Illawarra, quando chegaram os primeiros colonos europeus. Viviam em áreas do sul de Botany Bay até Porto Hacking do norte do rio Shoalhaven e no interior de Campbelltown e Camden. Eles falam a língua Tharawal.

A arte desse povo é evidente em diversas gravuras rupestres localizados em Jibbon.

Comumente acreditava que não havia mais descendentes do povo Tharawal, porém após o veredicto de Mabo pela reinvidicação de sua terra nativa, há vários processos em que pessoas afirmam ser descendentes dessa tribo.

2) Queensland x Mabo.

Em 1985 o governo de Queensland aboliu todos os direitos nativos sobre as ilhas Murray, agindo de maneira retroativa. Em 1988, o povo Meriam, principalmente, Eddie Mabo, contestaram o Ato Declaratório das Ilhas Costeiras de Queensland alegando que a lei era racista.

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